quarta-feira, 17 de setembro de 2014

*Anjo




Era um anjo.
Até começar a beber
da taça dos mortais.
Agora cultiva ervas daninhas,
e se espalha...
Agora destila sua própria cicuta.
Não sabe o mal que se faz
pobre anjo...
Não resistiu ao chão movediço
de suas próprias criações.
A alma apagou a luz
e ele dormiu.
Ainda dorme, pobre anjo...
Enquanto dorme,
nutre fantasias,
cria ilusões.
Já não sabe estar sozinho.
O anjo, agora, é multidões.


Carmen Regina*

2 comentários:

Expedito Gonçalves Dias disse...

Texto perfeito. O anjo caído denunciado. Lindo, lindo...
Abraços!

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

lindo como sempre!