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Anemia
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Salto dos sonhos para a real surpresa do dia que amanhece.
Quem me daria asas para voar no azul sem fim de um dia assim?
Queria ser um pássaro de brancas penas, elevar-me acima
das correntezas humanas, romper elos, ir além, mais adiante.
Do alto contemplar a grande teia em movimento.
Quisera recolher o éter que se desprende das auroras
num dia assim, de um dourado assim,
riscar o espaço com o giz do poeta,
e traçar uma nova curvatura para o sol,
Salto para a dureza do asfalto.
Penso nos seringais que gemem sobre ele disfarçados de pneus.
Penso na Terra.
E vejo o seu imenso úbere jorrando o leite negro que alimenta
a grande teia esvaindo-se, anêmica...
Quer queiramos quer não queiramos.
carmen
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