quinta-feira, 6 de novembro de 2014

*AMANHECER





"Aqui é sempre assim:
madrugadas rendeiras tecem o amanhecer
e a exuberância dos jardins.

Por ora, nada a fazer, espera pra ver
como é lindo o alvorecer.

Os gnomos brincam, as fadinhas dançam
com os raios de luz nas tangências das gotas de orvalho,
nanoniágaras preciosas,
beijos serenos nas folhas úmidas das manhãs.

Pouco a pouco chegam seus amores,
borboletas, bem-te-vis, sabiás, beija-flores...
Vêm no rastro do arrebol.

Não abra os olhos ainda, respira...
Sinta o aroma de fadas embalando a madrugada
que adormece ao pé do Sol.

Carmen Regina*







terça-feira, 4 de novembro de 2014

É DOCE MORRER





É doce morrer nesse mar
em noite de estrelas cheia,
teu hálito perfumando o céu,
boca, dentes, saliva, doce mel.
Jóias preciosas
acariciam teus poros
acalmam a alma valente
morta de frio, de medo, de sono,
de viver.


Borboletas celebram a noite celestial
xiitas kamikazes em sua nobre causa
vêm teu meigo arakiri e não estão nem aí.
Adeus!
Antes mesmo da hora zero celebremos o
transcendental
e renasçamos úmidos e doces
para o amor imortal.

Vem tingir minha realidade
com o tom da tua voz rubi,
com a luz dos teus olhos
descontrua meu coração,
trancado a 7 chaves
e lançado em teu a mar.
Coração-diamante, meu bem meu mal,
tornado, tempestade, vendaval
nas areias deste deserto de vida
oriente oásis miragem,
da terra do nada, paisagem.

Obrigada Mãe
pela felicidade legítima de ser o não-ter,
viver e morrer infinitamente
sem dor sem sofrer
puro êxtase
puro prazer."

*Carmen Regina
2004

Imagem Cristian Schloe 
Cultura Inquieta

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O dia amanheceu dourado




Tua Luz 


O dia amanheceu dourado e perfumado.
 

Peço ainda mais calor humano 


para louvar este Sol 


que alumia o prado 


do meu olhar mais terno.
 

Peço um incenso 


Para acender no bico do pequenino raio de luz
 

que adentra a janela do meu peito

 
abraçado à brisa que chega e não fica

,
a lembrar que o tempo

 
é um acidente geográfico do eterno

existe em uma única dimensão e, 


nela, inexoravelmente,


passa..


Carmen Dias



terça-feira, 16 de setembro de 2014

*En Canto...




Por quem cantas coração?

Madrugada se inicia,
distante da poesia,
“aquela poesia”...


Poesia que me derrete, 
que me desperta paixão,
que é fogo e que me consome 
quando lembro desse homem
que me encanta o coração.


Tempo todo a pensar.
Tempo inteiro a me en

cantar.

Carmen Regina*

quinta-feira, 17 de julho de 2014

GEMA



GEMA




Sou dura
sou pedra




Parto-me
espalho-me




Reflito brilhos
fascino




Em noites de plenilúnio
uivo





.
Carmen Regina*

Meu coração anda distante...




Meu coração anda distante...
Encostei meu ouvido na parede da ausência
mas, não o posso ouvir,
meu coração está fora de mim,
criou asas, virou gaivota, voou,
foi  pras bandas do a mar,
lá, onde os pensamentos se agitam 
no balanço das ondas,
lá, onde  o vento açoita os sentidos.
Para lá meu coração voou e não voltou.

 Meus olhos perderam-se nas  órbitas,
minhas mãos prenderam-se aos fios invisíveis
com que  subo ao céu,
toco a estrela mais brilhante  
e digo-me:

- É o brilho da iris dos olhos do meu Senhor,
é a cintilância do poeta na alma incendiando
os versos em minhas pupilas.

Vem, raio de estrela!
Vem e enche minha taça com a  luz da tua ternura!
Vem, toma-me em tuas asas e me leva 
para a Terra do Sem Fim,
onde  tua doce voz ecoa infinitamente, 
preenchendo o imenso vazio de ti  
que carrego em mim 
pela vida a fora.

Carmen Regina*


sexta-feira, 18 de abril de 2014

PAIXÕES



Paixões são assim.

Arrebatam.

Mas, se com amor não for alimentada,

fim!


Até a próxima apaixonada.


Carmen Regina*


Minha Estrela


Vem!

Tu és a minha estrela Polar.
Mostra-me as pegadas dos astros,

nossos irmãos  que correm com galáxias
enquanto corremos com lobos.

Vem! 

Entra pela minha boca e brilha

no meu mais alto céu,

fonte de todos os sentidos,
sede de todos os desejos.

Carmen Regina*
imagem: Christian Schloe - Cultura Inquieta


REMINISCÊNCIA POÉTICA*

*

NADA

Vira e mexe, me vem:
Me vejo na estrada...
lonely lover,
um barco à deriva
rumo ao nada.

- Cadê você, alma minha,
Por que me deixas sozinha?

Pensamento voa
vai longe,
segue teu rastro,
tu te escondes,
... eu não me acho.

Hoje estou tão cansada...
Tanta busca e
nada.




*Carmen Regina

domingo, 6 de abril de 2014

DAS PEDRAS *




DAS PEDRAS* 


O que dizer das pedras? 
Pedras são pedras,  mas portam poesias... 
Ah, as pedras do caminho... tão irregulares...
por vezes pontiagudas, noutras escorregadias. 

As do caminho sempre grudam no chão
-pela força do atrito, pelo esmeril das dificuldades.
Pedra, que é pedra, orgulha-se de seu peso,
sua dureza e singularidade. 

No caminho de volta ao novelo do mundo, 
da transcendência da vida cotidiana e tributável. 
(tudo tão envolto em arte e mistério ...) 
 há um longo e firme assoalho de pó e minério.

As pedras são antigas, por isso tão sábias!
Conversamos muito durante a viagem
Piso leve e suave sobre elas
e olhamos [com] paixão a paisagem!

*Carmen Regina