quinta-feira, 31 de março de 2011

Impermanência e Poesia



Poeta, olha pra mim!
Estás vendo um poeta aqui? 
Nem eu!
Dias, noites e madrugadas a procurá-lo na Terra do Sem fim:
Nem sinal!

Por onde andaria esse filho de Netuno?
Minhas mãos estão cheias de poesia mas, 
sem o olhar do poeta fica incompleta a poesia.

Eu vos convoco, Poetas de todos os cantos do Universo! 
Vinde, ó amigos da alma! Juntos, o haveremos de encontrar.
Olhai, olhai, olhai...

Que nada fique sem vistoria:
Pétala de flor, sombra, relva, raio de sol e luar.
Das pedras do chão, cuidai: com elas, são horas a filosofar.

Levantai vossos olhos aos telhados e arranha-céus,
fazei pente fino nos outeiros, nas areias à beira mar, em ninhos de passarinho,
e em toda brisa que passar.

Olhai os lírios dos campos,
as crianças, os animais, asas de beija flores, índios, mendigos, anciãos,
catadores de papel ...

E, quando a noite chegar, olhai para o céu,
sondai as estrelas, detei-vos ao luar e, então, fechai vossos olhos.
 ... Silenciai.

Cessai todos os vossos movimentos
e ouvi o que diz a voz do coração nesse  inefável  momento,
[sua voz é dulcíssima....] : - “Sinta-me...”

Carmen Regina 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Bella tarde ....




A bella tarde se lança
ao espaço entre o dia e a noite.

Gostosa e lânguida, 
desce o zíper de seu vestido de seda dourado
para seduzir,

ombros à mostra, 
fenda horizontal insinuando-se
no limite entre o céu e o chão,
sentidos aflorados,
chama...


O poeta, 
rosa rubra nos lábios,
pena fina na mão, 

poema ardendo na ponta da língua,

corre ao seu encontro,
inebriado, encantado, fascinado.

As maçãs exalam, as sereias espiam,
as areias suspiram.

Eu espero sentada 
à beira do a mar.


Carmen Regina





Bella tarde ....




A bella tarde se lança
ao espaço entre o dia e a noite.

Gostosa e lânguida, 
desce o zíper de seu vestido de seda dourado
para seduzir,

ombros à mostra, 
fenda horizontal insinuando-se
no limite entre o céu e o chão,
sentidos aflorados,
chama...


O poeta, 
rosa rubra nos lábios,
pena fina na mão, 

poema ardendo na ponta da língua,

corre ao seu encontro,
inebriado, encantado, fascinado.

As maçãs exalam, as sereias espiam,
as areias suspiram.

Eu espero sentada 
à beira do a mar.


Carmen Regina





segunda-feira, 21 de março de 2011

* O Esmeril





Eu, gema, gemo,
mal chega perto o esmeril,
o som estridente, as faíscas de fogo,
os fiapos e lascas saltando de mim.

 Eu gemo.

 Lapidar, lapidar, lapidar!
É um lapidar sem fim.
A velha roupagem?  
Já era!      
                                                                  
Foi ao poço da quimera.

 No começo, me desconheço,
mas, quando surgem as faces,
aquelas,  que eu não veria,
se não fosse o esmeril..

Alegria! (quem ti vê, e quem ti viu!)


*Carmen Regina
foto do site Zaroio.com.br via Google

quarta-feira, 16 de março de 2011

Amar vocë


Beijar-te

Sentir meus lábios desenhando
Em teu corpo
a estrada dos prazeres


Buscar-te
Caminharei sobre ti na noite sem fim
até chegar aos teus pés
e me entregar

Amar-te
Louvor adoração magia
Um rouxinol sonha com a rosa escarlate
Eu te sonho em meu ninho
de poesia

Nua
Sob o manto da infinita beleza,
amor, paixão e arte sonham
adorar-te...



carmen regina
imagem do google 

segunda-feira, 14 de março de 2011

branca flor


















Debruçada na janela, penso nela...
Vida!

Noite estranha, lua ausente, poesia minguante...
Filetes mágicos contornam a tela,
sobem e descem, suave mente.
Meus olhos seguem o trajeto do dejavu
E pousam na brancura das floripôndios.

Exuberância!
Como pode ser tão bela, delicada e sutil?
À luz tênue e amarela que irrompe entre os galhos das árvores
e incidem sobre elas as faz parecer-me  tão mais alva, tão mais macia.

Sinto seus pulsares.
Perfume inefável dança em minhas narinas.
São dezenas delas! Centenas, e se eu não parar de olhar
em instantes serão milhares embriagando-me.
Ninfas!

A alma das flores se levanta do chão para me enlevar
quando me pego pensando nela.
Vida!

Como pode ser tão fascinante...
Abre-se nos dias em que a lua se fecha.
Perfuma  a noite, e táo somente ela.
Aroma doce de mistério...

carmen regina

quarta-feira, 9 de março de 2011

Faço chover ...

foto do Google 2010



FAÇO CHOVER


É eu colocar o olhar
sobre uma flor,
um  pássaro,
uma pedra,
um tapete de flores no chão,
um bezerro mamando;...


É eu ver 
os porquinhos cor de rosa, socados no caminhão
da Sadia,
as galinhas engaioladas, 
indo à morte
na Perdigão,...

a lavoura verde fazendo de conta
que é esperança,
que é saudável o dourado dos trigais

encharcados de veneno.
Monsanto!

Eu faço chover.
Chuva forte.
O mar morto transborda ao redor.
Choro e chovo.


Tempestade é ver criança
pedindo comida,
esmolando ternura,
-a Terra vira oceano.


Sou trovoada quando dou de cara
com Aspartame na mesa,
- o melhor da Monsanto à mão!

Um poema me comove.
quando me faz saltar
a barreira do sentimentalismo humano. 

Vão.

Senão, não.
Prefiro ler o pasto,
o prato dos gatos,
as andorinhas que eles cobiçam.


Prefiro a poesia
da carroça do lixo reciclável
e seus nobres poetas puxadores.



*Carmen Regina
da série Della Saura

Elas correm com as galáxias...



As estrelas correm com galáxias,

eu corro com lobos.

Elas buscam o infinito,

eu vou ao meu encontro.

Um dia elas se apagarão,

mas eu, não.

Eu serei o que sou:

Luz.


Della Saura


by carmen regina

segunda-feira, 7 de março de 2011

ao amigodaalma


PERCEPÇÕES


.
O que pensa esse braço de vento,
passando por meus cabelos
sem me tocar?
As flores resplandecem no jardim,
Pouso o olhar sobre o verde e o que vejo?
O mar.
Deito na grama.
Estou à beira do a mar.
Uma luz se insinua no deserto,
a  alma se levanta sobre mim.
A terra treme.
Há um outro mar, azul, no alto.
Ondas brancas se movem em slow,
movem-se as rendas do arvoredo,
movem-se as estrelas,
move-se a poltrona de terra,
e me leva ao desassossego do irreal.
É tudo um jogo de percepções,
tela de traços e cores em movimento.
Fecho os olhos e nada existe,
além do breu e do pequenino ponto de luz,
pra lá e pra cá, expandindo-se
em indagações
Quem sou eu?
Quem é você?
Quem somos nós?


Carmen Regina

o dia entardece

*


O dia en~tar~de~sce
as plantas estão de joelhos,
as flores deitadas ao chão,

quem sabe para agradecer
 a dádiva da chuva
que ninguém sabe se virá,
mas elas sabem...


Se a chuva vier descerá, caudalosa , 
como um rio, deslizando no asfalto, 
como riacho, 
correndo pelos canteiros.

Os pássaros silenciarão
para louvar
o milagre da dissolução das nuvens.

Abençoada chuva!
Calmaria ou tempestade,  aqui dentr
uma bella tarde.


Carmen Regina

quarta-feira, 2 de março de 2011

para Juno, de Bruna Bellatriz

foto Iris com Pérola e Polar



Esperando

Aqui só chove, a primavera anda distante
Ainda tem outono inverno pela frente
Ceres já não produz como antigamente

Aqui se pergunta, ali respondem sábias palavras
Ainda que frias, despojadas, sem metáforas
Hades já pactua, palavras já são escravas

Aqui se esfria, põe-se a neve por sobre a cidade
Ainda que de manso, feito neblina
Mas sem alegria de Juno, inda vira tempestade

Aqui se lança, por quem escreve, garrafas ao mar
Levam mensagens, s.o.s, tomara cheguem
E, por quem lê, possa ser o libertar.