sexta-feira, 1 de novembro de 2013



























A TARDE ARDE*

A tarde arde
na pele
das palavras
o fogo se propaga rapidamente

Acendo uma vela
na boca do vulcão
E o poema vai se criando

Apaixonado...
Teu peito nu: papel perfeito
para as mãos do poeta

Como me atrai essa flor!
esse perfume!
na boca do abismo...



Carmen Regina*

quarta-feira, 19 de junho de 2013

a flor do asfalto ...




E eis que lobos famintos invadiram
e devoraram
A Arte da Guerra, 
apropriando-se das idéias do Sábio,
ultrajando e vilipendiando a sua sacralidade.

Pelo poder
de gestos, palavras e atitudes 

obscureceram

a beleza da flor 
perfumosa,
na plenitude do frescor, 
que abriu suas pétalas no asfalto.

O jardineiro, atônito, 
abraçado às borboletas, abelhas e beija flores, 
chora a cegueira e o equívocos das turbas.
Alma solitária, soluça o pesar daquela gente humilde
que o comove ...



*Carmen Regina

sábado, 9 de março de 2013

Agromansâo monsanta






Eu vi a mansão  plantada no campo de soja.
As cortinas das janelas balançavam ao vento,
as crianças brincavam ao redor da piscina,
a jovem senhora amamentava o seu bebê. 
Ela era toda ternura.

Enquanto isso, 
o avião monomotor, 
como um deus da chuva,
jorrava generosamente, como bênção, 
um liquido esbranquiçado sobre a plantaçâo.
(Seria  Monsanto, Syngenta, Bayer, Pfizer,  Dupont?)
Sei nâo.

Só sei o que ela me disse: que  não tem cheiro.
(Inocência?)
Só sei  o que eu vi.
(Inconsciência).

Carmen Regina*





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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tela de Ximena Henrico Galegos 




Aromas da noite


A tarde estremeceu,
o sol se deita aos  pés do horizonte;
logo mais,  a noite cairá do céu,
buquê delírios nas mãos,
sorrindo para os meus sonhos.
Meus sonhos, minha vida,
sonhos bem sonhado,  bem tecidos,
bordados noite e dia
com fios de dentro pra fora compondo,
em filigrana,
a delicada trama das horas
em que me inspira Poesia.
Em lugar de nós,  laços,
pequenos lacinhos, 
suaves e tenros,
como esse desejo que, 
agora,  me aflora.

As flores exalam, enlouquecidas,
há um zumbido em meu ouvido,
um silêncio profundo dentro do som
e isso ultrapassa meus sentidos.
Os jasmineiros estão silenciosos,
Os beijaflores, empertigados,
as floripöndios vencem a batalha dos aromas
com sua poesia em forma de taças brancas,
transbordantes do perfume inefável
com que cobrem o leito da noite.
E me embriagam.



Carmen Regina

Vôo ...

 
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013




Jasmins
angélicas
floripôndios
açucenas 
damas da noite

Brancas flores sensuais
aromas espirituais
tocam-me os sentidos
como delicados açoites,
inebriam-me

Neste instante sem fim
 esqueço quem sou,
perco-me de mim,
flutuo
na dimensão das cores

Rompem-se os véus
e eu adentro a dimensão das cores
para depois,
muito depois,
 retornar ao branco original.


Carmen Regina*