Pelo olho de vidro pode ver: os mesmos papéis, os mesmos recibos as mesmas anotações; os mesmo alfinetes contemplando o saber rigorosamente encapado, em tomos, lado a lado. Mas a imagem dela, símbolo da anunciação de posse, já não estava lá. Havia um aroma desconhecido circulando nos aposentos. Isso pode sentir na voz do ser amado. A rosa, antes viçosa, murchou, o perfume de lírios evaporou. E o que era encanto tornou-se um mar, frio e distante.
Uma realidade se desenha por detrás da cortina dos pensamentos. Efígies se movimentam no mundo mental. Gente, casas, cidades, árvores, Ilusões de sentimentos dão as mãos a montanhas, areia e mar, navios e sereias, bichos e flores, nasceres e pores do sol imaginários ocupam seus lugares na paisagem do irreal. Nenhum vento..nenhuma brisa... Silêncio a perder-se de vista.
Uma lápide se ergue do chão dos desejos. O poeta se levanta vestido de alma. Milhões de versos adormecidos aos pés de anelos subnutridos vazam por entre os dedos de suas mãos.
Uma procissão de sonhos acompanha o enterro do poema. Velas acesas, terços, avemarias, mantras. Carpideiras enlutadas acendem incenso, ornamentam o chão com corbélias e pétalas de flores... O poeta flutua ... O cortejo dança. Nas dobras da dimensão se insinua um lugar solitário na história. Que dirá meu coração... Nenhuma lágrima. Nenhuma lamentação.
Arde o sol no céu azul, breve estará no Oriente. Entocado no túnel venoso, o sangue ferve, - não há tatu que aguente! A pele do poeta se incendeia, quase se ouve o crepitar das chamas. O ar, caldeira a 40 graus, e pelo corpo todo, é só lava que se derrama. Das flores, só posso dizer: Frescor! Das flamboyants:Frescura! Do poema, posso dizer: Sem dor! Da poesia: Sem ardor, Das feridas do poeta: Têm cura.
Aqui é sempre assim,
as madrugadas rendeiras tecem o amanhecer
na relva fresca dos jardins.
Por ora, nada a fazer,
espera para ver como é lindo o alvorecer...
Fadas e gnomos brincam nas gotas cristalinas,
cascatas preciosas, deitam beijos de orvalho
nas folhas úmidas das manhãs.)
Pouco a pouco chegam seus amores,
borboletas, bem-te-vis, beija-flores...
Não abra os olhos ainda,
sinta o aroma de fada perfumando
o adormecer da madrugada
Com seu encanto inquebrantável,
inesquecível, inefável.
Hoje é dia de festa entre os elementais.
Sentiram teu perfume.
Não o esquecerão jamais.
Carmen Regina
terça-feira, 13 de outubro de 2009
FAÇO CHOVER
Vira e mexe, faço chover. É colocar o olhar sobre uma certa flor, um certo pássaro, uma pedra, um tapete de flores no chão, um bezerro mamando; os porquinhos, tão cor de rosa, socados no caminhão da Sadia, as galinhas engaioladas indo para a morte na Perdigão, A lavoura fazendo de conta que é verde esperança, dourado saudável nos trigais encharcados de veneno. Chuva forte. Ah, o Mar morto transborda ao meu redor. Choro e chovo. Tempestade é ver criança pedindo comida, esmolando ternura, -a Terra vira oceano. Sou trovoada quando vejo Aspartame na mesa Monsanto à mão. Um poema me comove. se me faz saltar a barreira do sentimentalismo humano. Vão. Senão, não, prefiro ler o pasto, o prato dos gatos, e as andorinhas que eles cobiçam. Prefiro a poesia da carroça do lixo reciclável e seus nobres poetas puxadores.
Sim, que és minha estrela, Então... Vem! Ou ensina-me a te alcançar. Não sei caminhar sozinha, O designio, ao acaso, é quem me leva Aonde quero chegar.
És minha estrela Polar. Mostra-me as pegadas dos astros, Nossos irmãos e irmãs Que correm com galáxias Enquanto corremos com lobos.
Vem, meu Irmão, Ilumina meu ser com o sol imanente do teu coração, Mostra-me o álbum de sensações, Revela-me o que contemplas quando brincas Com tuas Argênteas irmãs...
Sim, tu és a minha estrela, E por assim ser, Vem! Entra pela minha boca agora, E brilha para sempre No mais alto céu, Fonte de todos os sentidos, Sede de todos os desejos.
Miro em ti, Espelho do Lago, e verto-me em poesia; ser diferente nem poderia, das Plêiades sussurram os irmãos, do mais alto céu contempla-nos a Sabedoria.
Da ponta de abismo que o Poeta na Alma escolheu para assentar seu poema, contemplo a seara, imensa... Tu na enxada, eu no arado. As sementes caem do céu.
Noite a dentro, minha alma adentra
dimensões desconhecidas,
à procura de ti.
Suas asas me levam ao teu encontro.
Encontraremos o caminho?
Temo.
Tremo de ansiedade, gemo de vontade
de te encontrar.
Era tão mais fácil seguir a costa,
mar a fora, voando sobre a orla,
seria fácil te achar.
Mas ela insiste: nem é por ali,
onde a lua engoliu o sol
e os humanos ficaram vulneráveis.
Está em outro lugar,
lá, onde os deuses aboliram a dor
por não precisarem dela.
É lá que das dores se refaz,
no colo da Mãe, em paz,
pediu tanto para estar com ela...
Passei a noite aprocurar.
Sem encontrar.
O dia nasceu.
A bordo de suas asas atravesso esse dia
procurando em todas as dimensões
onde se escondeu
Abro-me. E sou milhões de peitos abertos, legiões de corações palpitando. Observo... Milhões de olhos se abrem dentro e fora de mim, Beleza e Poesia passeiam de mãos dadas com a alma. As pupilas, jardineiras, semeiam Amor no espaço entre os abraços. Jamais vi Ternura assim. O poeta está maravilhado. O Poema germina na pauta branca do infinito.
Não fosse o zumbido do éter, o aroma das rosas esquecidas, o ronco do navio, plenilúnio, estrelas riscando o céu... O silêncio se faria . E se navegaria esse instante como num oceano de mel .
Não fosse o vento sorrateiro soprando o tempo inteiro, (desmanchando meus castelos de areia) quem avivaria a chama que me incendeia?
Penso em ti. Tua lembrança me faz suspirar. Mil poesias dormem na ponta da língua. Mas minha alma se levanta para ti buscar...
Não as tuas,
Vida entrando pelos meus olhos,
Escorrendo,
Doce, tranqüila,
Fresca, cristalina, macia...
Água viva da fonte,
Belas
Caem sobre mim
Como a paz
Cobrindo o limo das pedras...
- ...Que seria das margens, das flores, da paisagem...?
Aprisionam...
Não teus versos,
Deles sou devota, fiel, pedinte, suplicante....
Cativa, apaixonada, amante...
“Poesia fazendo amor com as palavras...”
Nudez explícita,
Mistérios, ardência, ternura,
Toque divino em letras de veludo...
Sou escrava, entrego-me,
Sem reservas, sem defesa, sem escudo,
Vulnerável
Tamanha beleza...
...Impossível deter a correnteza,
Devaneios de poeta me invadem...
Sou de novo criança,
Quero brincar na sombra das tuas palavras
Dormir sobre teus papéis,
Abraçar teus dedos...
Canta pra mim teus segredos
Enquanto minhas mãos deslizam nos teus cabelos
adormecendo todas essas formas que criaste
Para dizer...
O que...?
Imagem: pintura by Luiza Caetano, poetiza portuguesa em temporada de lançamento do seu último livro no Brasil
Flor
Observo-a bela flor E me crio aquário me invento peixe por fim torno-me água me esparramo a seus pés apenas a sentir-lhe a força da raiz e o aroma inefável como névoa caindo sobre mim feito orvalho da manhã.
que faz as deusas serem belas,
é o aroma que as faz perfumadas e meigas.
Ele povoa seus pensamentos e sensações
com poesias que só às deusas são ofertadas.
Ele as atrai como o mel atrai as abelhas,
ele fascina suas almas meninas
e as leva para brincar ao pé do riacho
que nasce na fonte do seu coração
e corre sem fim dentro de tudo que existe.
O amor nunca morre e, no entanto,
re nasce todos os dias,
no mesmo instante em que o sol irrompe,
os pássaros se põem a cantar
e as fadinhas se levantam para dançar
sobre as gotas de orvalho .
Quando a alma desponta no horizonte do poeta,
ele é o dourado que a tudo permeia,
é a melodia tocando suave a natureza das coisas .
O amor re nasce
toda vez que o poeta abre as asas
e suas mãos se põem a extrair poesia macia
das pedras mais duras,
tornando-as quais bolhas cintilantes e diáfanas,
só para circundarem os corpos das deusas
quando o inspira a poesia.
Das ondinas, meigas ondas pequeninas,
ele fez um xale e colocou em seus ombros
só para vê-las chorar
quando o tambor de Shiva pára de tocar,
e o poeta adormece,
e a poesia hiberna,
e a primavera desaparece..
Tempos depois o menino deus poeta volta a tocar.
E o amor ressurge das chuvas,
E re nascem as deusas,
as flores, os perfumes, as estrelas do céu,
a alma da natureza re nasce,
e a poesia diz o primeiro verso de amor
EU, abaixo assinado, mamífero, no pleno gozo das minhas faculdades, descendente dos peixes e de um homem sábio, declaro para todos os fins de direito, que deixo como herança para a amada, várias constelações no lado direito da Via Láctea, conforme mapas astronáuticos.
Declaro ainda ser possuidor de alguns ventos da madrugada e de várias ondas na praia descrita no documento anexo, com amostras da areia e uma estrela fossilizada.
Outras propriedades não citadas, deixo para o cartório distribuir aos autores dos melhores versos, nas próximas temporadas.
A vasilha hermética junto, deverá conter a alma, incinerada para distribuição gratuita entre os pássaros e abelhas.
Desejo a todos um bom dia e a mesma noite de plenilúnio riscada por meteoros erráticos.
Firma reconhecida e o labirinto digital da minha vida debaixo do último verso.
O que há, poeta das doces palavras, infiltrado no recheio dos teus versos, que desce em torrentes por minha garganta, entra-me na corrente sanguínea e me põe assim, nua, mínima e vulnerável ?
Qual avalanche de pulsar inexplicável, derramas sobre o meu olhar tuas rimas macias, desmanchas meus castelos de areia, tornas em pó meus ídolos reluzentes, sem sentidos minha poesia.
Ah, poeta da inspiração inesperada, Olha dentro dos meus olhos e me diz: - O que há na consistência sutil do teu poema, o que há, poeta dos dourados anelos que me inebria a alma e, num instante que me sabe eterno, já nem sei quem sou?
Mergulho em teu poema. E afogo-me em minhas próprias águas turbulentas. Eram sem sal, até que me viesses, em ondas, ora com gaivotas brancas em céu azul, ora em procela do fim do mundo...
Deusa, divindade, deidade, amor supremo... A teus pés dobram-se todos os poemas. São para ti os cânticos de todos os poetas. É a ti que dirijo, ora palavras ralas, ora doce louvor, E em teus ouvidos sopro os meus versos de amor. Teus cabelos voam à brisa de milhões de anelos, E em teu colo deitam-se os tesouros do coração. Poesia escorre, qual chuva de prata, pelas tuas mãos E as mais belas rimas ardem em tuas pupilas . De ti espero apenas o olhar amoroso ao amanhecer, E os uivos da loba ao anoitecer. Na madrugada, nada... Além do canto inebriante da sereia...
carmen
domingo, 7 de junho de 2009
Recebi o selo “Vale a pena acompanhar este blog!” de Dolores Jardim. O selo violeta é premio e representa, segundo os seus criadores, "as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente". Ele é dado àqueles blogues que têm algumas das sensações da cor violeta, a saber: magia, encantamento, graciosidade, magnetismo e tudo aquilo que parece mágico.
Subo a montanha e Lá estão, a relva, o vale, Esmeraldas e jades de todos os tons... Tão suave viver, tudo tão bom, Mas agora não, Agora a paisagem é desafiante, Há perigos pela frente,
Abismos insondáveis sobrevirão. Mas agora não, Inefável aroma movimenta-se no ar. O vazio respira. O desconhecido ronda. O fogo se propaga no éter: In cand escência.
Algo vem do além. O espírito do pássaro desce ao chão, Algo chega ao ser. Duas asas gemem de prazer. Poeta e Pássaro: Somos um. In corporis são.
Adorar é muito mais que amar,
Adorar é ter você num altar
Te cantar, te louvar...
Te oferecer flores...
Toda hora, todo dia...
Deitar com você e te amar.
Beijar, beijar, beijar, beijar,
Acender todas as estrelas do teu céu...
Sentir teu perfume, tua vibração
Toda hora todo dia
O mundo virado em poesia...
Um beijo, uma poesia, mais um beijo,
Mais uma poesia...
Quando a estrela Dalva surgir no céu uma outra página se abrirá ao poema sem fim. Nova poesia irá nascer .
No momento, parto, parto-me, e voo, em pedaços,* desfolho-me em pleno ar, ou me deixo submergir nas águas que correm cá, dentro de mim.
O poeta não sabe escrever. Muito menos o sábio. Chamem-se as crianças, Deem-se-lhes papel, lápis de cor, giz de cera, guache e pincel Convocai as fadas e os anjos E esse bardo de lama e névoa Há de virar o próprio céu.
Eis que pouso no galho de vossa figueira celestial para melhor apreciar Netuno, lá longe, mar a dentro, sereias ao redor.... Tridente na mão, ilusões caminham sobre as águas, partem em direção ao poeta, que as vai tocando e torneando em seus sentires e pulsares que, ao final, se debruçam no papel e viram palavras ao léu. Mas ao poema não são mirações, são
Presságios
Minha alma salta pela janela. Estreito os olhos e vejo um punhado de lembranças revolvendo-se nas areias ao pé do mar.
Um sonho... Antes, era um deserto pulsante, Agora sou vazante.
Quando se verá o vôo do pássaro na imensidão do céu?
Ouço vozes, sons interpenetrantes. E meu sentir vai ganhando forma e substância .
Assisto cenas antigas e recentes que se misturam e se entrelaçam, qual aranha tecendo a teia, no limiar da imaginação.
Deja-vu de poeta? Pressinto que ainda se verão essas cenas nas asas do pássaro, lá do alto...
Meu herói das aventuras de eu menina...
Sois o corcel dourado que galopo feliz nas campinas
que se abrem infinitas aos meus olhos sedentos de aventuras.
Temo magoar-vos com meus caprichos.
E se vos acaricio os pés é mais para sentir a carícia
de vossa pele delicada, tão doce aos lábios,
que por reverência ao sábio que vos habita.
E se vos alcanço os joelhos com minhas mãos
é porque sinto que o vosso coração me chama,
e se ouso mirar os vossos olhos
é porque minha boca deseja guardar segredos
junto às estrelas do vosso céu.
Mestre, meu mestre...
permiti que eu toque vossos cabelos,
tão macios, tão perfumados, canteiro de lírio a céu aberto.
deixai-me sentir o êxtase das pequeninas bolhas de éter
que dançam no ar que respirais.
E eu cantarei para vós a canção que as musas me ensinaram.
E se me levardes ao vosso colo e soprardes levemente a minha testa
eu colocarei em vossa boca os beijos doces que recebi de Eros.
Procuro a fita de seda que há pouco bailava ao sabor do vento no vazio douroazulado que sobe do chão e encosta no céu. Alguém a viu?
Com ela farei um laço gracioso para enfeitar o presente, que fica sem graça sem laços e fitas, sem o brilho do papel.
Pensa num presente emocionante, daqueles que se abre devagar e se vai saboreando, do desenlaçar dos nós do laço, o cuidadoso abrir, mãos ansiosas, o pacote, ao êxtase de tocar a pérola preciosa do instante.
Se vires minha fita vagando pelo teu céu, recolha-a e guarde-a, não a deixe flutuar ao léu, por favor... Não imaginas a doçura de emoções que ela faz (res) suscitar.
E por muito as contemplar,
Estrelas,
Estrelas seguem para onde segue
meu olhar.
E porque estou aqui
guardam-se
dentro dos teus olhos,
como o Mar
sobre as areias.
O meu dharma em teu olhar:
Brilhar
...
Poeta, olha pra mim! Estás vendo um poeta aqui? Nem eu! Passei a madrugada a procurá-lo na terra do sem fim, Nem sinal!
Por onde andaria esse filho de Netuno? Vede: minhas mãos estão cheias de poesia mas, Sem o olhar do poeta a paixão esfria, Fica incompleta a poesia.
Eu vos convoco, dos quatro cantos do uni versus, Vinde, ó amigos da alma! Juntos, o haveremos de encontrar, Olhai, olhai, olhai...
Que nada fique sem vistoria Pétala de flor, relva, sombra ou raio de sol, Das pedras do chão, cuidai, Com elas, são horas a filosofar...
Levantai vossos olhos aos telhados e arranha-céus, Fazei pente fino nos outeiros, Grão a grão buscai entre as areias à beira mar, Nos ninhos de passarinhos, em toda brisa que passar.
Olhai os lírios dos campos, as crianças, os animais, Nas asas dos beija flores, índios, mendigos, Ancião, catadores de papel e, se a noite chegar, Olhai para o céu, sondai as estrelas, detei-vos ao luar,
E então, fechai os vossos olhos ... Silenciai. Ah!... Que cesse todo movimento! Vai falar a voz do coração neste momento. E o que é que ela nos diz? – “Ouça-me...”
morrer e morrer... Sem paredes pra segurar. Todavia, os passarinhos cantam, os raios de sol dançam no ar, pneus rolam no asfalto, há um silêncio milenar que só os domingos conhecem. Lá adiante a nova semana se insinua, mais batalhas, mais surpresas, eventos que não se sabe ainda porque o sol corre atrás do sol. O deus Mu dança frenéticamente, qual derviche incansável . Mas, e essa tarde, este sol lindo descendo em chamas no horizonte, milhares de garças nas árvores do outro lado da estrada, e por sobre as águas...
Penso em tuas palavras: - morrer com fé.
E quase vejo um grão minúsculo de mostarda saltando por entre as cores do sol que morre solenemente... e caindo em minhas mãos.
Ah, como é gostosa a água na superfície do lago! Flores, pedras, cisnes, lírios, sapos e rãs, fortuitos beijaflores. No cenário, cachoeiras, ponte, horizonte, no ar, o som das águas e dos passarinhos. Ao redor, floresta, neblina, garoafina, pirilampos, grilos e criris, lobos uivando na noite. No alto, céu, sol, nuvens, estrelas e lua, no rabo da Via Láctea Sirius, Plêiades, Antares, Cruzeiro do Sul... Milhões de astros na noite de lua nova maravilhando o espírito e despertando indagações. Breve virá o amanhecer, as fadas bailarinas dançarão nas pontas dos pés sobre as gotas de orvalho, abraçadas aos raios de sol. Virá aquela mansitude toda da manhã à superfície do lago, virão instantes infinitos de paz, comunhão...)
E então, ... a persona entrará em ação, toda à roda, escorpião.
Quantas vezes ainda hei de morrer? Tantas vezes fui velada... Quanto tormento e lamento! Quantas dores! Tantas flores... Tantos abraços e beijos e, Ao redor do meu esquife, Quantas velas perfumadas!
Antecipo um vislumbre do fim, Da morte derradeira Mudando a órbita do meu olhar E retirando o uni verso de dentro de mim.
Mas, por enquanto, sou Fênix! Resisto...
carmen foto by Pedro da costa Pereira site olharesaeiou
Beijo o poema alheio e toco o meu ser interno. Há tantas borboletas nas entrelinhas... Lá vem primavera correndo pela estrada dos versos, desejosa de esparramar-se em cores e pétalas nos jardim do outono.
A madrugada sussurra no ouvido das fadas, as pedras despertam em aromas sutis...
E o que há? Há nada. Montanhas de nada preenchem o imenso vazio entre o poema e as mãos do poeta.
A poesia flutua na maciez do grande vácuo entre as palavras e os sentidos, os beijaflores não viram o por do sol, nem as gaivotas, nem o mar tampouco, a rainha adormeceu no coração da colméia, mas as abelhas são incansáveis em seu laborioso zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz..
Do alto, na ponta de cá da nossa gangorra de nuvem, observamos o pequeno Eros e sua irmãzinha Anteros brincam felizes entre as perfumadas macieiras do Éden...
Do lado de lá, pena fina na ponta da língua, o poeta na alma sorri. Porque tudo é incrível.
Ingredientes: Um poeta Um anjo Uma harpa Um canteiro Uma abelhinha Êxtase de flores Delírio floral
Coloca o anjinho tocando harpa no canteiro do jardim, põe flores, põe abelhinhas, põe aromas; - e a harpa do anjinho só tocando... Por último põe o poeta e o êxtase . Sirva com suco floral de lírios.
Quão suave é o néctar que bebo em vossa taça! Quão fluida e sutil sabe-me a essência de vossas uvas!
Embriaga-me o sabor de vossos versos, Líquido precioso transportando o calor Dos vossos pés Ao mais recôndito de meus átomos, À intimidade das minhas menores partículas E até mesmo no espaço entre elas.
Sinto a delicadeza do jade que reveste A vossa ânfora sublime Na poesia que dança na ponta de vossa língua
Salto dos sonhos para a real surpresa do dia que amanhece. Quem me daria asas para voar no azul sem fim de um dia assim?
Queria ser um pássaro de brancas penas, elevar-me acima das correntezas humanas, romper elos, ir além, mais adiante. Do alto contemplar a grande teia em movimento.
Quisera recolher o éter que se desprende das auroras num dia assim, de um dourado assim, riscar o espaço com o giz do poeta, e traçar uma nova curvatura para o sol,
Salto para a dureza do asfalto. Penso nos seringais que gemem sobre ele disfarçados de pneus.
Penso na Terra. E vejo o seu imenso úbere jorrando o leite negro que alimenta a grande teia esvaindo-se, anêmica... Quer queiramos quer não queiramos.
A noite colheu o meu corpo com suas mãos quentes e macias como quem colhe um cacho de uva pronto para ser degustado.
Ela me fez dormir em seus braços e me saboreou. Mastigou-me inteira, e eu nem senti.
Eu passaria a noite a sós com a tua lembrança mas, meus olhos estavam ausentes de mim. A noite me levou e eu nem vi.
Ao acordar, já não havia luar, as estrelas haviam se escondido. Só ficou a tua presença nenhuma macia e perfumada, enrolada nos lençóis de cetim da alcova do meu peito.
Piso nas areias movediças do pensamento, a princípio macias e perfumadas mas, à medida em que juntando se vão, tornam-se intermitentes,
Um zás! e o vórtice se faz, configura-se o buraco negro levando tudo de roldão. Abrem-se as comportas da mente e, ei-los, obscurecendo os caminhos, " náufrago de mim mesmo" já não vislumbro a estrada.
É um Deus nos acuda! Porteira por onde passou um boi Passa agora uma boiada. Oremos!
Foi um sonho. (ou teria sido um vislumbre do eterno?) O que num primeiro momento pareceu medonho, na tela onírica mostra o renascimento, primavera em pleno inverno.
Dureza carregar um morto nas costas. (Zaratustra que o diga) O tempo todo ali, invisível, Impedindo que prossigas, Tu, inerte, mercê do medo intangível.
Vida! Eterno sonhar! Sonha-se dormindo e estado de alerta, aqui, ali, além, em outros mundos que se vai penetrando, pois se pode entrar, a porta está sempre aberta.
Repousai, mártir do meu ser, Nossa alma agradece de coração por ter se lembrado de mim por ter se despedido, por tua compaixão.
Agora ide! descansai... Farei o melhor que puder e será como Deus quiser traduzir em arte a tua herança. Acreditai, eu tenho uma vida inteira Vede: eu ainda sou criança.
Em ti homenageio todos os poetas amigos da alma vivos e mortos.
"... palavras simples podem tocar grandes corações." (Renata Dias)
. A conexão das almas me emociona.
Procuro a palavra mágica, A palavra rara, pérola do poeta.
Observo...
No tela do poema vão surgindo metáforas (é o poeta pintando, verso a verso). Num zás! em humanos torna mitos imortais. E a percepção do cotidiano morno e tributável Ele dissolve na onipotência dos elementais.
-À simplicidade nua e crua das palavras, ide! (e dê-lhe pincéis, tintas, imaginação!) No alforje do poeta, leveza e lirismo, No coração, o trono macio da inspiração.
Ah, a inspiração!... (ela não é minha, não é tua, nem de ninguém) Inspiração vem do além, do poeta, o feito De cultivar as sementes dentro do peito.
Procuro a palavra mágica, Aquela que beira as margens do eterno, Que gosta de água. E é pura água Respira entre seixos e ninféias Junto aos papiros, algas e musgos Ela é só ternura Brinca com as tilápias Salta fora d`água se esfrega na areia espanta insetinhos beija as flores, o vento... Ah, aquela palavra ri muito Mas às vezes chora. Então fecha os olhos e reza. Até que ela vem... Até que ela chegue Silenciosa, amorosa... alma. E o milagre da multiplicação se renova. Primeiro torna as penas em poemas E depois do longo abraço Torna o poema em poesia.
. Quando meu ser humano fica vulnerável, quando do teu Amor sinto fome grito em silêncio o teu nome.
E tu vens Acodes às minhas súplicas. Fecho os olhos à humanidade, alongo os braços ao prana E em todas as formas te vejo, te abraço, te beijo.
És o ar que a natureza respira! Cálice de clorofila trans mutas em mel minha vã melancolia.
Sinto-me no céu! Sou poeta! Choro de alegria. Mas só me sinto completa quando me olhas mansamente nos olhos e me amas em tua cama de Poesia.
carmen
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Pedido
Estão aqui, pálidas e nuas São tuas Frias como mármore, lívidas como a morte Mãos, como querias, Vazias... Ajoelho-me diante do horizonte distante Rezo... Pra que as culpas não firam as asas Para que não doam as penitências Nem te rondem as recorrências. Ofereço-te meu oásis imaginário Molha teus pés... Perfuma tua renúncia com o óleo do meu pesar E ...dorme, poeta, repousa... Quando acordar, me ensina, Como ensinas aos meninos e meninas A arte de conjugar O verbo que dominas.
Quando acordei,
as flores ainda estavam
abraçadas às pétalas,
havia o orvalho
e as gotas translúcidas
eram de uma lucidez
absurda e inexplicável...
Os pássaros enlouquecidos
cantavam à tua delicadeza
de manhã dourada,
sinfonia de brisa
despertando os ninhos
adormecidos no colo das estrelas.
Como gosto de acordar em ti
quando tu passas, vento sul
pela minha nuca,
pelos fios de meus cabelos,
pelas flores da minha pele...
Sou o éter quando me sinto
abraçada por tua leveza,
que nem é humana,
é sopro carícia e prana,
elemental dos anjos
que me beija toda vez
em que abro os olhos e
minhas mãos se estendem
para o nada
em que tu brincas
de ser a ternura do ar
que eu respiro.
Minha lágrima é nada,
minha dor, performática,
o grito abafado na garganta é zero,
á esquerda, redondo e mal acabado
diante da agonia silenciosa da fome,
do calor, do frio, da sede,
das saídas, nenhuma.
Que é meu grito
diante do peito seco de milhares de mães,
do seu desespero diante da impossibilidade
de nutrir os filhos remanescentes do holocausto?
Que peito daria leite depois de terem arrancado dele
filho quase morto de fome
para matá-lo com requintes de crueldade?
Tem horas que nem sei o que vale a pena nessa vida,
se é mesmo o bastante a alma não ser pequena,
tem horas em que me sinto inútil,
me vejo dormindo de boca aberta,
horas que chorar nem melhora nem piora,
Apenas afunda-me mais rápido na cova rasa
da vergonha de ser um membro deste corpo
que está fazendo isso,
criando essa obscenidade, essa maldade,
dando as mãos à brutalidade,
e, pior que tudo, a indiferença...
Somos todos um...
Um só corpo, um só ser,
somos todos irmãos,
nosso lar é este planeta
que era para ser lindo,
e não há ninguém em casa.
Que me adianta ser poeta...
Que as águas continuem a descer
e a afogar meu desespero,
e que eu renasça amanhã, com fé,
porque neste instante eterno não sei o que fazer,
nem o que dizer
além de sofrer o silêncio e a distância,
a dor dos meus irmãos,
tão negros, tão brilhantes,
ônix divino entre nós,
e nós, nem aí...
Não sei o que fazer meu deus...
. Liga não... Sou um humano gozado, Entende nada, coitado, Coração, sempre na mão, Nem percebe a imensidão Do sentimento guardado, E o poema, tão delicado, É levado de roldão. Liga não...
Olha pra mim . Aceita esse verso novo - Fala a linguagem do povo, Uma flor que há tempos não vinha, E vem sem ervas daninhas, Não desenha abismo no céu, Ao contrário, escorre mel, É o céu no papel.
Olha só, ...esse sim...Vês?... A tela fica ensolarada A alma fica calada. Palavras flutuam no espaço sem fim. Mas cada letra da paisagem Traz oculta tua imagem, Que só revelas para mim. Então vejo. Vês?
Labaredas gigantes, salamandras infinitas tocam o céu, derretendo as nuvens sem fim que descem pelos meus olhos, dilúvio sobre mim, Nínive! inundação, lamaçal... Já não sou mais ser tão, mas não faz mal, quando a borrasca passar as flores germinarão.
Lá vem ele... Poeta de quinta dimensão... Mas a menina já sabe: Com um belo dum poema Ele arrasta o seu coração.
Ah, se ele fincasse os pés no chão!...
Por que esses versos tão doces, essa fala mansa e macia, por que se deitam tais letras meladas e perfumadas na rede da poesia?...
Ah, depois vem melancolia...
Tão bom falar de amor... Tão gostoso a dois voar... Todavia, olha o balde de água fria, O poeta vai embora, É um anjo, não pode ficar.
Ah, bem que ele gostaria...
carmen
quinta-feira, 12 de março de 2009
Conversando a sós comigo
Nem pensar! (é pensar, ... e eles aparecem) Se quer estar a sós Nem comece.
Pense bem! (é pensar, ... e estar ausente) Difícil é silenciar a atividade da mente. Pissss! Silêncio! Só ouça, Primeiro, ao longe, Agora, mais perto, Agora, por dentro.
O processo é lento. É pra gente tinhosa.
Pra chegar á flor de ouro Só se adentrar o salão de jade Todo vestido de rosa.
O jardim (me) (em) Chama s?. Delírio deve ser beijar a flor, êxtase de beijaflor, o canteiro inteiro arde e nem é meio de tarde, tão cedo, e o sol já queima assim, tão cortante. Rasga meu peito de fora a fora como esse amor que chegou ficou não vai embora. Semen tes irrompem de dentro de mim. Uma rosa, quase nada, e já estou aqui, encantada, roseiral em flor por todo o corpo, A noite toda perfumada...
Nem lua Nem cigarras Nem orvalho. A madrugada adentra Penetrando os sonhos Ocultos na aridez das folhagens. Nem o calor do Etna, Nem o Vesúvio, Nem Roma em chamas, Rios de fogo Correm em seu leito. O mundo inteiro arde. O muro que separava os jardins Está desfeito. O vermelho manchou o papel do poema, As letras, qual labaredas imensas, Elevam-se em meio à fumaça Ah esse desejo que não passa... Agora não tem mais jeito, O poeta ativou Um vulcão dentro do peito.
O poeta se cansou. O sábio já foi dormir há horas. De quem é este corpo que se arrasta carregando um poeta sonolento? (Não pode deixá-lo dormindo ao relento quando lhe espera a alcova sedosa lençóis com perfume de rosas sonhos deliciosos e saboreáveis, ah, que é para lá que vai tão logo resolva o problema: colocar o poeta para dormir, e por ponto final no poema.
Creio em tua boca, creio em teus lábios, tuas mãos, teu corpo, creio em meus seios, creio no teu desejo, no olhar quente de paixão.
Creio no fogo, na terra na água no céu e nas estrelas que queimam dentro da minha boca; creio no canteiro de lírios, e em tua voz aveludada e rouca.
Creio no martírio, na dureza do aço, na frieza do mármore, e nos di amantes emergindo do carbono. Creio que um belo dia o poeta hiberna, Creio na poesia eterna. Amem.
Perfeição talvez seja olhar permitindo-se ver a verdadeira feição, o objeto da visão mostrando-se como é, sem precisar pensá-lo… Pensar talvez seja estar adormecido enquanto se contempla…
O saara se faz presente, A tarde arde inclemente. Contemplo a rubra rosa qual beijaflor inocente, vejo-a terna e formosa, - o que será que ela sente?
Talvez sinta o mesmo calor, mesma lava ardente correndo em artérias vasos e veias. Saberá minha intenção, lerá meu amor nos poemas que teço qual aranha tecendo a teia com fios do coração?
Toma, pequena, Com apenas um copo de água viva faço chover sobre as pétalas macias, te cubro com meu olhar mais doce, te encanto, te faço sorrir. Mas só te levo comigo se quiseres vir.
Querida amiga,Carmen! Conforme autorização abaixo expressa vou homenagear 10 blogues, um deles o teu: Estou deixando o singelo prêmio a baixo, que o Portal Antônio Poeta optou por me oferecer, para que o poste em seu (s) Blog (s)-Site (s), se assim julgar conveniente. Essa iniciativa de reconhecimento ao teu trabalho, está fundamentada nos princípios; critérios da eficiência no tocante a harmonia do designer e do lirismo do conteúdo do seu Blog/Site. Outrossim, ficas tu autorizada a repassá-lo a outros dez Espaços Web’s de sua escolha, óbvio, que baseado nos mesmos critérios, que tal prêmio te foi conferido.
Quisera poder parar o relógio do Instante, Cristalizar sentimentos e emoções desta hora, Torná-los em rocha, dura, rígida, imóvel, milenar, E nela esculpir a rosa dos ventos para ti dar.
Quisera... Mas o vento sopra, levanta folhas do chão, ... ah, eu sei, novos sentimentos virão e serão ainda mais sutis e delirantes! Respiro fundo e digo a mim mesma: poeta, avante!
Fixo o olhar no horizonte: - onde andarão agora aquelas montanhas brancas, macias e suspirantes que me encantavam há instantes?
Vejo dragões e renas puxando trenós no infinito. Pisco os olhos, e lá já não estão – que me dirá meu coração? - Jamais vi um azul de céu tão bonito... carmen