quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009

Tela Communion, by Robert Hardgrave, captada em um dos melhores blogs que tive a honra
de visitar: En El Camino...
Penso.
E a rua fica comprida,
o horizonte, distante.
Penso,
E o abismo vai se criando
Enquanto ando.
Penso.
E na névoa, há dores,
Fora dela, as cores.
Penso.
E o pintor se atira
Ao abismo dos pincéis.
Não penso.
E o pensar me esquece
Pra que o poema se expresse
Entrego-me.
E a tela em branco, abismo profundo,
Traz-me de volta ao meu mundo.
Carmen Regina, by Smírama
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
ASSIM COMO É

ASSIM SEJA!
É para ser um belo poema este dia.
Peço licença para o ler em voz alta.
E que os pássaros ouçam,
as flores exalem seus perfumes,
os rebanhos silenciem
e, além das cortinas, se o possa ler.
Seja este poema bordado com fios de sonhos,
e os sonhos, ternos e infinitos,
as dores, leves e breves.
Que a clave do Sol seja desenhada
na pauta dourada do coração do poeta,
e se possa ouvir, assim,
a melodia da Terra do Sem Fim.
Semíramis, by Carmen Regina
terça-feira, 3 de novembro de 2009
na alcova do teu peito

imagem de autor desconhecido
ALCOVA
A noite colheu meu corpo com mãos macias,
como quem colhe um cacho de uvas para o degustar.
Ela adormeceu-me em seus braços, mastigou-me,
saboreou-me, engoliu-me, e eu nem senti.
Eu passaria a noite a sós com tua lembrança mas,
meus olhos estavam ausentes de mim.
Ao acordar, já não havia estrelas, nem luar,
apenas a tua presença nenhuma, macia e perfumada.
Fechei os olhos e permaneci no leito, enrolada
nos lençóis de cetim da alcova do teu peito.
Carmen Regina
o retrato dela...
O MURAL
Pelo olho de vidro pode ver:
os mesmos papéis,
os mesmos recibos
as mesmas anotações;
os mesmo alfinetes
contemplando o saber
rigorosamente encapado,
em tomos, lado a lado.
Mas a imagem dela,
símbolo da anunciação de posse,
já não estava lá.
Havia um aroma desconhecido
circulando nos aposentos.
Isso pode sentir
na voz do ser amado.
A rosa, antes viçosa, murchou,
o perfume de lírios evaporou.
E o que era encanto tornou-se
um mar, frio e distante.
Samara Lamat
Das efígies

DAS EFÍGIES
Uma realidade se desenha por detrás
da cortina dos pensamentos.
Efígies se movimentam no mundo mental.
Gente, casas, cidades, árvores,
Ilusões de sentimentos dão as mãos a
montanhas, areia e mar, navios e sereias,
bichos e flores, nasceres e pores do sol
imaginários
ocupam seus lugares na paisagem do irreal.
Nenhum vento..nenhuma brisa...
Silêncio a perder-se de vista.
Uma lápide se ergue do chão dos desejos.
O poeta se levanta vestido de alma.
Milhões de versos adormecidos
aos pés de anelos subnutridos
vazam por entre os dedos de suas mãos.
Uma procissão de sonhos
acompanha o enterro do poema.
Velas acesas, terços, avemarias, mantras.
Carpideiras enlutadas acendem incenso,
ornamentam o chão com corbélias e
pétalas de flores...
O poeta flutua ...
O cortejo dança.
Nas dobras da dimensão se insinua
um lugar solitário na história.
Que dirá meu coração...
Nenhuma lágrima.
Nenhuma lamentação.
Della Saura
Calor saárico

breve estará no Oriente.
Entocado no túnel venoso,
o sangue ferve,
- não há tatu que aguente!
A pele do poeta se incendeia,
quase se ouve o crepitar das chamas.
O ar, caldeira a 40 graus,
e pelo corpo todo, é só lava
que se derrama.
Das flores, só posso dizer: Frescor!
Das flamboyants:Frescura!
Do poema, posso dizer: Sem dor!
Da poesia: Sem ardor,
Das feridas do poeta: Têm cura.
Samara Lamat by Carmen Regina
ROSEIRA
ROSEIRAOuvir-te e ouvir-te e ouvir-te,
Até que o que eu sou se revele no silêncio
da tua prosa;
até que as montanhas se dissolvam e se possa,
enfim, tocar a textura ímpar da rosa.
Ouvir-te, ouvir-te e ouvir-te,
e ouvir ao vale em seu ecoar infindável;
até que se revelem as palavras sequiosas
das ninfas que se deitam nas páginas do rei,
e se possa ler o que eu ainda não sei.
Ouvir-te, ouvir-te e jamais tocar-te,
por mãos não possuir, e por nada ser além
do que se molda na argila do teu tempo,
que tanto cria obras de arte como cria
meus sonhos, anelos e poesia.
Todavia, sou feita de fogo, éter e ternura,
as bitolas se derretem, os moldes se dissipam,
a ternura vaza por entre os dedos do oleiro,
tomba ao chão e se vai juntar, singular e faceira,
aos pés da eterna roseira,
Smírama by Carmen Regina
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Amanhecer de fada
Aqui é sempre assim,
as madrugadas rendeiras tecem o amanhecer
na relva fresca dos jardins.
Por ora, nada a fazer,
espera para ver como é lindo o alvorecer...
Fadas e gnomos brincam nas gotas cristalinas,
cascatas preciosas, deitam beijos de orvalho
nas folhas úmidas das manhãs.)
Pouco a pouco chegam seus amores,
borboletas, bem-te-vis, beija-flores...
Não abra os olhos ainda,
sinta o aroma de fada perfumando
o adormecer da madrugada
Com seu encanto inquebrantável,
inesquecível, inefável.
Hoje é dia de festa entre os elementais.
Sentiram teu perfume.
Não o esquecerão jamais.
Carmen Regina
terça-feira, 13 de outubro de 2009

FAÇO CHOVER
Vira e mexe, faço chover.
É colocar o olhar
sobre uma certa flor,
um certo pássaro,
uma pedra,
um tapete de flores no chão,
um bezerro mamando;
os porquinhos, tão cor de rosa,
socados no caminhão da Sadia,
as galinhas engaioladas indo
para a morte na Perdigão,
A lavoura fazendo de conta
que é verde esperança,
dourado saudável nos trigais
encharcados de veneno.
Chuva forte.
Ah, o Mar morto transborda
ao meu redor.
Choro e chovo.
Tempestade é ver criança
pedindo comida,
esmolando ternura,
-a Terra vira oceano.
Sou trovoada quando vejo
Aspartame na mesa
Monsanto à mão.
Um poema me comove.
se me faz saltar
a barreira do sentimentalismo
humano. Vão.
Senão, não,
prefiro ler o pasto,
o prato dos gatos,
e as andorinhas que eles
cobiçam.
Prefiro a poesia
da carroça do lixo reciclável
e seus nobres poetas puxadores.
Della Saura, by Carmen Regina
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
NEM PRECISA...

NEM PRECISA
Nem precisava palavras,
de repente só um sorriso teu,
um suave farfalhar de asas.
Distâncias nos separam,
todavia, como explicar-te assim
dentro de mim?
Sentes?
Eu adoro esse teu perfume
(louco)
de jasmim.
Nem precisa palavras, sabe...
Só um sorriso teu,
e já me pego no céu,
Em chamas,
já sinto a terra macia sob os pés,
qual capucho de algodão.
Carmen Regina - Imagem: site olhares aeiou
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Flor & Dor
Fez-se rubra, doce e macia.
Como a Poesia que as Rosas comem,
E que os Beija flores assopram – fúúúúúú!...
Chove Ternura em pétalas brancas, leveza de nuvem
Flutuando sobre os canteiros de lírios,
Alvas bocas abertas ao orvalho frio,
À garoa sem fim que cobre
O desassossego.
Fez-se em Dor.
E se deitou com o poeta na alma.
Carmen Regina
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Sole mio...
Meu SolSim, que és minha estrela,
Então...
Vem!
Ou ensina-me a te alcançar.
Não sei caminhar sozinha,
O designio, ao acaso, é quem me leva
Aonde quero chegar.
És minha estrela Polar.
Mostra-me as pegadas dos astros,
Nossos irmãos e irmãs
Que correm com galáxias
Enquanto corremos com lobos.
Vem, meu Irmão,
Ilumina meu ser
com o sol imanente do teu coração,
Mostra-me o álbum de sensações,
Revela-me o que contemplas quando brincas
Com tuas Argênteas irmãs...
Sim, tu és a minha estrela,
E por assim ser,
Vem!
Entra pela minha boca agora,
E brilha para sempre
No mais alto céu,
Fonte de todos os sentidos,
Sede de todos os desejos.
Carmen Regina
sábado, 1 de agosto de 2009
Das Plêiades sussurram...
INS PIRAÇÃOMiro em ti, Espelho do Lago, e verto-me em poesia;
ser diferente nem poderia, das Plêiades sussurram os irmãos,
do mais alto céu contempla-nos a Sabedoria.
Da ponta de abismo que o Poeta na Alma escolheu
para assentar seu poema, contemplo a seara, imensa...
Tu na enxada, eu no arado. As sementes caem do céu.
Tudo mais, diz o Poetaanjo: - é água.
Tudo mais, diz Poesia: - é mel.
Carmen Regina
quinta-feira, 23 de julho de 2009
PRO FUNDO
PRO FUNDO
Velho poço.
Velho poeta.
Profundeza abissal.
Mergulho vertical.
O poeta chora
na descida,
qual manivela,
trazendo a água
Do fundo do poço,
melhor momento
da escalada
do ser.
Assim nascem os bebês:
firmam os pés em algo sólido,
lá dentro,
e impulsionam-se
na direção da luz.
O poema se ilumina.
Do mergulho
profundo
re nasce o poeta.
Carmen Regina
A JHS, Poeta do Re nas Ser
quarta-feira, 22 de julho de 2009
No colo da Mãe...
Nas asas da alma
Noite a dentro, minha alma adentra
dimensões desconhecidas,
à procura de ti.
Suas asas me levam ao teu encontro.
Encontraremos o caminho?
Temo.
Tremo de ansiedade, gemo de vontade
de te encontrar.
Era tão mais fácil seguir a costa,
mar a fora, voando sobre a orla,
seria fácil te achar.
Mas ela insiste: nem é por ali,
onde a lua engoliu o sol
e os humanos ficaram vulneráveis.
Está em outro lugar,
lá, onde os deuses aboliram a dor
por não precisarem dela.
É lá que das dores se refaz,
no colo da Mãe, em paz,
pediu tanto para estar com ela...
Passei a noite a procurar.
Sem encontrar.
O dia nasceu.
A bordo de suas asas atravesso esse dia
procurando em todas as dimensões
onde se escondeu
minha doce poesia.
Carmen Regina
terça-feira, 21 de julho de 2009
Flauta de Eros
A flauta do amorEra dentro de si que ele estava.
O tempo todo ali,
flauta invisível, sutil melodia,
o tempo todo tocando dentro de si.
Era a canção predileta dos deuses,
todavia, não se a ouvia,
seus ouvidos voltavam-se para fora.
Lá, ele não estava, fora, ele se perdia.
Vagou por ermos inomináveis,
Dormiu no colo dos sentidos febris,
queria tudo, e tudo era nada...
Perdeu-se na estrada, e agora, retorna,
poesia na ponta da língua,
poeta na alma, como sempre o quis.
Carmen Regina
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A noite ser
A Noite serOs sinos tocam na janela.
O vento é o maestro.
O mantra das partículas ecoa no éter.
Grilos e cigarras ensurdecem o ar .
Os quero-queros gritam.
Os gatos se recolhem.
Os bemtevis se calam.
O poema anoitece.
Beijaflores, meus amores
Sonham nos veios do papel.
As abelhas destilam mel.
E o poeta adormece
Nos meus seios.
Carmen Regina
A noite é um jardim de lírios...
foto by googleA noite é uma criança
acesa, sem sono, bem acordada;
pelo jeito vai virar a madrugada...
[por que os grilos gritam assim?]
Ela não dorme, vira, revira, chora,
eu, cãozinho sem dono, sou descolado,
vou procurar um lugar quentinho,
[bem do teu lado...]
Que belo jardim!
Aconchego de ninho.
Relva delicada, macia, perfumada...
[de onde vem esse aroma?...]
Marquei o lugar para mim.
Jardim tem dono?
Se tiver, venho pé por pé
[na calada da noite...]
Me arrasto pela grama, fecho os olhos,
e que o manto da noite desça
todo bordado de luas e estrelas,
[...e pode ser que você venha]
Tão bom sonhar,
olhar as estrelas, a galáxia,
os vagalumes, o luar...
Carmen Regina
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Ver...
VerAbro-me.
E sou milhões
de peitos abertos,
legiões de corações
palpitando.
Observo...
Milhões de olhos
se abrem
dentro e fora
de mim,
Beleza e Poesia
passeiam
de mãos dadas
com a alma.
As pupilas, jardineiras,
semeiam Amor
no espaço
entre os abraços.
Jamais vi Ternura assim.
O poeta está maravilhado.
O Poema germina
na pauta branca
do infinito.
carmen
domingo, 5 de julho de 2009
aranha armando a teia
—Um dos inconvenientes da solidão: ela tudo exagera,
ela nos entrega às borboletas azuis.
Vae soli!
Urge fortificar-se com as pessoas de coração,
com os homens do dever,
com os seres exemplares,
com as belas almas.
Johonn Scheffler, poeta místico, chamado Angelus Silesius. 1624 - 1677
Pobre anjo
Era um anjo,
Até começar a beber
na taça dos mortais.
Agora cultiva ervas daninhas,
e se espalha...
Agora destila sua própria sicuta.
Não sabe o mal que se faz.
Pobre anjo...
Não resistiu ao chão movediço
de suas próprias re criações.
A alma apagou a luz
e ele dormiu.
Ainda dorme, pobre anjo...
Enquanto dorme
nutre fantasias,
re cria ilusões.
Já não sabe estar sozinho.
Só, alimenta fantasmas.
O anjo agora é multidões.
carmen
sábado, 27 de junho de 2009
alma

Não fosse ela...
Não fosse o zumbido do éter,
o aroma das rosas esquecidas,
o ronco do navio, plenilúnio,
estrelas riscando o céu...
O silêncio se faria .
E se navegaria esse instante
como num oceano de mel .
Não fosse o vento sorrateiro
soprando o tempo inteiro,
(desmanchando
meus castelos de areia)
quem avivaria a chama
que me incendeia?
Penso em ti.
Tua lembrança me faz suspirar.
Mil poesias dormem
na ponta da língua.
Mas minha alma se levanta
para ti buscar...
carmen
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Ó Mâe Divina
Ó, minha Mãe,
Faça de nós filhos amorosos teus.
Põe tua doçura em nosso olhar,
Tua ternura em nossos braços,
Em nossos ouvidos o teu dom de escutar.
Cubra-nos, ó Mãe, com teu manto de estrelas,
E derrama sobre nós o teu leite divino,
Pois somos ainda muito pequenos
E estamos friorentos e famintos.
E quando já formos Homens, Mãe,
Dá-nos de beber da tua taça de maravilhas,
Leva-nos para dentro do teu castelo de jade
E revela-nos a imortalidade.
Carmen.
terça-feira, 23 de junho de 2009
palavras
Tem dias que
As palavras me sufocam...
Não as tuas,
Vida entrando pelos meus olhos,
Escorrendo,
Doce, tranqüila,
Fresca, cristalina, macia...
Água viva da fonte,
Belas
Caem sobre mim
Como a paz
Cobrindo o limo das pedras...
- ...Que seria das margens, das flores, da paisagem...?
Aprisionam...
Não teus versos,
Deles sou devota, fiel, pedinte, suplicante....
Cativa, apaixonada, amante...
“Poesia fazendo amor com as palavras...”
Nudez explícita,
Mistérios, ardência, ternura,
Toque divino em letras de veludo...
Sou escrava, entrego-me,
Sem reservas, sem defesa, sem escudo,
Vulnerável
Tamanha beleza...
...Impossível deter a correnteza,
Devaneios de poeta me invadem...
Sou de novo criança,
Quero brincar na sombra das tuas palavras
Dormir sobre teus papéis,
Abraçar teus dedos...
Canta pra mim teus segredos
Enquanto minhas mãos deslizam nos teus cabelos
adormecendo todas essas formas que criaste
Para dizer...
O que...?
- Quem moveria teus lábios agora...?
carmen
segunda-feira, 22 de junho de 2009
flor
Imagem: pintura by Luiza Caetano, poetiza portuguesa emtemporada de lançamento do seu último livro no Brasil
Observo-a
bela
flor
E me crio aquário
me invento peixe
por fim torno-me água
me esparramo a seus pés
apenas a sentir-lhe
a força da raiz
e o aroma inefável
como névoa
caindo
sobre mim
feito orvalho
da manhã.
carmen
domingo, 21 de junho de 2009
sonhos versos dispersos
imagem by orkutEra sonho
até tornar-se verso.
Eram versos
até virarem carícias.
Era distante
até tornar-se tão perto...
Um simples piscar de olhos
movimentando oceanos.
Um ponto de interrogação e,
dispara meu coração
Um ponto final e,
de novo os passarinhos,
de novo a exclamação!
Uma reticência...
e novamente a inocência
recomeça a adoração,
umas poucas palavras
e já me vem um novo dia
todo ele
virado em poesia.
carmen
Nada como ter passado
alguns milênios
sobrevoando as pirâmides,
pisando as areias
ao redor dos mistérios,
velando o sono das múmias...
Ficou fácil desembrulhar
o bombom dos enigmas...
carmen
hortênsias no céu
sexta-feira, 19 de junho de 2009
beiju
tela de KlintO poeta se cansou.
O sábio já foi dormir faz tempo.
De quem é este corpo que se arrasta
carregando um poeta sonolento?
(Não pode deixá-lo ao relento
quando o espera a alcova sedosa
lençóis com perfume de rosas
sonhos deliciosos e saboreáveis...)
Ah, que é para lá que vai
tão logo resolva o problema:
por o poeta para dormir,
e colocar o ponto final no poema.
carmen
Eu tu ele Nós, a Influência

foto by Joder & Ivete Tonin
A fotografia
Ela olhava olhava, e pensava: - sou eu mesma?
Não parece...
Vira e mexe, olhava.
E assim o tempo passava,
Uma semana, duas, três...
Na quarta decidiu:
- vou colocá-la ali,
e ver o que acontece.
Vieram os amigos,
e notaram:
- Bela foto, - Você está linda, - Você isso e aquilo...
Gostaram...
Hum...
A princípio não gostou,
mas agora mudou.
Agora já se vê com “outros” olhos.
carmen
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O amor re nasce...
O amor re nasce
O amor é um tambor pequenino,
Um brinquedo do menino, esse deus
que me olha sereno de dentro dos meus sonhos
e me sorri, porque tudo é um sonho,
e nada é para sempre.
Ele é o estado de graça
que faz as deusas serem belas,
é o aroma que as faz perfumadas e meigas.
Ele povoa seus pensamentos e sensações
com poesias que só às deusas são ofertadas.
Ele as atrai como o mel atrai as abelhas,
ele fascina suas almas meninas
e as leva para brincar ao pé do riacho
que nasce na fonte do seu coração
e corre sem fim dentro de tudo que existe.
O amor nunca morre e, no entanto,
re nasce todos os dias,
no mesmo instante em que o sol irrompe,
os pássaros se põem a cantar
e as fadinhas se levantam para dançar
sobre as gotas de orvalho .
Quando a alma desponta no horizonte do poeta,
ele é o dourado que a tudo permeia,
é a melodia tocando suave a natureza das coisas .
O amor re nasce
toda vez que o poeta abre as asas
e suas mãos se põem a extrair poesia macia
das pedras mais duras,
tornando-as quais bolhas cintilantes e diáfanas,
só para circundarem os corpos das deusas
quando o inspira a poesia.
Das ondinas, meigas ondas pequeninas,
ele fez um xale e colocou em seus ombros
só para vê-las chorar
quando o tambor de Shiva pára de tocar,
e o poeta adormece,
e a poesia hiberna,
e a primavera desaparece..
Tempos depois o menino deus poeta volta a tocar.
E o amor ressurge das chuvas,
E re nascem as deusas,
as flores, os perfumes, as estrelas do céu,
a alma da natureza re nasce,
e a poesia diz o primeiro verso de amor
na boca do poeta.
carmen
carmen
terça-feira, 16 de junho de 2009
é hora de partir...

Meu coração é um sol
Meu peito, um porto,
E meus braços, milhões de braços de mar.
Qual navio carregado de ternura
Espero pelos pássaros do amanhecer
Para partirmos juntos
Rumo às paragens do Ser.
Seja essa neblina, esse fog, essa garoa,
A névoa fabulosa que anuncia o novo dia
Na terra abençoada da Vera Cruz.
Seja o madeiro horizontal, o saber,
E o madeiro vertical o fazer acontecer
A tão anelada luz.
Giro em torno do meu próprio coração
E as abelhas são incansáveis em seu eterno
Zzzzzzzzzzz.....
Há mel para a humanidade inteira
na colméia da Poesia.
carmen
sábado, 13 de junho de 2009
Saudadis do mestre...
TESTAMENTO
mamífero,
no pleno gozo das
minhas faculdades,
descendente dos peixes
e de um homem sábio,
declaro
para todos os fins de direito,
que deixo como herança
para a amada,
várias constelações
no lado direito da Via Láctea,
conforme mapas astronáuticos.
Declaro ainda ser possuidor
de alguns ventos da madrugada
e de várias ondas na praia descrita
no documento anexo,
com amostras da areia
e uma estrela fossilizada.
Outras propriedades não citadas,
deixo para o cartório distribuir
aos autores dos melhores versos,
nas próximas temporadas.
A vasilha hermética junto,
deverá conter a alma,
incinerada para distribuição gratuita
entre os pássaros e abelhas.
Desejo a todos um bom dia
e a mesma noite de plenilúnio
riscada por meteoros erráticos.
Firma reconhecida
e o labirinto digital da minha vida
debaixo do último verso.
assinado:
ANDRÉ CARNEIRO
poesia de JHS
A poesia eleva
os mais profundos sentimentos
da alma
à consciência dos dias
feitos de versos
tecidos com fios de luz.
A poesia
é dos poetas
que de tão vivos
sabem eternizar o canto
e o belo
de todas as palavras
de todos os Eus.
A poesia
não tem razão
tem sabedoria.
jhs
José Heitor Santiago
sexta-feira, 12 de junho de 2009
o que há...

O que há,
O que há, poeta das doces palavras,
infiltrado no recheio dos teus versos,
que desce em torrentes por minha garganta,
entra-me na corrente sanguínea
e me põe assim, nua, mínima e vulnerável ?
Qual avalanche de pulsar inexplicável,
derramas sobre o meu olhar tuas rimas macias,
desmanchas meus castelos de areia,
tornas em pó meus ídolos reluzentes,
sem sentidos minha poesia.
Ah, poeta da inspiração inesperada,
Olha dentro dos meus olhos e me diz:
- O que há na consistência sutil do teu poema,
o que há, poeta dos dourados anelos
que me inebria a alma e,
num instante que me sabe eterno,
já nem sei quem sou?
Mergulho em teu poema.
E afogo-me em minhas próprias águas turbulentas.
Eram sem sal, até que me viesses, em ondas,
ora com gaivotas brancas em céu azul,
ora em procela do fim do mundo...
carmen
imagem by Miggs 69 - site Devian Art
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O mistério da rosa
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Diva...

Diva
Deusa, divindade, deidade, amor supremo...
A teus pés dobram-se todos os poemas.
São para ti os cânticos de todos os poetas.
É a ti que dirijo, ora palavras ralas, ora doce louvor,
E em teus ouvidos sopro os meus versos de amor.
Teus cabelos voam à brisa de milhões de anelos,
E em teu colo deitam-se os tesouros do coração.
Poesia escorre, qual chuva de prata, pelas tuas mãos
E as mais belas rimas ardem em tuas pupilas .
De ti espero apenas o olhar amoroso ao amanhecer,
E os uivos da loba ao anoitecer.
Na madrugada, nada...
Além do canto inebriante
da sereia...
carmen
domingo, 7 de junho de 2009

Recebi o selo “Vale a pena acompanhar este blog!”
de Dolores Jardim.
O selo violeta é premio e representa, segundo os seus criadores,
"as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente".
Ele é dado àqueles blogues que têm algumas das sensações da cor violeta, a saber:
magia, encantamento, graciosidade, magnetismo e tudo aquilo que parece mágico.
sábado, 6 de junho de 2009
Não tenho descanso...
imagem by Nicolas Roerich
"Não tenho descanso. Tenho sede de infinito.
Minha alma desfalecente aspira aos remotos desconhecidos.
Grande além!
Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!
Esqueço, esqueço sempre que não tenho asas para voar,
que vivo eternamente preso à terra.
A minha alma arde e o meu sono foge.
Sou um estrangeiro num país estranho.
Tu murmuras ao meu ouvido uma esperança impossível.
O meu coração conhece a tua voz como se fosse a sua própria voz.
Grande desconhecido!
Ah o canto dolorido da tua flauta chamando!
Esqueço, esqueço sempre que não tenho o corcel alado.
Não consigo encontrar o sossego,
sou um estrangeiro em meu próprio coração.
Nas brumas batidas de sol das horas lânguidas
que imensa visão de ti me aparece contra o azul do céu!
Grande irreconhecível!
Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!
Esqueço, esqueço sempre que na casa em que habito sozinho,
todas as grades estão fechadas."
Rabindranth Tagore
la vem o poeta
In corporis são
Imagem by Motherhood site Devian ArtIn corpo ração
Subo a montanha e
Lá estão, a relva, o vale,
Esmeraldas e jades de todos os tons...
Tão suave viver, tudo tão bom,
Mas agora não,
Agora a paisagem é desafiante,
Há perigos pela frente,
Abismos insondáveis sobrevirão.
Mas agora não,
Inefável aroma movimenta-se no ar.
O vazio respira.
O desconhecido ronda.
O fogo se propaga no éter:
In cand escência.
Algo vem do além.
O espírito do pássaro desce ao chão,
Algo chega ao ser.
Duas asas gemem de prazer.
Poeta e Pássaro:
Somos um.
In corporis são.
carmen
terça-feira, 2 de junho de 2009
à poesia que fotografa com seu olhar de fada...
Queria tocar-te assim,
deitada
na relva de cetim,
Coberta de pétalas
perfumadas
manto cobrindo o chão
dos meus desejos
sem fim.
Queria tocar-te levemente,
como quem toca um véu delicado
que se esgarça lentamente
no sopro da brisa.
Queria cantar-te uma canção singela,
mas a voz me escapa,
foge-me o ritmo ...
Como poderia cantar-te
se és o sublime dos versos,
se és a melodia da canção mais bela,
se és a própria alma da poesia
penetrando meus labirintos,
silenciando-me,
nutrindo-me de paz
e poesia?...
Ah, Poesia...
Eu, poeta, sou qualquer coisa incompleta
quando comigo
tu
não estás.
carmen
quinta-feira, 28 de maio de 2009
amar você
Te amar
Adorar é muito mais que amar,
Adorar é ter você num altar
Te cantar, te louvar...
Te oferecer flores...
Toda hora, todo dia...
Deitar com você e te amar.
Beijar, beijar, beijar, beijar,
Acender todas as estrelas do teu céu...
Sentir teu perfume, tua vibração
Toda hora todo dia
O mundo virado em poesia...
Um beijo, uma poesia, mais um beijo,
Mais uma poesia...
Milhões de beijos...
Carmen.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Revolução venusiana à vista...

imagem by site fotográfico olharesaeiou
Sol em Vênus
Quando a estrela Dalva surgir no céu
uma outra página se abrirá
ao poema sem fim.
Nova poesia irá nascer .
No momento, parto,
parto-me, e voo, em pedaços,*
desfolho-me em pleno ar,
ou me deixo submergir
nas águas que correm
cá, dentro de mim.
O poeta não sabe escrever.
Muito menos o sábio.
Chamem-se as crianças,
Deem-se-lhes papel, lápis de cor,
giz de cera, guache e pincel
Convocai as fadas e os anjos
E esse bardo de lama e névoa
Há de virar o próprio céu.
Aguardo, as contra ações são inevitáveis ...
carmen
* Ao Teatro Mágico...
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Ao sol, poeta...
Eis que pouso no galho de vossa figueira celestialpara melhor apreciar Netuno, lá longe, mar a dentro, sereias ao redor....
Tridente na mão, ilusões caminham sobre as águas, partem em direção ao poeta,
que as vai tocando e torneando em seus sentires e pulsares que, ao final,
se debruçam no papel e viram palavras ao léu.
Mas ao poema não são mirações, são
Presságios
Minha alma salta pela janela.
Estreito os olhos e vejo um punhado de lembranças
revolvendo-se nas areias ao pé do mar.
Um sonho...
Antes, era um deserto pulsante,
Agora sou vazante.
Quando se verá o vôo do pássaro na imensidão do céu?
Ouço vozes, sons interpenetrantes.
E meu sentir vai ganhando forma e substância .
Assisto cenas antigas e recentes que se misturam
e se entrelaçam, qual aranha tecendo a teia,
no limiar da imaginação.
Deja-vu de poeta?
Pressinto que ainda se verão essas cenas nas asas do pássaro,
lá do alto...
carmen.
domingo, 17 de maio de 2009
mestre...
Mestre, meu Mestre querido,
Meu herói das aventuras de eu menina...
Sois o corcel dourado que galopo feliz nas campinas
que se abrem infinitas aos meus olhos sedentos de aventuras.
Temo magoar-vos com meus caprichos.
E se vos acaricio os pés é mais para sentir a carícia
de vossa pele delicada, tão doce aos lábios,
que por reverência ao sábio que vos habita.
E se vos alcanço os joelhos com minhas mãos
é porque sinto que o vosso coração me chama,
e se ouso mirar os vossos olhos
é porque minha boca deseja guardar segredos
junto às estrelas do vosso céu.
Mestre, meu mestre...
permiti que eu toque vossos cabelos,
tão macios, tão perfumados, canteiro de lírio a céu aberto.
deixai-me sentir o êxtase das pequeninas bolhas de éter
que dançam no ar que respirais.
E eu cantarei para vós a canção que as musas me ensinaram.
E se me levardes ao vosso colo e soprardes levemente a minha testa
eu colocarei em vossa boca os beijos doces que recebi de Eros.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
entrelaços...

Procuro a fita de seda
que há pouco bailava
ao sabor do vento
no vazio douroazulado
que sobe do chão
e encosta no céu.
Alguém a viu?
Com ela farei um laço
gracioso
para enfeitar o presente,
que fica sem graça
sem laços e fitas,
sem o brilho do papel.
Pensa num presente
emocionante,
daqueles que se abre devagar
e se vai saboreando,
do desenlaçar dos nós
do laço,
o cuidadoso abrir,
mãos ansiosas,
o pacote,
ao êxtase de tocar
a pérola preciosa
do instante.
Se vires minha fita
vagando pelo teu céu,
recolha-a e guarde-a,
não a deixe flutuar
ao léu,
por favor...
Não imaginas a doçura
de emoções
que ela faz
(res) suscitar.
Pensa num laço feito com amor...
carmen
segunda-feira, 11 de maio de 2009
da série Quem sou eu
imagem by Newill Wyeth
Outono é Amor
remix
Somos como as árvores,
Juntamos folhas e flores nas ramas.
Um belo dia outono vem
e seca-nos, indiferente.
As folhas e as flores caem.
Vão ao chão nossas fátuas chamas.
Mas algo fica, elas, sempre elas,
as sementes.
Ó Terra das delicias
a ser cultivada com amor, adubada com carícias...
Mas, ah, vive-se distraído,
o sono que não sabemos nos separa,
o medo (que, ó, sim, temos), nos fragiliza,
Estamos vulneráveis.
E o presente que ganhamos nos é roubado.
Esquecidos da vida deixamos escapulir a jóia mais preciosa
do tesouro: o anel divino do instante.
Gritam as cigarras:
despertai poetas despertai despertai.
carmen
um dia despertarei
domingo, 10 de maio de 2009
plenilunio eterno
ao poeta recém nascido
Agora que foste dado à luz,
Já podes sentir a singularidade do teu ser.
Agora louvarás tua própria essência.
És rei absoluto dos teus pulsares.
Tuas vestes reais são invisíveis aos olhares
acorrentados e aprisionados
por pré conceitos ancestrais.
Agora nasceste.
Infinita é a tela em que pintarás
o novo mundo,
Milhões de arcos-iris se derramarão
em cores sobre a tua obra prima.
Nunca se viu paisagem magnífica assim
na terra do sem fim...
Mas por enquanto, dorme e sonha-a
É Poesia quem balança o teu berço.
carmen
imagem by google
passaros...

Imagem by Edmund Dulac
Que nosso ouvir e falar
sejam sempre em uníssono
com os pássaros diVinos...
Voemos, meu irmão,
cantemos canções de amor
à humanidade que nos habita
e à humanidade que nos rodeia.
Seja essa a missão,
Seja a missão o prazer,
Seja o delírio, a poesia
do grande espírito
a escrever através de nós
o poema da existência.
Guerreiros alados sejamos,
meu irmão.
Pássaros de luz
no vácuo do pequeno ponto de luz
que do breu
nos conduz
de volta
ao coração.
carmen
meu dharma é brilhar...
quinta-feira, 7 de maio de 2009
tu, sempre tu...
Ah!Agora sou o bando,
o vôo, a revoada,
Sou o pé, o braço, o nó,
Sou toda o vento soprando.
Ah!
Sou milhões de colibris
sobrevoando o teu ninho,
milhões de penas delicadas flutuando
entre o teu mar e o teu céu,
Sou pluma,
para que sintas tua própria leveza,
tua amorosidade,
meu colo, teus braços, abraços,
carícias do uni verso.
Ah,
Que belo universo criei
para te acalentar nas noites frias!
Sinta-me.
Sou eu no dourado dos teus lábios.
Ah! Beijo-os,
E deito neles minha flor mais perfumada,
meu olhar mais humano.
Meu sonhos...
carmen
sábado, 2 de maio de 2009
Ao Poeta do Sol

Impermanência
Poeta, olha pra mim!
Estás vendo um poeta aqui? Nem eu!
Passei a madrugada a procurá-lo na terra do sem fim,
Nem sinal!
Por onde andaria esse filho de Netuno?
Vede: minhas mãos estão cheias de poesia mas,
Sem o olhar do poeta a paixão esfria,
Fica incompleta a poesia.
Eu vos convoco, dos quatro cantos do uni versus,
Vinde, ó amigos da alma!
Juntos, o haveremos de encontrar,
Olhai, olhai, olhai...
Que nada fique sem vistoria
Pétala de flor, relva, sombra ou raio de sol,
Das pedras do chão, cuidai,
Com elas, são horas a filosofar...
Levantai vossos olhos aos telhados e arranha-céus,
Fazei pente fino nos outeiros,
Grão a grão buscai entre as areias à beira mar,
Nos ninhos de passarinhos, em toda brisa que passar.
Olhai os lírios dos campos, as crianças, os animais,
Nas asas dos beija flores, índios, mendigos,
Ancião, catadores de papel e, se a noite chegar,
Olhai para o céu, sondai as estrelas, detei-vos ao luar,
E então, fechai os vossos olhos ... Silenciai.
Ah!... Que cesse todo movimento!
Vai falar a voz do coração neste momento.
E o que é que ela nos diz? – “Ouça-me...”
Carmen
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Ao Poeta escritor
terça-feira, 28 de abril de 2009
nossos amigos
Eis –me aqui a observar
a tela esplendorosa que o Artista pintou
para nos presentear neste dia.
Sol, luz, calor, o jade esvoaçando no ar.
Que magnífico dia!
Atento para as dobras no xale dourado
que cai sobre os ombros do horizonte e,
em meio a ignomínias, o que vejo?
Poesia.
Mas, o que está acontecendo?
A terra treme, as almas parecem em transe.
E é dos animais que vem súplica e clamor:
- Nós, como os humanos, precisamos de amor...
Até quando,
meu Deus,
Ainda seremos alheios à sua dor,
Ignorantes, indiferentes, doentes, brutais
Matando e comendo os nossos amigos
animais?
carmen
por conta do Pai...
Ofereço-vos o manjar e o néctar dos deuses!
Comei e bebei à vontade...
Vede: vossas taças transbordam interrogações
quais espumas borbulhantes.
Notai: três morangos enfeitam os vossos pratos
qual Sirius no céu, são as reticências...
Posso servir-vos doces respostas, se quiserdes, mas,
ao final do banquete sentireis o amargor em vossas bocas.
Não há respostas, nobres irmãos. Sossegai e segui,
Como os pássaros, os lírios do campo, o dourado dos trigais.
Sendo assim, comei e bebei até vos fartardes.
Hoje a ceia é por conta do Pai.
carmen
segunda-feira, 27 de abril de 2009
morrer morrer morrer

Morrer,
morrer e morrer...
Sem paredes pra segurar.
Todavia, os passarinhos cantam,
os raios de sol dançam no ar,
pneus rolam no asfalto,
há um silêncio milenar
que só os domingos conhecem.
Lá adiante a nova semana se insinua,
mais batalhas, mais surpresas,
eventos que não se sabe ainda
porque o sol corre atrás do sol.
O deus Mu dança
frenéticamente,
qual derviche incansável .
Mas, e essa tarde, este sol
lindo descendo em chamas no horizonte,
milhares de garças nas árvores
do outro lado da estrada,
e por sobre as águas...
Penso em tuas palavras: - morrer com fé.
E quase vejo um grão minúsculo de mostarda
saltando por entre as cores do sol
que morre solenemente...
e caindo em minhas mãos.
carmen
Eu confio...
De outras vidas não falo, porque não lembro.
Falo desta, que me escapa pelos vãos dos dedos,
pelos cantos dos olhos, pelas janelas da mente.
(falaria, na verdade, pois as palavras me fogem
quando penso no que fora, quanto toco no que é)
No breve instante em que me proponho ao relato
descortinam-se as reminiscências,
o coração dispara, flecha, em Tua direção.
E eu me prostro no chão.
É a hora do conflito. O eu menina quer agradar-Te
com meus potinhos de acertos,
O eu adulto se acanha frente à montanha dos erros.
Não sei o que dizer-Te... Talvez nem precisasse,
Sabes tudo de mim, sabes até o que eu nem imagino.
Penso que, se dissesses, eu me aniquilaria,
eu me dissolveria à medida em que fosses abrindo
cada uma das 49 portas do mim mesma.
No entanto, Tu te sentas no trono do meu peito e esperas
docemente por minhas revelações.
- O que hei de confidenciar-Te?
Não posso dormir sem ao menos dizer
o que Te digo a toda hora, e que, agora, é muito importante
para mim confessar: - Eu confio em Teu amor.
carmen
domingo, 26 de abril de 2009
detalhe da constelação de gêmeos...

Ah, como é gostosa a água na superfície do lago!
Flores, pedras, cisnes, lírios, sapos e rãs,
fortuitos beijaflores.
No cenário, cachoeiras, ponte, horizonte,
no ar, o som das águas e dos passarinhos.
Ao redor, floresta, neblina, garoafina,
pirilampos, grilos e criris,
lobos uivando na noite.
No alto, céu, sol, nuvens, estrelas e lua,
no rabo da Via Láctea
Sirius, Plêiades, Antares, Cruzeiro do Sul...
Milhões de astros na noite de lua nova
maravilhando o espírito
e despertando indagações.
Breve virá o amanhecer,
as fadas bailarinas dançarão nas pontas dos pés
sobre as gotas de orvalho,
abraçadas aos raios de sol.
Virá aquela mansitude toda da manhã
à superfície do lago,
virão instantes infinitos de paz, comunhão...)
E então, ... a persona entrará em ação, toda à roda, escorpião.
carmen
sábado, 25 de abril de 2009
ao poeta JHS

Re morrer
Quantas vezes ainda hei de morrer?
Tantas vezes fui velada...
Quanto tormento e lamento!
Quantas dores!
Tantas flores...
Tantos abraços e beijos e,
Ao redor do meu esquife,
Quantas velas perfumadas!
Antecipo um vislumbre do fim,
Da morte derradeira
Mudando a órbita do meu olhar
E retirando o uni verso
de dentro de mim.
Mas, por enquanto, sou Fênix!
Resisto...
carmen
foto by Pedro da costa Pereira site olharesaeiou
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Nada...

Beijo o poema alheio
e toco o meu ser interno.
Há tantas borboletas nas entrelinhas...
Lá vem primavera correndo pela estrada dos versos,
desejosa de esparramar-se em cores e pétalas
nos jardim do outono.
A madrugada sussurra no ouvido das fadas,
as pedras despertam em aromas sutis...
E o que há?
Há nada.
Montanhas de nada
preenchem o imenso vazio
entre o poema
e as mãos do poeta.
A poesia flutua
na maciez do grande vácuo
entre as palavras e os sentidos,
os beijaflores não viram o por do sol,
nem as gaivotas,
nem o mar tampouco,
a rainha adormeceu
no coração da colméia,
mas as abelhas são incansáveis
em seu laborioso
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz..
Do alto,
na ponta de cá da nossa gangorra de nuvem,
observamos
o pequeno Eros e sua irmãzinha Anteros
brincam felizes
entre as perfumadas macieiras do Éden...
Do lado de lá,
pena fina na ponta da língua,
o poeta na alma sorri.
Porque tudo é incrível.
carmen
bjjs
domingo, 19 de abril de 2009
poesia
Lá vem ela,
colocando palavras na minha boca,
riscando meu corpo
com a pena ardente da sua língua,
já chega pondo lenha na fogueira,
acendendo estopins certeiros
remexendo nos canteiros
de lírios...
.carmen...
Divindade...

.
Divindade é tua mão, são teus dedos
desenhando flores em minha pele.
É teu hálito semeando primaveras no
Jardim do éden do meu peito.
Divinos eram os deuses antes que Eros te criasse
e tu me oferecesses a maçã do amor
Que ficou grudada no céu da minha boca
junto com teu beijo.
Divina é a cor rubi na colcha de infinito
Em que nos deitamos, paralelos, amorosos e puros...
Divino é ultrapassar as leis naturais
e ser envolvida pelo éter que se desprende do teu ar
Divino é eu te ser sem que precises fazer nada
além de fechar os olhos e me respirar.
Divino é morrer crucificada em teu corpo,
suspirar em teus braços.
carmen
clarice...
"Eu não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível
de fazer sentido. Eu quero é uma verdade inventada". (Clarice Lispector)
coisa linda....
Receitinha do dia:


Ingredientes:
Um poeta
Um anjo
Uma harpa
Um canteiro
Uma abelhinha
Êxtase de flores
Delírio floral
Coloca o anjinho tocando harpa no canteiro do jardim,
põe flores, põe abelhinhas, põe aromas;
- e a harpa do anjinho só tocando...
Por último põe o poeta
e o êxtase .
Sirva com suco floral de lírios.
carmen
confio em teu amor...
Vini cultor das estrelas
Ao bardo irmão
Ó, nobre bardo!
Quão fluida e sutil sabe-me a essência de vossas uvas!
Embriaga-me o sabor de vossos versos,
Líquido precioso transportando o calor
Dos vossos pés
Ao mais recôndito de meus átomos,
À intimidade das minhas menores partículas
E até mesmo no espaço entre elas.
Sinto a delicadeza do jade que reveste
A vossa ânfora sublime
Na poesia que dança na ponta de vossa língua
carmen
Terra livre

Salto dos sonhos para a real surpresa do dia que amanhece.
Quem me daria asas para voar no azul sem fim de um dia assim?
Queria ser um pássaro de brancas penas, elevar-me acima
das correntezas humanas, romper elos, ir além, mais adiante.
Do alto contemplar a grande teia em movimento.
Quisera recolher o éter que se desprende das auroras
num dia assim, de um dourado assim,
riscar o espaço com o giz do poeta,
e traçar uma nova curvatura para o sol,
Salto para a dureza do asfalto.
Penso nos seringais que gemem sobre ele disfarçados de pneus.
Penso na Terra.
E vejo o seu imenso úbere jorrando o leite negro que alimenta
a grande teia esvaindo-se, anêmica...
Quer queiramos quer não queiramos.
carmen
como o sol...

Como o sol...
No horizonte
Nem sinal da alvorada
Mas a passarada
já ensaia a cantoria
nos galhos da flamboyant.
Que bela manhã!
Noite toda esperei por ela,
Passei horas na janela,
Corujas e grilos na noite,
Açoites da solidão,
Paixão virando poesia
Em taças de água fria.
Que dirá meu coração...
Agora o sol já raiou,
o peito já sossegou,
ficou nenhuma lembrança,
estou me sentindo só,
que dó...
A tua voz tão mansa...
Sinto sono,
quero dormir
até o dia em que haverás
de vir
Com o sol da manhã.
carmen

(Varal de Poesias do Luna)
Liberdade
Encosto meu olhar na rubra rosa em teu peito.
Dulcearomas exalam meus poros...
- Que encanto é esse que nos faz tão unos?
Tão simples colher-te, tão fácil levar-te...
Quero-te. É minha esta rosa encarnada!
- Será? – pergunto-me...
- Liberta e serás livre, respondo-me.
carmen
noite...

noite
A noite colheu o meu corpo com suas mãos quentes e macias
como quem colhe um cacho de uva pronto para ser degustado.
Ela me fez dormir em seus braços e me saboreou.
Mastigou-me inteira, e eu nem senti.
Eu passaria a noite a sós com a tua lembrança mas,
meus olhos estavam ausentes de mim.
A noite me levou e eu nem vi.
Ao acordar, já não havia luar, as estrelas haviam se escondido.
Só ficou a tua presença nenhuma
macia e perfumada, enrolada nos lençóis de cetim
da alcova do meu peito.
carmen
Vórtice mental

.
Piso nas areias movediças
do pensamento,
a princípio macias e perfumadas mas,
à medida em que juntando se vão,
tornam-se intermitentes,
Um zás! e o vórtice se faz,
configura-se o buraco negro
levando tudo de roldão.
Abrem-se as comportas da mente
e, ei-los, obscurecendo os caminhos,
" náufrago de mim mesmo"
já não vislumbro a estrada.
É um Deus nos acuda!
Porteira por onde passou um boi
Passa agora uma boiada.
Oremos!
carmen
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
o sonho
Sonho...
Foi um sonho.
(ou teria sido um vislumbre do eterno?)
O que num primeiro momento
pareceu medonho,
na tela onírica mostra o renascimento,
primavera em pleno inverno.
Dureza carregar um morto nas costas.
(Zaratustra que o diga)
O tempo todo ali, invisível,
Impedindo que prossigas,
Tu, inerte, mercê do medo intangível.
Vida! Eterno sonhar!
Sonha-se dormindo e estado de alerta,
aqui, ali, além, em outros mundos
que se vai penetrando, pois se pode entrar,
a porta está sempre aberta.
Repousai, mártir do meu ser,
Nossa alma agradece de coração
por ter se lembrado de mim
por ter se despedido,
por tua compaixão.
Agora ide! descansai...
Farei o melhor que puder
e será como Deus quiser
traduzir em arte a tua herança.
Acreditai, eu tenho uma vida inteira
Vede: eu ainda sou criança.
Carmen
sábado, 11 de abril de 2009
confidências...

vivos e mortos.
"... palavras simples podem tocar grandes corações."
(Renata Dias)
. A conexão das almas me emociona.
Procuro a palavra mágica,
A palavra rara, pérola do poeta.
Observo...
No tela do poema vão surgindo metáforas
(é o poeta pintando, verso a verso).
Num zás! em humanos torna mitos imortais.
E a percepção do cotidiano morno e tributável
Ele dissolve na onipotência dos elementais.
-À simplicidade nua e crua das palavras, ide!
(e dê-lhe pincéis, tintas, imaginação!)
No alforje do poeta, leveza e lirismo,
No coração, o trono macio da inspiração.
Ah, a inspiração!...
(ela não é minha, não é tua, nem de ninguém)
Inspiração vem do além, do poeta, o feito
De cultivar as sementes dentro do peito.
carmen
domingo, 5 de abril de 2009
amanhecer

Aquela que beira as margens do eterno,
Que gosta de água.
E é pura água
Respira entre seixos e ninféias
Junto aos papiros, algas e musgos
Ela é só ternura
Brinca com as tilápias
Salta fora d`água
se esfrega na areia
espanta insetinhos
beija as flores, o vento...
Ah, aquela palavra ri muito
Mas às vezes chora.
Então fecha os olhos e reza.
Até que ela vem...
Até que ela chegue
Silenciosa, amorosa... alma.
E o milagre da multiplicação se renova.
Primeiro torna as penas em poemas
E depois do longo abraço
Torna o poema em poesia.
Ah... era tudo que ela queria...
carmen
sábado, 4 de abril de 2009
fazemos amor...

Amor
Quando meu ser humano fica vulnerável,
quando do teu Amor sinto fome
grito em silêncio o teu nome.
E tu vens Acodes às minhas súplicas.
Fecho os olhos à humanidade,
alongo os braços ao prana
E em todas as formas te vejo,
te abraço, te beijo.
És o ar que a natureza respira!
Cálice de clorofila
trans mutas em mel
minha vã melancolia.
Sinto-me no céu! Sou poeta!
Choro de alegria.
Mas só me sinto completa
quando me olhas mansamente nos olhos
e me amas em tua cama de Poesia.
carmen
quarta-feira, 1 de abril de 2009
PedidoEstão aqui, pálidas e nuas
São tuas
Frias como mármore, lívidas como a morte
Mãos, como querias,
Vazias...
Ajoelho-me diante do horizonte distante
Rezo...
Pra que as culpas não firam as asas
Para que não doam as penitências
Nem te rondem as recorrências.
Ofereço-te meu oásis imaginário
Molha teus pés...
Perfuma tua renúncia com o óleo do meu pesar
E ...dorme, poeta, repousa...
Quando acordar, me ensina,
Como ensinas aos meninos e meninas
A arte de conjugar
O verbo que dominas.
carmen
quarta-feira, 25 de março de 2009
Das fadinhas...
imagem by site fotográfico Devian Art*
!
Nada é tão mágico assim
- Pimpirilimpimpim!
Só a varinha de condão
Cintilando em minha mão.
Sissssssss...Blimmmm!
É pedra se derretendo,
Coração tornando a pulsar,
Um forte impulso de vida
Acende a lanterna do olhar.
- Todo mundo quer amar.
Em fogo ardem paixões,
Juras de amor eterno,
Mas, depois, o encanto passa,
Primavera vira inverno
- Voam desilusões...
Que dirá meu coração...
Dormia tão sossegado,
Tumtumtum tão relaxante...
Varinha entrou em ação!
- Lá se foi meu coração...
Agora, ao Deusdará,
(fada madrinha, cadê?)
- Shiva tocou seu tambor,
Lá se foi meu grande amor...
- O que que eu vou ti dizer...
(carmen)
segunda-feira, 23 de março de 2009
quando...
Quando acordei,
as flores ainda estavam
abraçadas às pétalas,
havia o orvalho
e as gotas translúcidas
eram de uma lucidez
absurda e inexplicável...
Os pássaros enlouquecidos
cantavam à tua delicadeza
de manhã dourada,
sinfonia de brisa
despertando os ninhos
adormecidos no colo das estrelas.
Como gosto de acordar em ti
quando tu passas, vento sul
pela minha nuca,
pelos fios de meus cabelos,
pelas flores da minha pele...
Sou o éter quando me sinto
abraçada por tua leveza,
que nem é humana,
é sopro carícia e prana,
elemental dos anjos
que me beija toda vez
em que abro os olhos e
minhas mãos se estendem
para o nada
em que tu brincas
de ser a ternura do ar
que eu respiro.
carmen
domingo, 22 de março de 2009
Darfur...
.
Minha lágrima é nada,
minha dor, performática,
o grito abafado na garganta é zero,
á esquerda, redondo e mal acabado
diante da agonia silenciosa da fome,
do calor, do frio, da sede,
das saídas, nenhuma.
Que é meu grito
diante do peito seco de milhares de mães,
do seu desespero diante da impossibilidade
de nutrir os filhos remanescentes do holocausto?
Que peito daria leite depois de terem arrancado dele
filho quase morto de fome
para matá-lo com requintes de crueldade?
Tem horas que nem sei o que vale a pena nessa vida,
se é mesmo o bastante a alma não ser pequena,
tem horas em que me sinto inútil,
me vejo dormindo de boca aberta,
horas que chorar nem melhora nem piora,
Apenas afunda-me mais rápido na cova rasa
da vergonha de ser um membro deste corpo
que está fazendo isso,
criando essa obscenidade, essa maldade,
dando as mãos à brutalidade,
e, pior que tudo, a indiferença...
Somos todos um...
Um só corpo, um só ser,
somos todos irmãos,
nosso lar é este planeta
que era para ser lindo,
e não há ninguém em casa.
Que me adianta ser poeta...
Que as águas continuem a descer
e a afogar meu desespero,
e que eu renasça amanhã, com fé,
porque neste instante eterno não sei o que fazer,
nem o que dizer
além de sofrer o silêncio e a distância,
a dor dos meus irmãos,
tão negros, tão brilhantes,
ônix divino entre nós,
e nós, nem aí...
Não sei o que fazer meu deus...
carmen
sábado, 21 de março de 2009
Verso...
Verso novo
Liga não...
Sou um humano gozado,
Entende nada, coitado,
Coração, sempre na mão,
Nem percebe a imensidão
Do sentimento guardado,
E o poema, tão delicado,
É levado de roldão.
Liga não...
Olha pra mim .
Aceita esse verso novo
- Fala a linguagem do povo,
Uma flor que há tempos não vinha,
E vem sem ervas daninhas,
Não desenha abismo no céu,
Ao contrário, escorre mel,
É o céu no papel.
Olha só, ...esse sim... Vês?...
A tela fica ensolarada
A alma fica calada.
Palavras flutuam no espaço sem fim.
Mas cada letra da paisagem
Traz oculta tua imagem,
Que só revelas para mim.
Então vejo.
Vês?
carmen
sexta-feira, 20 de março de 2009
não faz mal...
quinta-feira, 19 de março de 2009
no bico do beijaflor
o poeta não pode ...
O poeta não pode ficar....
Lá vem ele...
Poeta de quinta dimensão...
Mas a menina já sabe:
Com um belo dum poema
Ele arrasta o seu coração.
Ah, se ele fincasse os pés no chão!...
Por que esses versos tão doces,
essa fala mansa e macia,
por que se deitam tais letras
meladas e perfumadas
na rede da poesia?...
Ah, depois vem melancolia...
Tão bom falar de amor...
Tão gostoso a dois voar...
Todavia, olha o balde de água fria,
O poeta vai embora,
É um anjo, não pode ficar.
Ah, bem que ele gostaria...
carmen
quinta-feira, 12 de março de 2009

Conversando a sós comigo
Nem pensar!
(é pensar,
... e eles aparecem)
Se quer estar a sós
Nem comece.
Pense bem!
(é pensar,
... e estar ausente)
Difícil é silenciar
a atividade da mente.

Pissss! Silêncio!
Só ouça,
Primeiro, ao longe,
Agora, mais perto,
Agora, por dentro.
O processo é lento.
É pra gente tinhosa.
Só se adentrar o salão de jade
Todo vestido de rosa.
domingo, 8 de março de 2009
a JHS
Ardência de poeta
Nada me toca tanto.
Hades soprando a acha humana,
acordando as salamandras
da fogueira
(onde ele geme baixinho
enquanto arde),
tornando em cinzas a sua pele macia,
modelando a fogo o seu corpo sutil.
Salamandras ao alto!
Tomara não se distraia com as apsaras...
E que a raposa chinesa
não molhe o rabo
na travessia do grande rio.
Ah, grande sorte ser poeta!
A viagem sempre se completa.
A carruagem de dores que leva o velho
é a mesma que traz
o poeta novo.
carmen
De cima...

Observo:
É tudo junto,
Nada está separado.
Pelo a pelo, pelo a rama,
Rama a pedra, a bichos
A rios e mares profundos.
Do alto vejo:
Cai do céu
Um xale luminescente
Cobrindo os ombros do mundo,
E todos sonhos das gentes.
Do cume das partículas enxergo:
Somos todos um
E a luminescência
que nos mantém unidos
É a luz do reino da essência.
carmen
quinta-feira, 5 de março de 2009
o velho poeta...
Imagem site olhares aeiou.comMara vilha !
Só Poesia te completa.
O novo cintila em meio aos escombros,
e resplandece sutilmente nas corbélias de flores
das exéquias do velho poeta.
Uma fulgência feita de pequeninos lúmens circundam
o feto do poeta novo.
A barriga cresce, os seios aumentam,
Em breve o leite vai jorrar
inundando os espaços em branco
de pura poesia.
carmen
segunda-feira, 2 de março de 2009
rosa...
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
jardim...

O jardim
(me)
(em)
Chama
s?.
Delírio deve ser
beijar
a flor,
êxtase de beijaflor,
o canteiro inteiro arde
e nem é meio de tarde,
tão cedo,
e o sol já queima
assim,
tão cortante.
Rasga meu peito
de fora a fora
como esse amor
que chegou
ficou
não vai embora.
Semen tes irrompem
de dentro de mim.
Uma rosa,
quase nada,
e já estou aqui,
encantada,
roseiral em flor
por todo o corpo,
A noite
toda perfumada...
carmen
vulcão

Nem lua
Nem cigarras
Nem orvalho.
A madrugada adentra
Penetrando os sonhos
Ocultos na aridez das folhagens.
Nem o calor do Etna,
Nem o Vesúvio,
Nem Roma em chamas,
Rios de fogo
Correm em seu leito.
O mundo inteiro arde.
O muro que separava os jardins
Está desfeito.
O vermelho manchou o papel do poema,
As letras, qual labaredas imensas,
Elevam-se em meio à fumaça
Ah esse desejo que não passa...
Agora não tem mais jeito,
O poeta ativou
Um vulcão dentro do peito.
carmen
O poeta pesa
Tela de KlintO sábio já foi dormir há horas.
De quem é este corpo que se arrasta
carregando um poeta sonolento?
(Não pode deixá-lo dormindo ao relento
quando lhe espera a alcova sedosa
lençóis com perfume de rosas
sonhos deliciosos e saboreáveis,
ah, que é para lá que vai
tão logo resolva o problema:
colocar o poeta para dormir,
e por ponto final no poema.
carmen
Oração
Estou diante de ti,
Ó Luz,
não tenho olhos para enxergar,
mas tenho joelhos para dobrar,
Minhas vestes voam em pedaços,
mas pouco importa,
A nudez me cai tão bem
como Teus raios dourados
sobre a relva
do vale das sombras,
Se queres que eu sobreviva
à minha tragédia
lança sobre mim o Teu olhar mais doce.
E me farei guerreiro,
Enfrentarei as ondas insidiosas
e pelas Tuas mãos aportarei
no cais da Consciência.
carmen
Credo

Creio
em tua boca,
creio em teus lábios,
tuas mãos,
teu corpo,
creio em meus seios,
creio no teu desejo,
no olhar quente de paixão.
Creio no fogo,
na terra na água no céu
e nas estrelas
que queimam dentro da minha boca;
creio no canteiro de lírios,
e em tua voz aveludada e rouca.
Creio no martírio,
na dureza do aço,
na frieza do mármore,
e nos di amantes emergindo do carbono.
Creio que um belo dia o poeta hiberna,
Creio na poesia eterna.
Amem.
carmen
Per - feição
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Ardem as rosas no jardim da poesia

O saara se faz presente,
A tarde arde inclemente.
Contemplo a rubra rosa
qual beijaflor inocente,
vejo-a terna e formosa,
- o que será que ela sente?
Talvez sinta o mesmo calor,
mesma lava ardente correndo
em artérias vasos e veias.
Saberá minha intenção,
lerá meu amor nos poemas que teço
qual aranha tecendo a teia
com fios do coração?
Toma, pequena,
Com apenas um copo de água viva
faço chover sobre as pétalas macias,
te cubro com meu olhar mais doce,
te encanto, te faço sorrir.
Mas só te levo comigo
se quiseres
vir.
carmen
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
beijar...
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Aldous Huxley.
"A terra é irrigada por lagos onde há lótus de ouro.
Existem milhares de rios cobertos de folhas
da cor da safira e do lápis-lázuli
e os lagos, resplendentes qual sol da manhã ,
são adornados por áureos canteiros
de lótus de flores rubras.
Toda a região em torno é recamada de jóias
e pedras preciosas
com alegres canteiros de lótus azuis,
de pétalas douradas.
Ao invés de areia, pérolas,
preciosas gemas e ouro formam as margens dos rios
sobre os quais pendem árvores de ouro cintilante.
Essas árvores são perpetuamente adornadas
de flores e frutos que despendem suave fragrância
e estão sempre povoadas de pássaros. "
(Ramayana, citado em “Às portas da percepção”,
A.Huxley, pg 61)
*
grande Huxley, meu primeiro toque divino...
imagem by GIlbert Willians
“Estiveste no Éden, o jardim de Deus.
Cobriam-te todas as pedras preciosas,
- o sárdio, o topázio, o diamante,
o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, a esmeralda
e o carbúnculo, e ouro...
És o querubim ungido que, coberto,
tinha andado de um lado para o outro,
em meio às pedras de fogo.”
(Ezequiel, citado em “Às portas da percepção”, A. Huxley, pg 61)
sábado, 7 de fevereiro de 2009
vaga lumes na noite
imagem by site fotográfico Devian Art
Vagalumes na noite
A poesia voa em bandos
iluminando a noite
pirilampos riscando o breu .
Caçadora de versos
corro atrás das lamparinas
Que dançam, se oferecem
depois se esquivam, sobem, descem...
Vou devagar
no compasso do coração
suavemente...
miro e, ... póf!
Brilham na palma da mão...
carmen
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Doçuras de poeta...

Querida amiga,Carmen!
Conforme autorização abaixo expressa vou homenagear 10 blogues,
um deles o teu:
Estou deixando o singelo prêmio a baixo, que o
Portal Antônio Poeta
optou por me oferecer, para que o poste em seu (s) Blog (s)-Site (s),
se assim julgar conveniente.
Essa iniciativa de reconhecimento ao teu trabalho,
está fundamentada nos princípios;
critérios da eficiência no tocante a harmonia do designer
e do lirismo do conteúdo do seu Blog/Site.
Outrossim, ficas tu autorizada a repassá-lo
a outros dez Espaços Web’s de sua escolha, óbvio,
que baseado nos mesmos critérios,
que tal prêmio te foi conferido.
Com muito carinho!
Dolores Jardim
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
poesia
Não fosse ela, que vive em mim
e por um nada me escapa,
essa que me põe em harmonia...
Nem sei o que seria.
Quando está aqui olho para as coisas
vejo a magia concreta de tudo.
Põe-me a olhar e a ver
a cor que não estava lá
o som que ninguém ouviu
a geometria da luz dançando no ar.
Ela pousa leve, vibra suave...
Não fosse essa que não sei ser ainda,
indo e vindo, ondulando-se,
e me fugindo...
Não sei o que seria.
Nem desejo saber...
Possui ares de rainha,
Sábia, feliz e caprichosa...
Absoluta em seu existir.
Mora dentro da minha alma,
Embriaga-me com o seu sagrado elixir
E, do nada, sem avisar, se vai.
Até quando...?
carmen














foto by Colin Carron










imagem: tela de Boris Vallejo
imagem: O Beijo - tela de Klint








