quinta-feira, 10 de maio de 2018

Cadê a onda de ternura ....


Cadê a onda de ternura,
ainda há pouco aqui,
indo e vindo,
espuma macia no dorso do a mar?

Meu con sorte,talismã di amante,

onde andará?

No tapete da nebulosa,
milhões de estrelas  silenciosas brilham
para milhões de sóis.
A tarde  balança  o berço da noite,

Ao pé do sonho
canto cantigas de acordar
o a mar ...

a noite segue seu curso



A noite segue seu curso.
Involuntariamente (?)
A lua mingua, incansável,
já está nas alturas,
as estrelas nem  saem do  lugar.

(Os  astros sabem para onde vão
mas eu não sei aonde vou parar).

A minha estrada é longa,
adornada de flores,
cheias  de pedras, nem sempre gentis
sob meus pés.
o destino, ora ditoso ora  tinhoso, 
ou é calmaria, ou é revés.

O amor permanece
entre o corpo e a alma
como bem se quis.
Isso me faz feliz.




Carmen Dias*


Até quando?...



Até quando
desmontar as tralhas e seguir

- sabe deus para onde, - outra vez?

Até quando
jardins e quintais deixar, e seguir,
atrás de um novo lar,
novo jardim a plantar e florir

- sabe Deus, em que lugar...

Quisera um porto seguro, céu azul, 
mar em paz,

- quisera...

Descansar os sonhos                                                                                                                 

no costado de um navio ancorado 
(para sempre)
no cais,

- quisera...

Cantar para ti canções de adormecer
desejos à beira do a mar.

*Carmen Regina

sábado, 15 de outubro de 2016

luar



Entre estrelas e nuvens,
alheia aos desvarios humanos,
segue a Lua o seu traçado no céu.
Solitária e muda, lança o seu manto dourado,
fogo em forma de luar,
por sobre as águas do a mar.


Há um abismo entre vida e sonho.
E um único fio, tenro e delicado,
por sobre o vazio colocado
para o equilibrista passar.
Ah, essa Lua palpitante, esse luar instigante,
esse súbito desejo de atravessar.  


Uma lança atravessa o espaço
e rasga o peito da noite à  beira do a mar.
Nenhum grito, nenhum gemido.
Os desejos que trago comigo
se dissolvem no açoite
dos raios de luar.


*Carmen Regina Dias

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Uma flor




*Uma flor
Chove lá fora ...
Passarinhos estão silenciosos, só Sabiá se atreve a cantar.
Nenhuma abelha, nenhum zumbido no ar, mas...

Uma flor chora num canto do jardim.
Seu lamento passa despercebido.
Chuva e lágrimas se confundem, a mesma umidade,
o mesmo frio doendo por dentro ...

Uma flor chora sua dor para si mesma.
E elas aumentam a cada soluço seu.
Ninguém a vê chorar, sequer um tufo de mato a percebe.

Uma flor chora silenciosamente num canto do jardim.
Melancolia? Solidão?
Flor tão bela, tão viçosa...
Bela e rubra. Viçosa e macia. Sente dor, quem diria! ...

Uma flor chora copiosamente. O que lhe vai no coração?
A chuva acabou, beija flor despertou ...Voa até ela,
demonstrar sua admiração, seu carinho,
aspirar seu perfume ...
Dançar ao seu redor freneticamente.

Uma flor sorri de canto de olho...

Carmen Regina*
12/10/2016
Imagem: Cultura Inquieta Christian Scloé
Para a amiga Vera, com carinho, Feliz Aniversário 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O POÇO



O POÇO

A vós, que me cingistes com a insígnia de poeta,
digo com clara e nítida voz:
- Sou um poço.

Poetas sois vós, que cavais ao meu redor.
De mim, apenas a promessa do veio cristalino.
Que ainda jorra manso, goteja, a bem dizer.

Poetas sois vós,
espíritos cavadores de profundezas,
amigos da alma, joalheiros do céu.

De mim, a promessa do poço,
tratado, limpo e cuidado,
onde se poderá saciar a sede de futuras gerações.

A vós, que cavais com tal bondade esta cisterna
e revestis com o vosso mel minhas paredes internas,
dedico os poemas da posteridade. 

Carmen Regina*


quinta-feira, 7 de julho de 2016

AMADO MESTRE




Amado Mestre

Abre-se este dia ao sabor da Tua Poesia.
Afasto as cortinas o tempo e contemplo
a nudez dos Teus versos.
Alongo os braços e toco 
as vestes  deste poema tão Vosso.


Todavia, apenas relo, apenas o apalpo
como pássaro tocando nuvem,
colibri beijando aura de flor.

Abro este dia com Vossas ternas palavras.
Filha do fogo, do éter e da ternura transbordo,
águas salgadas cercando a ilha de mel
onde nasce o riacho mínimo que sou.

Sintam-se Vossos pés beijados

pelo poema criança, 
que se levanta no jardim da infância 
para ouvir o e terno som da Tua flauta
sob as macieiras do Éden.

Carmen Regina*




sexta-feira, 1 de julho de 2016

POEMA FORTE



Um poema forte,
preciso,
como o vento 
que açoita as magnólias,
e levanta a minha alma
para ver 
a lança 
que atravessa a noite,
rasga o peito do poeta, 
tornando-o 
uma caixa de jóias 
de onde a Poesia retira
delicadamente 
um verso de esperança 
para o amigo da alma.


*Carmen Regina


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Como as árvores



Somos como as árvores, 
Juntamos folhas e flores nas ramas.
Um belo dia o outono vem
e seca-nos, indiferente.
Folhas e flores e frutos caem.
Vão ao chão nossas fátuas chamas. 
Entretanto, ficam as sementes.


Ó Terra das delícias
a ser cultivada com amor
e adubada com carícias...
Mas, ah, vive-se distraído,
o sono que não se sabe nos separa,
o medo colado às células nos fragiliza,
Ficamos vulneráveis.


E o presente nos é roubado.
Esquecidos da nós deixamos escapar
a  joia preciosa do instante,
aquela da coroa do rei...

As cigarras gritam na noite escura:
- Despertai poetas, despertai, despertai...

No inverno despertarei...?

Carmen Regina*

Quem sou?


Na plenitude do meu olho que vê
assentam-se a calma e a serenidade.
Contemplo-me...
Quem sou?

Paro e penso-me...

“ - Sou o que em versos me busca,
E nas estrofes me desvela.
Sou o que me procura
no poema que me inventa...”

Sinto-me.

Sou eu buscando-me em cada verso,
sou eu mesma desvelando-me em estrofes,
é a mim que vivo procurando

e em cada poesia, tua, minha, me encontrando.

Carmen Regina*

(imagem do Google)