sábado, 26 de fevereiro de 2011

Beijo o poema alheio




Beijo o poema alheio e toco meu ser interno.
Há tantas borboletas nas entrelinhas...

Lá vem primavera correndo pela estrada dos versos,
desejosa de esparramar-se em cores e pétalas
nos jardim de inverno.

As madrugadas sussurram no ouvido das fadas,
as pedras despertam em aromas sutis.

Montanhas de nada preenchem o imenso vazio
entre o poema e as mãos do poeta.
A poesia flutua na maciez do grande vácuo
entre as palavras e os sentidos.

Na ponta de cá da gangorra de nuvem 
Eros e Anteros brincam de esconde esconde 
entre as macieiras.

Do lado de lá, na outra ponta da gangorra 
sobre o abismo,
pena fina entre os dentes, o poeta na alma sorri.
Porque tudo é incrível.

@carmenrdias




postado inicialmente em 22 de abril 2009 
editado para twitter em 26 de fevereiro 2011


*

Se tu fosses tu



Eu ia te mostrar tantas coisas

Se tu fosses tu,

mas tu não és.

Foi um vacilo,

Uma piscada do meu olhar luxuriante,

Uma ilusão premeditada

Para dar consistência aos desejos.

Queria sentir o que sentiria a alma

Se fosse humana

Desculpa se foi fugaz,

Fogo fátuo.

Juro que te daria muito mais,

Te contaria os meus secretos de amor e paixão

Que ninguém nunca sonhou imaginar,

Tesouros do corpo e da alma

Que eu iria te entregar



Ah, seria o céu...

Se tu fosses tu.

Mas tu não eras.


Smírama
by Carmen Regina

Imagem: O Cisne e Ieda, de Boris Valejo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Laços. Meus laços...





Ah, como é bom ser poeta!
Criar, criar e criar.
Crio, sim,
enquanto crio,
os  laços vão se formando,
laços que vêm das estrelas
enlaçando almas.

Crio enquanto brinco
a brincadeira das crianças
de procurar amigos escondidos.
E os laços vão surgindo,
ternos, eternos,
indeléveis.

Crio e cuido.
Para serem firmes.
Para que unam.
Para que sejam como pontes sobre águas turbulentas,
como varais estendidos ao sol da vida
para pendurar nossas roupas,  
suadas de tanto brincar.

Crio laços para o show dos equilibristas,
os eternos buscadores,
laços condutores,
feito com  fios sagrados
fios de Ariadne,
conduzindo, conduzindo, conduzindo...

Crio laços para embelezar 

o presente
de cada dia.

*Carmen Regina

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vem e embriaga-me...



Vem, 
vamos celebrar à luz do luar.
Vem, e embriaga-me
feito o aroma dos jasmins no ar.

Quero beber teu vinho,
até a última gota,
lentamente,
enquanto me seduzes,
enquanto encantas,
um a um, 
os sentidos que me acariciam.

Derreta-me com o teu olhar,
afoga-me com o teu fascínio,
devora-me com teus versos.

Utópico?
Acaso já ouviste os gritos do corpo
quando o vento impetuoso rasga as cortinas da janela 
e entra?

Selemos com os lábios um acordo
entre o suposto medo do futuro
e a certeza do delírio presente.



Carmen Regina *

somos como as árvores...


Somos como as árvores, 
Juntamos folhas e flores nas ramas.
Um belo dia o outono vem
e seca-nos, indiferente.
Folhas e flores e frutos caem.
Vão ao chão nossas fátuas chamas. 
Entretanto, ficam as sementes.


Ó Terra das delícias
a ser cultivada com amor
e adubada com carícias...
Mas, ah, vive-se distraído,
o sono que não se sabe nos separa,
o medo colado às células nos fragiliza,
Ficamos vulneráveis.


E o presente nos é roubado.
Esquecidos da nós deixamos escapar
a  joia preciosa do instante,
aquela da coroa do rei...

As cigarras gritam na noite escura:
- Despertai poetas, despertai, despertai...

No inverno despertarei...?

Carmen Regina*

somos como as árvores...


Somos como as árvores, 
Juntamos folhas e flores nas ramas.
Um belo dia o outono vem
e seca-nos, indiferente.
Folhas e flores e frutos caem.
Vão ao chão nossas fátuas chamas. 
Entretanto, ficam as sementes.


Ó Terra das delícias
a ser cultivada com amor
e adubada com carícias...
Mas, ah, vive-se distraído,
o sono que não se sabe nos separa,
o medo colado às células nos fragiliza,
Ficamos vulneráveis.


E o presente nos é roubado.
Esquecidos da nós deixamos escapar
a  joia preciosa do instante,
aquela da coroa do rei...

As cigarras gritam na noite escura:
- Despertai poetas, despertai, despertai...

No inverno despertarei...?

Carmen Regina*

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

LagriMinha...


Era uma lágrima pequenina, 
perdida em sonhos, 
ardia em febre em meu colo.
Coloquei-a para dormir 
em meu travesseiro de plumas.
Logo vieram suas irmãs, infantes, 
como ela, inconsoláveis.

Cantei uma cantiga melancólica, 

a ver se dormiam mas, elas foram chegando, 
dezenas,centenas, milhares de lágrimas gêmeas, 
como bebês, chorando.

Não pude fazer nada alem de cantar, 

desconsolada supliquei aos anjos para acalmá-las, 
dar- lhes sono, sonhos macios
ainda que impalpáveis e irrealizáveis, 
sonhos doces de sonhar.

Desliguei as luzes da ribalta, 
os modens, as mídias, 
só ficou o vento gemendo na janela.
Dormi a sós com ela, minha lágrima menina, 
herdeira do amor, futura rainha dos anelos .

Quando o sol surgiu por detrás das magnólias, acordamos, 

úmidas e abraçadas.
Hoje, vou levá- la ao jardim 

para ver a seca devastadora nos canteiros de lírios
que circundam a moradia. 
E que sobrevivem, 
apesar das pedras e da secura,
tão somente pela graça da poesia e da ternura.


*Carmen Regina

Eu quero um amante




“Eu Quero Um Amante
que quando se mova,ou se levante, deva erguer-se da morte,
jorrando fogo para todos os lados.

Nós ansiamos por um amor como o inferno; um amor que queima
do inferno até a superfície,
um amor que desafia as ondas do mar e atira centenas de mares
no fogo, envolve os céus como um lenço em suas palmas.
E suspende a luz inexaurível no forro do mundo.

Com a humildade de um crocodilo deve lutar como um leão,
não deixando ninguém, exceto ele mesmo;
luta, então, com ele mesmo.

Deve rasgar as sete cortinas do amor com a intensidade da sua luz
e os céus devem responder:  “Maravilha! Maravilha!”

Uma vez que ele encontre a saída do Sétimo Mar 
e dirija-se ao Monte Kaf,
ele deverá distribuir muitas pérolas e corais
pelos continentes da terra..."

(Rumi)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ardente


a ti


falo em versos
palavras entumecidas
poema ardente
al dente

mãos esgueirando-se
pelas curvas 
da poesia que vem
para abrir o a mar 

e entregar ao poeta
a tão sonhada
terra prometida

onde o maná cai 
incessante
do céu 
das bocas

rios de mel
correm entre braços 
e pernas
e luar

Samara Lamat
by Carmen Regina