sábado, 31 de maio de 2008

Tomara



Tomara não demore a chegar
a hora de contemplar verdadeiramente
como em um cristal transparente
minha imagem refletida em teu olhar.

Tomara não me encantem teus encantos,
não mais do que já vivo encantada,
Tomara tua leveza me contagie e alivie
o cansaço da caminhada.

Que a beleza da alma, dardo certeiro,
atinja o centro da página,
meu peito de poeta

E que no meio do braseiro
eu possa cantar por inteiro
a tua música predileta.

Carmen

domingo, 25 de maio de 2008

NÃO...

NOSSO CÓDIGO,
NÃO É SECRETO,
NÃO É DE SANGUE,
NEM IMORTAL.
NOSSO CÓDIGO,
NÃO É RELIGIOSO,
NÃO É PARTIDÁRIO,
NEM IMORAL.
NOSSO CÓDIGO,
NÃO TEM MISTÉTIO,
NÃO TEM SERGREDO,
NÃO É VIRTUAL.
NOSSO CÓDIGO,
É SER ALMA NOVA,
É VER NOVOS TEMPOS,
NUM SONHO REAL
NOSSO CÓDIGO,
É VIVER COM ÉTICA,
COM DIGNIDADE,
UM HOMEM NORMAL.
NOSSO CÓDIGO
NÃO TEM PRECONCEITO,
BUSCA SER PERFEITO,
É UNIVERSAL.

Valdir Mello
Imagem Devian Art

sábado, 24 de maio de 2008

Se não fosse...



*Ser tão...


Se não fosse a inundação
era mais seco o ser tão...
Se não fosse a chuvarada
isso aqui nem dava nada.


Que dirá meu coração...
Que não vive sem o mimo
de um raito de sol,
malacostumado que é,
não vive sem cafuné,


Mas cafuné como o teu,
macio, gostoso, dengoso,
daqueles que é só começar
e o sertão já vira mar...


Mas se mar vira sertão,
que dirá meu coração...
Terreno todo adubado,
tanto de lírio plantado


mas, água que é bom...

Carmen Regina*







foto by Devian Art

sexta-feira, 23 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

Se não te ouço...



foto by Seraphine - site Deviant art



...E se não ouço o teu canto
o musgo  do cháo fica mais liso,
e eu escorrego entre as flores, 
[mas não sinto os seus perfumes],



As flores falam, 
mas não as ouço, estou distante,  
te procurando
te procurando, 
te procurando...




Os lírios  falam de ti,
cantam a tua música, contam as tuas histórias,
espalham o teu perfume...
E me embriagam.




Então, fecho os olhos e durmo,
até outro dia nascer
e os pássaros começarem novamente a cantar...




 Carmen Regina

domingo, 18 de maio de 2008

Rabindranath Tagore...









(...)

"Grande desconhecido!
Ah o canto dolorido da tua flauta chamando!
Esqueço, esqueço sempre que não tenho o corcel alado.

Não consigo encontrar o sossego,
sou um estrangeiro
em meu próprio coração.
Nas brumas batidas de sol das horas lânguidas que imensa visão
de ti me aparece contra o azul do céu!

Grande irreconhecível!
Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!
Esqueço, esqueço sempre que na casa em que habito sozinho,
todas as grades estão fechadas."

Tagore
(imagem do site Devian Art, by Gilad)

sábado, 17 de maio de 2008

Cortinas...




A chuva vai caindo cristalina e delicada

tecendo cortinas sem fim com os longos fios de seda

que descem suavemente do céu ao chão


enquanto milhares de gotas cintilantes flutuam no ar

como num sutil bailado, e a coreografia das energias vai desenhando

mandalas diáfanas e pulsantes,

bordando conchinhas brilhantes

ao longo do tecido das águas...


Uma brisa suave toca-as mansamente

e elas apenas se tornam mais ovais

e quando a brisa para de soprar

elas voltam a ficar arredondadas

feito bolinhas de sabão, ao alcance das mãos.


Detém-se o meu olhar sobre uma delas

e, ...plóf!

e outra, tow!,

e mais uma, pow!

E mais essa, póf!...



Carmen Regina Dias

Esmola não, ouça...






Ei,
você
que me olha, aflito,
Sente pena? Vejo dó?


Não! Não quero esmola!.
Náo quero nem o seu dó. 
(queria que me ouvisse...)


Eu tenho sonhos, sabe...

Sou criança sim,
gosto de brincar.
As estrelas brincam de esconde-esconde com o Sol,
notou? 
Ham, não quer saber? bobagem?

(essa noite vou brincar de dormir na sua garagem...)

(Um cobertor eu aceito.)

Vejo tanto brinquedo nas lojas, 
e nenhum na minha mão; 
é quando sinto birra no coração...
Vem uma a vontade de quebrar o vidro, pegar
o brinquedo pra mim  e
fugir. 
Mas fugir pra onde? 
Eu nem tenho pra onde ir...

(O que eu não daria por um skate...ou um copo de
chocolate com leite...)

Não tenho casa, sabe, mas vou ter quando crescer,
só que eu não to nem indo na escola, 
(não tenho roupa, não tenho tênis). 
Faz tempo... 
meus pés tão que é pura ferida, 
mas eu não ligo
Antes de dormir eu choro...
(tô de saco cheio dessa vida)

 - O que o seu filho vai ser quando crescer?



Carmen Regina Dias

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pontual, do Jorge, o poeta andarilho... adoro -o!


Ela chega
Pontualmente
Como faz todo dia...

Trouxe um livro
Poesia
Drummond...

Senta-se
Começa a ler
Em voz alta...

“Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos...”

Eu fico escutando
Me deleito com sua voz
Me encanto com a poesia
Me apaixono com as palavras...

Amo esta mulher...

E ela nem sabe que existo.
Sou uma pedra
Apenas uma pedra
No meio do rio...

Ela não sabe que a escuto
Não percebe que estou aqui
Esperando-a
Todos os dias
Imóvel
Para ouvir sua voz
Falando versos poéticos para mim...

Mas
Como por encanto
Ela olha para mim...

E diz que me ama...

Sou apenas uma pedra
E ela me ama...

Diz que volta amanhã
E trará outro livro
Com outras poesias
Pois sabe que eu adoro...

Vejo-a indo
Mas não posso acompanhá-la
Afinal sou só uma pedra...

Uma pedra
Imóvel.
Mas, agora,
Uma pedra apaixonada...

Eu agora sei que ela me viu.

(Jorge Siqueira) [ele nem sabe quanto eu gosto dele...]

S O S


S O S

Lanço garrafas ao mar,

choro, movimento as ondas...


Rezo, para que um golfinho,

ou um cavalo marinho as leve a ti.


Queria que o mar se abrisse

e eu pudesse ver os campos Eliseus de Ovídio,

a lira chamando os pássaros, os bichos,

os puros de coração,


Orfeu e Euridice abraçados, lado a lado...

Amor sem fim...

Carmen Regina Dias

A cruz da poesia


Quando o poeta foi embora a tristeza abalou poesia.

Com cara de poema gótico arrancou as penas de suas asas

e fez para si mesma uma bela e invejável cruz.

Colocou-se deitada nela, infinitamente...


Sentiu frio no lugar onde antes haviam penas,

no lugar das asas, braços, ombros, pescoço,

costas, orelhas, rosto...


Um frio ardido e tão gelado que talvez pudesse ser definido

como o frio da morte.

Queria sentir o prazer da dor do poeta em seu corpo.


E sentiu. Mas não compreendeu.

Não fora criada para o frio, nem para a dor, nem era poeta.

Era simplesmente poesia.


Quando quis sair da cruz, viu que estava grudada.

Era primavera e os cravos despontavam nos canteiros

de suas mãos e pés.


Então ficou ali, deitada, crucificada,

milhares de poemas brotando de suas feridas.

Eram tantos ... alcançavam o céu.


Ficou ali, entregue, até ser sufocada

por eles,

tão densos, tão profundos, tão ternos,

tão eternos.



Carmen Regina Dias

a caminho do a mar...










Vem,
Me dê tua mão,
vamos prosseguir
amorosos e castos,
madrugada a fora,
a caminho do a mar...

Vem correndo, vem voando,
que o dia não tarda a nascer,
e a aurora não pode esperar.

Cheguemos de manso,
pé por pé, asa a asa,
deitar na areia, 
fechar o olhos e esperar
até o dia nascer,
até  o sol levantar.

Juntos ouvir a cançao do a mar,
a melodia das ondas ... 
chuááááá 
chuááá




*Carmen Regina

Asas...





Não queria estrelas

Nem areias nem mar

Nem flores nem fadas

Queria só asas

Que se não voo

Sou ausência

Me perco

Me espalho

Sou vidraça

Enquanto tu

Condor

Asas ao vento

Longe longe

No alto céu passa..."


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Carmen Regina Dias

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vera amiga ...

Deleito

São os braços em versos
da minha heroína...
Cambaleio, e os meus pés,
Prendem-se nas trepadeiras
do usurpador apego,
Perdoa-me,

Vinga do nada! Afiado
vinca como capim
Navalha, na envergadura
deste caule,

guarde contigo a flor,
que vou formulando a
fragrância do amor por ela,
assim como é, em vasto nos
teus campos...


Oh dádiva!

Terra “Minha”
daninhas são as flores
neste campo, tom sul tom,
á perder de vista,
infinito do meu prumo...

Onde se anelam as paralelas,
ouvirás um acorde nas veias
do meu coração,
rubro mar, teu deleite,
Queres?
Dai-me a poesia em flor...

(Vera Lucia Bezerra)

..

Brinca...









Saio pela vida com meu vestido de nuvem
tecido com os mesmos fios que teço os sonhos,
à procura de ti,

tão escondido em meio a tantos eus ...

A noite vai alta e já não choras...
pois eu te ouviria...
e acabaria por te encontrar...
mas tu só queres continuar
a brincar...

Brinca criança de mi cuore,

brinca aqui em minhas mãos...
trago doces daquela anja
que te embalava em seu peito
e te fazia sonhar...



Carmen Regina Dias


.

mero melro, mero raio de sol, mero nirvana, mero êxtase...


Um raio de sol entrou silenciosamente pelas dobras da cortina,

manso e morno riscou seu trajeto inquieto da janela ao rosto

da menina, que dormira vestida com o camisola da inocência

e se enredara em sonhos primaveris de tal forma envolventes

que acordaria certamente bem mais ela do que a que dormira ,

e bem mais próxima da que sonhara.

O sol beija-lhe a face e um sonho novo lhe nasce antes mesmo de abrir os olhos.

Não é esplêndido? pensa ela e só então se dá conta de ter acordado, muda de lado,

bate os olhos na janela por onde entrou esse beijo cheio de amor e desejo.

A imaginação lhe queima, as cortinas que separam os sentidos em cinzas se tornam,

um punhadinho de nada, que o vento sopra...fuuuuuuuu ....

Fecha os olhos novamente e se põe a sentir de verdade,

sem mais limitações da vigília, e que até poderiam estar presentes,

não fosse o incêndio queimando o chão indolente, milhas e milhas...

Quem saberia descrever as sensações provocadas pelo simples toque de lábios

de um raio de sol? Silêncio na platéia...

Supremo júbilo, como se todas as sensações do corpo se interiorizassem e se reunissem para vibrar simultaneamente, ondas ondulantes ondulando no mesmo lugar, o pequeno espaço do peito e subindo pela coluna do templo em direção à cabeça,

ondulando para os braços, voltando aos seios, umbigo, pára no coração fica um pouco

e continua descendo e a ela parecendo ser uma onda sensual .

Paz na selva, roseiral em flor perfumante, passarinhos enlouquecidos no quintal,

pálpebras e cílios são cortinas tão diáfanas...

Inebriante o êxtase de um mero raio de sol... mero, como melros nos galhos da

Flamboyant...


Carmen Regina Dias





...

Maiakóvski...


















A Fé

(Maiakovsky)

Distendei vossa espera o quanto quiserdes -
tão clara,
duma clareza tão alucinante
é minha visão
que, dir-se-ia,
bastava o tempo de liquidar esta rima,
para, grimpando ao longo do verso,
entrar numa vida maravilhosa.


Eu não preciso indagar
o que e como.
Vejo-o,
nítido,
até os último detalhes,
no ar,
camada sobre camada,
como pedra sobre pedra.
Vejo erguer-se,
fulgurando no pináculo dos séculos,
isento de podridões ou poeiras,
o laboratório das ressurreições humanas.
Eis o calmo químico,
a vasta fronte
franzida
em meio à experiência .
Num livro, “Toda a Terra”,
procura ele um nome.
“O Século Vinte...vejamos,
a quem ressuscitar?
A Maiacovsky talvez...
Não, busquemos matéria mais interessante!
Não era bastante belo esse poeta”.
Será então minha vez de gritar
daqui mesmo,
desta página de hoje:
“Pára, não folheies mais!
É a mim que deves ressuscitar

Ó nobre Awmergin...


Amado Awmergin, Lorde do Jardim Verdejante...

Passeava em infinita paz interior por vosso Jardim
quando o pequenino Beijaflor pousou em minha mão direita
tão suavemente que meus olhos se fecharam para o contemplar.
Beijou-a sem a tocar, e eu senti como se todas as flores da primavera
houvessem aberto suas pétalas de uma só vez,
e seus perfumes eram um só, indizível, inefável...
Agora sonho, anelo que se abram a qualquer momento
e que os passarinhos venham pousar sobre o veludo perfumado
das flores do teu Jardim...


Carmen Regina Dias

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Rabindranath Tagore... O poeta !


“Estarás vagando sozinho pela praia da minha vida

onde a maré é enchente, ó amante de meus dias sem fim?

Estarão os meus sonhos voejando em torno de ti

como as mariposas de asas multicoloridas?

E serão teus estes cantos que ecoam nas cavernas escuras do meu ser?

Quem, senão tu, pode ouvir o sussurro das horas transbordantes que hoje soa

em minhas veias, os passos alegres que dançam em meu peito,

o clamor da vida inquieta batendo as asas no meu corpo?”


Tagore...imagem R Quack site Devian Art - google

...

Paralelas...


Acende as luminárias do sonho

e se ilumina.
É a tela e, nela, o espírito desenha

sua obra prima.
Com os dedos da alma traça o pincel

a curva do infinito,

Duas paralelas nascem no âmago

do substrato das florestas

E caminham, sinuosas e solenes

para a festa do silêncio e da palavra.

O breu é música no ar...

A essência das abelhas garantirá

a permanência da chama enquanto le gusta

dançar


...Carmen Regina Dias

Catando estrelas...


Passei a madrugada
lua cheia no céu
vagalumes nos olhos
cestos de solidão
recolhendo estrelas caídas em teu portão.
Agora vou entrar
buquê de flores despetaladas
caixinha de estrelas jóia
coração na mão.
Queria ser uma dessas florzinhas
beijinhos plantados em teu caminho
Mas meu desejo maior
é ser a rosa rubra que trazes no peito.



Carmen Regina Dias

cantinho...


A noite é uma criança sem sono.

Nada consegue fazê-la dormir...pelo jeito vai varar a madrugada...

[de que adianta os grilos cantarem assim?]

Ela não dorme, se vira, revira, chora...

Mas eu, cãozinho sem dono, sou descolado

saio procurando um lugar quentinho

e encontro o aconchego desse jardim, [bem do teu lado...].

Delicada essa relva, macia, perfumada, [de onde virá tão sublime aroma?]

E já vou marcando esse lugar;

Jardim não tem dono, e, se tiver,venho pé por pé na calada da noite,

me arrasto pela grama, fecho os olhos e, que o manto da noite

desça sobre mim,

todo bordado de luas e estrelas, ou não,

[e também pode ser que você venha ver as estrelas, o luar...]

Tão bom sonhar...


...Carmen Regina Dias

Sônia é...Prazeres, toques diVinos ....


A Chuva Na Janela


A chuva na janela

Refresca e molha o batente

Onde encharco as mãos e observo

Um espelho que vem de presente

A chuva bate à janela

E reporta há um tempo tão perto

De cheiro de vida, de gosto feliz

Do aroma que vinha de fora

Do abraço gostoso

Que vinha por dentro.

A chuva que bate à janela

Põe olhos molhados

E sonhos vidrados

Para além dessa tela.

Faz brilhos de estrelas

Que trazem teu riso

Que arranco indeciso

De dentro de mim.

E acabo por vê-la

De um jeito ofuscado

Do peito que chove calado

Escorrendo dos olhos

Um tempo de sol

Que segue nublado

Cá dentro de mim.

Sônia C. Prazeres ©


Vinicius é poeta, poeta anjo na alma, amo-o.


Traz flores, Carmen! Flores cálidas.

Traz rosas que o jantar dos Deuses está servido, e nele bebem

o mesmo vinho que portou minha alma a ti.

Traz rosas, Carmen, rosas vistosas, para ver se meu murcho coração salta

mesmo que por um instante da eternidade!

E quando todas as rosas da primavera acabarem, repousando nos solos

que as abrigavam, traga-te em teu mais perfumado corpo,

na tua mais preciosa substância.

Quando todas as rosas acabarem sobre meus olhos,

sentirei a tua suprema presença no meu peito.



...Vinicius Martinho, ahhhhh

Thiago é um anjo, diferente dos outros, mas anjo...


Talvez porque tenha sonhado com lobos e tigres e, quando acordei, veloz instinto, olhei no espelho e meus olhos eram quase um risco - o verde, oliva, no branco um véu avermelhado e, minhas unhas, garras pontiagudas e afiadas.

Talvez seja a continuidade do estado interior eruptivo e vulcânico que
percebo no ânimo dos anjos desde o momento em que se deram conta de que o céu fora mais uma vez invadido pelas “apsaras”, vampiras energéticas modernas, conectadas à tecnologia, à procura de pescocinhos belos em corpos dormentes, para fasciná-los, usufruir de seu néctar divino, tornando-os de si esquecidos e sem sentidos...
Não sei porque me vem à mente a lembrança das faces das duas mulheres
no elevador, naquele filme O Advogado do diabo...

Não sei o que vou fazer em seguida, noto que a grama está fervendo enquanto
arrasto-me vagarosamente sobre ela, sinto o estado de alerta máximo em massa no paraíso, a terra treme, a alma dos guerreiros esta preparada para o que der e vier.

Deus bem que poderia tomar uma providência e evitar a carnificina,
tão desagradável aos nossos olhos, e tão desconfortável para os pássaros que acabam de pousar nos galhos das macieiras...
Era só esticar um dedo e
“delete”.


...Carmen Regina Dias

terça-feira, 13 de maio de 2008

O amor renasce...


E o amor, que é imortal, renasce...
O amor é aquele tambor pequenino, um brinquedo de menino,

esse deus que me olha sereno de dentro dos meus sonhos e me sorri,

porque tudo é um sonho, e nada é para sempre.

Ele é o estado de graça que faz as deusas serem belas,

ele é o aroma que as faz perfumadas e meigas...

Ele povoa seus pensamentos, seus sentimentos, suas sensações
com poesias
que só às deusas são ofertadas...
Ele as atrai como o mel atrai as abelhas, ele fascina suas almas de meninas

e as leva para brincar aos pés daquele riacho que nasce na fonte do seu coração

e corre sem fim dentro de tudo que existe...

O amor nunca morre e, no entanto, renasce todos os dias
no mesmo instante
em que o sol irrompe, os pássaros se põem a cantar
e as fadinhas se levantam
para dançar sobre as gotas de orvalho das manhãs.
Quando a alma desponta no horizonte do poeta, ele é o dourado que a tudo permeia,

é a melodia tocando suave a natureza das coisas .

O amor renasce toda vez que o poeta abre as asas e suas mãos se põem a extrair

poesia macia das pedras mais duras, as transformando em bolhas cintilantes
só para
circundarem os corpos das deusas quando o inspira a poesia.
Das ondinas, essas ondas pequeninas, ele fez um xale e colocou em seus
ombros
só para vê-las chorar quando o tambor pára de tocar,
e o poeta adormece, e a poesia hiberna, e a primavera desaparece..

E então o menino deus poeta volta a tocar..

E o amor ressurge das chuvas...

E renascem as deusas, as flores, os perfumes, as estrelas no céu,

a alma da natureza renasce,
e a poesia diz o primeiro verso de amor na boca do poeta.




... Carmen Regina Dias, para o meu poeta na alma...

Amor sem fim


Poeta!
Fazia amor com as palavras...

Tão doces ...
tão sensuais e ardorosas...
Arrastavam minha alma para suas asas,

E eu ia com ela
. Ao delírio!
Todo dia era dia de poesia.

E quando ela não vinha o poeta em mim se deprimia

O ar era irrespirável,

Chorava, quase morria,

Um rio caudaloso corria tempestuoso
no leito da melancolia...
Anjo e Poeta...

Poesia que me embriaga como o perfume dos jasmins,

Eras minha estrela, minha Lamat, minha Plêiade!

Era fascinante ser cantada em versos e prosa por ti,

Ser a flor preciosa do teu jardim,

Musa, namorada,
Amor sem fim.



...Carmen Regina Dias


Voavam...
Do alto podiam contemplar o mundo em sua amplitude visual.
A humanidade é linda vista do alto.
Deliciosa força da atração...

Sonhavam...
No alto tocavam-se, em seus corpos fluíam doces sensações,
Que deslizavam em delicados fios mentais e desciam.
È maravilhoso tocar o chão...

Desejavam...
No chão as estrelas são úmidas, o céu cabe na boca,
As mãos são quentes, o olhar febril, o corpo é o lar dos desejos.
Impossível viver sem beijos...

Tudo o mais começa aqui.
Do andar de baixo se vê a magnitude do Olimpo.
Teu corpo no meu, meu corpo no teu, o zumbido do éter...
Nosso amor escalando o infinito...


...Carmen Regina Dias

Teria?


Diz pra mim:

Ele teria criado o mundo se suas palavras estivessem vazias,
se não estivessem envolvidas na energia de um sentimento profundo?
Como poderia ter criado a diversidade das formas e conteúdos
na natureza de tudo se o seu falar fosse só falar
e suas palavras, soltas, como graciosos malabares no ar?...
Sete dias divinos de trabalho criativo
Sete dias de Shakti em trabalho de parto
Ele invocava, ela gemia,
E assim o mundo nascia, palavra por palavra...
Procuro a palavra auto-hipnótica que me salve do tédio da escravidão,
A palavra heroína, demolidora, que provoque uma implosão,

expulsando os invasores e devolvendo poder ao coração.



...Carmen Regina Dias

Corredores...


Encontrei você nos corredores da poesia,
Caía uma chuva ácida lá fora,
Mas, dentro de mim a fonte murmurava
E suas palavras eram doces como mel,
O deserto florescia, ...
Eu me sentia no céu.

Estreita é a porta que leva ao coração.
Passo por ela todo dia.
Limpo os pés no tapete do silêncio
antes de entrar...
Entoo mantras, ligo incensos,
sou toda louvor.
E os versos vêm, volumosos,
delicados, perfumados, imensos...
Reminiscências, des-ilusão, alegria ...
E glória!
Presente capítulo da nossa história.


...Carmen Regina Dias

Amiga minha...


Não há estrelas na noite, nem brilho no olhar,
Mas tem essa lua, esse espetáculo de luar,
Rios de mel escorrem do céu molhando os galhos da flamboyant...

Ao meu lado, o divan.

Pousei no ninho de passarinho porque do alto dá para ver o mar,
Soltar as asas, flutuar...
Deixo o vento me levar....

Reclino-me sobre o corpo do poeta na alma...
Ele dorme...
Como pode dormir assim...?
Tento acordá-lo, tento tocar seu coração com uma canção,
Mas ele dorme...
As areias o enfeitiçaram,

As ondas do mar o embalaram...

Ah, amiga minha... ele dorme... Vê... é belo o meu amor,

Pequenino botão do amor sem fim
Como não haveria de o amar...?

Vou transplantá-lo para o meu jardim
E os passarinhos cantarão sobre ele noite e dia...
E eu assistirei ao despertar de suas pétalas,
Uma a uma se abrindo,
A natureza toda assistindo...

Meu amor respira... perfumes beijam o ar...
Ah, amiga minha....dorme o meu amor,
Quem o haveria de acordar?
...
Dorme, meu amor..



...Carmen Regina Dias

Te revela...


Todas as luas te circundam
Primavera te re vela...

O sono já não dorme em ti.
Esposastes o éter das flores

E seus braços são longos

Braços de mar...

Teu perfume embriagou a maresia...

Anéis de ondas salgadas

Molham o reflexo do teu corpo

Nos raios do sol sonolentos
que beijam as areias úmidas .
As conchinhas cantam teu nome.

E as estrelas vão caindo lentamente no abismo
das bocas...







Carmen Regina Dias...

Amarelas e veras


Abro a mensagem
e ali estão
elas
hibiscos astrais.
Assim tão belas
tão amarelas
nunca mais...
Ainda mais essa
símbolo da primavera.
Sinta o centro
pura energia
luz divina
sutil
quase azul...
Flores telepáticas
me chegaram
claro...
beijus...


Carmen Regina Dias...

Porque escrevo...


Escrevo

Porque escrever
Me é viver
Escrevo pra fazer valer
A vida passa pelos meus dedos
E não se definha,
Ao contrário, torno-me o escrito,
Paixão entre versos,
Amor em estrofes,
Vida no poema,
O ser em poesia
É ainda mais bonito.
Escrevo porque te amo
Alma minha.





...Carmen Regina Dias

O rio não pode morrer ainda...



E porque o rio não pode morrer
sem ver o mar
fez-se acordo com o vento,
e as tempestades,
fez-se acordo com rios maiores,
com afluentes...
Vieram pagés,
vieram índios de toda parte
para dançar a dança da chuva...
Agora chove.
Chove sem parar...
E porque o rio quer chegar
cheio de charme
Fez-se acordo as árvores,
ipês, flamboyant, sibipirunas...
cravos, beijinhos, flores multicores,
vegetação miúda,
fez-se acordo com os passarinhos.
E quando a chuva passar
o rio vai estar bem longe,
bem perto do infinito,
quase chegando no mar.
E por todo o caminho, primavera
ladeando as margens,
E quando o rio chegar no mar...
quantos buquês!
Para te entregar.


...Carmen Regina Dias