quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Amem...

o dente de leão...




A Flor do Dente de Leão

O capim cresce por todo o jardim.
Observo a nuvem branquita, quase etérea,
dispersando-se, a flor do dente de leão.

-Por onde andas, meu coração...?

Deitada na areia salgada molhada
contemplo as hastes finas e delicadas,
tão brancas e pequeninas esferas ...

Ah, meu coração, o que esperas?

Flores do dente de leão!
Como podem florescer em chão tão inóspito?
Sopro-as...fúúúúu

E sou  eu mesma ao sabor da brisa

Dispersando-me;
flutuo ao encontro das ondas, ah, o mar,
o a mar à beira do sertão...

Eterno vir e ir-se, e só as areias levando.

Sou eu flutuando...
vindo e indo-me.
Leve e breve como paina antes da chuva,

leve-me.

@carmenrdias

domingo, 14 de novembro de 2010

ANJO



Era um anjo,
até começar a beber da taça dos mortais.

Agora, cultiva ervas daninhas e se espalha;
agora, destila sua própria cicuta.

Não sabe o mal que se faz.
Pobre anjo,

Não resistiu ao chão movediço
de suas próprias criações.

A alma apagou a luz e ele dormiu.
Ainda dorme, pobre anjo.

Enquanto dorme
nutre fantasias, cria ilusões.

Já não sabe estar sozinho.
O anjo agora é multidões.


carmen

meus termos


Instalação de Antonio Carlos Machado, Prêmio João Turim



Os Termos da Poesia.



Não se engane com meus termos.
não são empíricos, não são palpáveis,
Meus termos não são deste mundo,
eles se desenrolam em universos paralelos,
surdos aos que só desejam entender.
Eu pego o fio no novelo dos sonhos
e, nem bem abro os olhos para o sol,
saio bordando os instantes.
À noite, com ou sem luar,
coloco os termos pra sonhar
e eles despertam, saboreáveis,
feito poemas.


Carmen Regina 





***