domingo, 15 de novembro de 2009


Tela Communion, by Robert Hardgrave, captada em um dos melhores blogs que tive a honra
de visitar: En El Camino...

ABISMAL


Penso.
E a rua fica comprida,
o horizonte, distante.

Penso,
E o abismo vai se criando
Enquanto ando.

Penso.
E na névoa, há dores,
Fora dela, as cores.

Penso.
E o pintor se atira
Ao abismo dos pincéis.

Não penso.
E o pensar me esquece
Pra que o poema se expresse

Entrego-me.
E a tela em branco, abismo profundo,
Traz-me de volta ao meu mundo.


Carmen Regina, by Smírama

terça-feira, 3 de novembro de 2009

o retrato dela...

imagem do site olhares aeiou



O MURAL


Pelo olho de vidro pode ver:
os mesmos papéis,
os mesmos recibos
as mesmas anotações;
os mesmo alfinetes
contemplando o saber
rigorosamente encapado,
em tomos, lado a lado.
Mas a imagem dela,
símbolo da anunciação de posse,
já não estava lá.
Havia um aroma desconhecido
circulando nos aposentos.
Isso pode sentir
na voz do ser amado.
A rosa, antes viçosa, murchou,
o perfume de lírios evaporou.
E o que era encanto tornou-se
um mar, frio e distante.

Samara Lamat

Das efígies


Imagem de Jim Crotty

DAS EFÍGIES


Uma realidade se desenha por detrás
da cortina dos pensamentos.
Efígies se movimentam no mundo mental.
Gente, casas, cidades, árvores,
Ilusões de sentimentos dão as mãos a
montanhas, areia e mar, navios e sereias,
bichos e flores, nasceres e pores do sol
imaginários
ocupam seus lugares na paisagem do irreal.
Nenhum vento..nenhuma brisa...
Silêncio a perder-se de vista.

Uma lápide se ergue do chão dos desejos.
O poeta se levanta vestido de alma.
Milhões de versos adormecidos
aos pés de anelos subnutridos
vazam por entre os dedos de suas mãos.

Uma procissão de sonhos
acompanha o enterro do poema.
Velas acesas, terços, avemarias, mantras.
Carpideiras enlutadas acendem incenso,
ornamentam o chão com corbélias e
pétalas de flores...
O poeta flutua ...
O cortejo dança.
Nas dobras da dimensão se insinua
um lugar solitário na história.
Que dirá meu coração...



Della Saura

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NEM PRECISA...


NEM PRECISA

Nem precisava palavras,
de repente só um sorriso teu,
um suave farfalhar de asas.

Distâncias nos separam,
todavia, como explicar-te assim
dentro de mim?

Sentes?
Eu adoro esse teu perfume
(louco)
de jasmim.

Nem precisa palavras, sabe...
Só um sorriso teu,
e já me pego no céu,

Em chamas,
já sinto a terra macia sob os pés,
qual capucho de algodão.


Carmen Regina - Imagem: site olhares aeiou

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Flor & Dor




Fez-se em Flor.

Fez-se rubra, doce e macia.

Como a Poesia que as Rosas comem,

E que os Beija flores assopram – fúúúúúú!...

Chove Ternura em pétalas brancas, leveza de nuvem

Flutuando sobre os canteiros de lírios,

Alvas bocas abertas ao orvalho frio,

À garoa sem fim que cobre

O desassossego.

Fez-se em Dor.

E se deitou com o poeta na alma.


Carmen Regina

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ENQUANTO CORREMOS COM LOBOS

Meu Sol

Sim, que és minha estrela,
Então...
Vem!
Ou ensina-me a te alcançar.
Não sei caminhar sozinha,
O designio, ao acaso, é quem me leva
Aonde quero chegar.

És minha estrela Polar.
Mostra-me as pegadas dos astros,
Nossos irmãos e irmãs
Que correm com galáxias
Enquanto corremos com lobos.

Vem, meu Irmão,
Ilumina meu ser
com o sol imanente do teu coração,
Mostra-me o álbum de sensações,
Revela-me o que contemplas quando brincas
Com tuas Argênteas irmãs...

Sim, tu és a minha estrela,
E por assim ser,
Vem!
Entra pela minha boca agora,
E brilha para sempre
No mais alto céu,
Fonte de todos os sentidos,
Sede de todos os desejos.


Carmen Regina

sábado, 1 de agosto de 2009

Das Plêiades sussurram...

INS PIRAÇÃO



Miro em ti, Espelho do Lago, e verto-me em poesia;
ser diferente nem poderia, das Plêiades sussurram os irmãos,
do mais alto céu contempla-nos a Sabedoria.

Da ponta de abismo que o Poeta na Alma escolheu
para assentar seu poema, contemplo a seara, imensa...
Tu na enxada, eu no arado. As sementes caem do céu.

Tudo mais, diz o Poetaanjo: - é água.

Tudo mais, diz Poesia: - é mel.


Carmen Regina

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PRO FUNDO


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PRO FUNDO


Velho poço
Velho poeta
Profundeza abissal

Mergulho vertical

O poeta chora 
na descida
qual manivela
trazendo a água

Do fundo do poço

melhor momento
da escalada
do ser.

Assim nascem os bebês

Firmam os pés em algo sólido
lá dentro
e impulsionam-se em direção à luz

O poema se ilumina

Do mergulho 
profundo
renasce o poeta
no mundo.


Carmen Regina


A JHS Poeta do Re nas Ser


quarta-feira, 22 de julho de 2009

No colo da Mãe...


Nas asas da alma

Noite a dentro, minha alma adentra
dimensões desconhecidas,
à procura de ti.
Suas asas me levam ao teu encontro.
Encontraremos o caminho?
Temo. Tremo de ansiedade,
gemo de vontade de te encontrar.

(Era tão mais fácil seguir a costa,
mar a fora, voando sobre a orla,
seria fácil te achar).

Mas ela insiste: nem é por ali,
via da saudade, onde a lua engoliu o sol
e os humanos tornaram-se vulneráveis.

Está em outro lugar, lá,
onde os deuses aboliram a dor
por não precisarem dela.
É lá que das dores se refaz, no colo da Mãe,
em paz.

Pedi tanto para estar com ela...
Passei a noite a procurar.
Sem encontrar.

Até que o dia nasceu.
A bordo de suas asas atravesso esse dia
procurando em todas as dimensões
onde se escondeu
minha mãe, minha doce poesia.

Carmen Regina


terça-feira, 21 de julho de 2009

Flauta de Eros

A flauta do amor


Era dentro de si que ele estava.
O tempo todo ali,
flauta invisível, sutil melodia,
o tempo todo tocando dentro de si.

Era a canção predileta dos deuses,
todavia, não se a ouvia,
seus ouvidos voltavam-se para fora.
Lá, ele não estava, fora, ele se perdia.

Vagou por ermos inomináveis,
Dormiu no colo dos sentidos febris,
queria tudo, e tudo era nada...

Perdeu-se na estrada, e agora, retorna,
poesia na ponta da língua,
poeta na alma, como sempre o quis.


Carmen Regina

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A noite é um jardim de lírios...

foto by google


A noite é uma criança
acesa, sem sono, bem acordada;
pelo jeito vai virar a madrugada...

[por que os grilos gritam assim?]

Ela não dorme, vira, revira, chora,
eu, cãozinho sem dono, sou descolado,
vou procurar um lugar quentinho,

[bem do teu lado...]

Que belo jardim!
Aconchego de ninho.
Relva delicada, macia, perfumada...

[de onde vem esse aroma?...]

Marquei o lugar para mim.
Jardim tem dono?
Se tiver, venho pé por pé

[na calada da noite...]

Me arrasto pela grama, fecho os olhos,
e que o manto da noite desça
todo bordado de luas e estrelas,

[...e pode ser que você venha]

Tão bom sonhar,
olhar as estrelas, a galáxia,
os vagalumes, o luar...


Carmen Regina

Amor e Poesia


Amor e Poesia


O amor a possuiu.
E tudo que ela via, pensava e vivia
era o amor
que nela via, pensava e fazia.

Foi ao céu.
O amor a fascinou,
identificou-se,
dissolveu-se nele.

Já não é mais poesia quem vive,
é o amor quem vive
nela.

O amor é amado.


Carmen Regina
imagem by google

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ver...

Ver


Abro-me.
E sou milhões
de peitos abertos,
legiões de corações
palpitando.
Observo...
Milhões de olhos
se abrem
dentro e fora
de mim,
Beleza e Poesia
passeiam
de mãos dadas
com a alma.
As pupilas, jardineiras,
semeiam Amor
no espaço
entre os abraços.
Jamais vi Ternura assim.
O poeta está maravilhado.
O Poema germina
na pauta branca
do infinito.


carmen

domingo, 5 de julho de 2009

aranha armando a teia



—Um dos inconvenientes da solidão: ela tudo exagera,

ela nos entrega às borboletas azuis.

Vae soli!

Urge fortificar-se com as pessoas de coração,

com os homens do dever,

com os seres exemplares,

com as belas almas.


Johonn Scheffler, poeta místico, chamado Angelus Silesius. 1624 - 1677








Pobre anjo

Era um anjo,

Até começar a beber

na taça dos mortais.

Agora cultiva ervas daninhas,

e se espalha...

Agora destila sua própria sicuta.

Não sabe o mal que se faz.

Pobre anjo...

Não resistiu ao chão movediço

de suas próprias re criações.

A alma apagou a luz

e ele dormiu.

Ainda dorme, pobre anjo...

Enquanto dorme

nutre fantasias,

re cria ilusões.

Já não sabe estar sozinho.

Só, alimenta fantasmas.

O anjo agora é multidões.



carmen



sábado, 27 de junho de 2009

alma


Não fosse ela...


Não fosse o zumbido do éter,
o aroma das rosas esquecidas,
o ronco do navio, plenilúnio,
estrelas riscando o céu...
O silêncio se faria .
E se navegaria esse instante
como num oceano de mel .

Não fosse o vento sorrateiro
soprando o tempo inteiro,
(desmanchando
meus castelos de areia)
quem avivaria a chama
que me incendeia?

Penso em ti.
Tua lembrança me faz suspirar.
Mil poesias dormem
na ponta da língua.
Mas minha alma se levanta
para ti buscar...


carmen

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ó Mâe Divina




Ó, minha Mãe,


Faça de nós filhos amorosos teus.
Põe tua doçura em nosso olhar,
Tua ternura em nossos braços,
Em nossos ouvidos o teu dom de escutar.


Cubra-nos, Mãe, com o teu manto de estrelas,
E derrama sobre nós o teu leite divino,
Somos ainda tão  pequenos ...
Estamos friorentos, carentes  e famintos.


E quando já formos Homens, Mãe,
Dá-nos de beber da tua taça de maravilhas,
Leva-nos para dentro do teu castelo de jade
E revela-nos o esplendor da imortalidade.



Carmen.



segunda-feira, 22 de junho de 2009

flor

Imagem: pintura by Luiza Caetano, poetiza portuguesa em
temporada de lançamento do seu último livro no Brasil


Flor


Observo-a
bela
flor
E me crio aquário
me invento peixe
por fim torno-me água
me esparramo a seus pés
apenas a sentir-lhe
a força da raiz
e o aroma inefável
como névoa
caindo
sobre mim
feito orvalho
da manhã.


carmen

domingo, 21 de junho de 2009

sonhos versos dispersos

imagem by orkut



Era sonho
até tornar-se verso.

Eram versos
até virarem carícias.

Era distante
até tornar-se tão perto...

Um simples piscar de olhos
movimentando oceanos.

Um ponto de interrogação e,
dispara meu coração

Um ponto final e,
de novo os passarinhos,

de novo a exclamação!
Uma reticência...

e novamente a inocência
recomeça a adoração,

umas poucas palavras
e já me vem um novo dia

todo ele
virado em poesia.



carmen

imagem by Andrew Annenberg

Dos enigmas


Nada como ter passado

alguns milênios
sobrevoando as pirâmides,


pisando as areias
ao redor dos mistérios,
velando o sono das múmias...


Ficou fácil desembrulhar
o bombom dos enigmas...



carmen

hortênsias no céu



Vim te trazer o céu. 
Aquele que ninguém vê,
só 
eu.



Vou guardar essa tarde 
que me arrancou suspiros,
esse azul de hortênsias,
céu 
de nuvens de albumina em neve 
pintado.


Farei cópias 
pra colar no cenário 
todavez que me lembrar de ti
a
saudade.



*Carmen Regina


sexta-feira, 19 de junho de 2009

beiju



Beijar

é encostar os lábios em tua face

e imaginar

um céu cheio de estrelas

uma a uma

caindo

dentro da minha boca.



carmen
tela de Klint

O poeta se cansou.
O sábio já foi dormir faz tempo.


De quem é este corpo que se arrasta
carregando um poeta sonolento?

(Não pode deixá-lo ao relento
quando o espera a alcova sedosa
lençóis com perfume de rosas
sonhos deliciosos e saboreáveis...)


Ah, que é para lá que ele vai
tão logo resolva o problema:
por o poeta para dormir,
e um ponto final no poema.


carmen
Selo conferido ao Divan por Dolores Jardim,
a quem agradeço de coração
por sua bondade.

Eu tu ele Nós, a Influência





















foto by Joder & Ivete Tonin

A fotografia




Ela olhava olhava, e pensava: - sou eu mesma?
Não parece...
Vira e mexe, olhava.
E assim o tempo passava,


Uma semana, duas, três...
Na quarta decidiu:
- vou colocá-la ali,
e ver o que acontece.


Vieram os amigos,
e notaram:
- Bela foto, - Você está linda, - Você isso e aquilo...
Gostaram...

Hum...
A princípio não gostou,
mas agora mudou.
Agora já se vê com “outros” olhos.


carmen

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O amor re nasce...

imagem by orkut Arnei Back, meu amigo

O amor re nasce

O amor é um tambor pequenino,

Um brinquedo do menino, esse deus

que me olha sereno de dentro dos meus sonhos

e me sorri, porque tudo é um sonho,

e nada é para sempre.

Ele é o estado de graça

que faz as deusas serem belas,
é o aroma que as faz perfumadas e meigas.
Ele povoa seus pensamentos e sensações
com poesias que só às deusas são ofertadas.

Ele as atrai como o mel atrai as abelhas,

ele fascina suas almas meninas
e as leva para brincar ao pé do riacho

que nasce na fonte do seu coração

e corre sem fim dentro de tudo que existe.

O amor nunca morre e, no entanto,

re nasce todos os dias,
no mesmo instante em que o sol irrompe,

os pássaros se põem a cantar
e as fadinhas se levantam para dançar

sobre as gotas de orvalho .

Quando a alma desponta no horizonte do poeta,

ele é o dourado que a tudo permeia,
é a melodia tocando suave a natureza das coisas .

O amor re nasce

toda vez que o poeta abre as asas

e suas mãos se põem a extrair poesia macia

das pedras mais duras,

tornando-as quais bolhas cintilantes e diáfanas,
só para circundarem os corpos das deusas

quando o inspira a poesia.


Das ondinas, meigas ondas pequeninas,

ele fez um xale e colocou em seus ombros
só para vê-las chorar

quando o tambor de Shiva pára de tocar,
e o poeta adormece,

e a poesia hiberna,

e a primavera desaparece..


Tempos depois o menino deus poeta volta a tocar.
E o amor ressurge das chuvas,
E re nascem as deusas,

as flores, os perfumes, as estrelas do céu,
a alma da natureza re nasce,
e a poesia diz o primeiro verso de amor

na boca do poeta.

carmen



carmen



terça-feira, 16 de junho de 2009

é hora de partir...























Meu coração é um sol
Meu peito, um porto,
E meus braços, milhões de braços de mar.

Qual navio carregado de ternura
Espero pelos pássaros do amanhecer
Para partirmos juntos
Rumo às paragens do Ser.

Seja essa neblina, esse fog, essa garoa,
A névoa fabulosa que anuncia o novo dia
Na terra abençoada da Vera Cruz.

Seja o madeiro horizontal, o saber,
E o madeiro vertical o fazer acontecer
A tão anelada luz.

Giro em torno do meu próprio coração
E as abelhas são incansáveis em seu eterno
Zzzzzzzzzzz.....

Há mel para a humanidade inteira
na colméia da Poesia.



carmen

sábado, 13 de junho de 2009

Saudadis do mestre...

imagem by site olharesaeiou.com

TESTAMENTO

EU, abaixo assinado,
mamífero,
no pleno gozo das
minhas faculdades,
descendente dos peixes
e de um homem sábio,
declaro
para todos os fins de direito,
que deixo como herança
para a amada,
várias constelações
no lado direito da Via Láctea,
conforme mapas astronáuticos.

Declaro ainda ser possuidor
de alguns ventos da madrugada
e de várias ondas na praia descrita
no documento anexo,
com amostras da areia
e uma estrela fossilizada.

Outras propriedades não citadas,
deixo para o cartório distribuir
aos autores dos melhores versos,
nas próximas temporadas.

A vasilha hermética junto,
deverá conter a alma,
incinerada para distribuição gratuita
entre os pássaros e abelhas.

Desejo a todos um bom dia
e a mesma noite de plenilúnio
riscada por meteoros erráticos.

Firma reconhecida
e o labirinto digital da minha vida
debaixo do último verso.

assinado:
ANDRÉ CARNEIRO

poesia de JHS

foto by Rachel Blaser - site photonet.com



A poesia eleva
os mais profundos sentimentos
da alma
à consciência dos dias
feitos de versos
tecidos com fios de luz.

A poesia
é dos poetas
que de tão vivos
sabem eternizar o canto
e o belo
de todas as palavras
de todos os Eus.

A poesia
não tem razão
tem sabedoria.

jhs
José Heitor Santiago

sexta-feira, 12 de junho de 2009

o que há...



















O que há,

O que há, poeta das doces palavras,
infiltrado no recheio dos teus versos,
que desce em torrentes por minha garganta,
entra-me na corrente sanguínea
e me põe assim, nua, mínima e vulnerável ?


Qual avalanche de pulsar inexplicável,
derramas sobre o meu olhar tuas rimas macias,
desmanchas meus castelos de areia,
tornas em pó meus ídolos reluzentes,
sem sentidos minha poesia.


Ah, poeta da inspiração inesperada,
Olha dentro dos meus olhos e me diz:
- O que há na consistência sutil do teu poema,
o que há, poeta dos dourados anelos
que me inebria a alma e,
num instante que me sabe eterno,
já nem sei quem sou?


Mergulho em teu poema.
E afogo-me em minhas próprias águas turbulentas.
Eram sem sal, até que me viesses, em ondas,
ora com gaivotas brancas em céu azul,
ora em procela do fim do mundo...


carmen
imagem by Miggs 69 - site Devian Art

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O mistério da rosa


Nua

subo
ao mais alto enigma,
mergulho
no koan abissal

penetro
o mistério da rosa
busco
a verdade essencial

encontro nuvens
um canto um conto
um encanto
e um ponto final.



carmen


imagem by orkut

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Diva...



Diva




Deusa, divindade, deidade, amor supremo...
A teus pés dobram-se todos os poemas.
São para ti os cânticos de todos os poetas.
São para ti minhas palavras ralas, 
É para ti meu louvor,
Em teus ouvidos sopro os meus versos de amor.
Teus cabelos voam à brisa de milhões de anelos,
E em teu colo deitam-se os tesouros do coração.
Poesia escorre, qual chuva de prata, por tuas mãos
E as mais belas rimas ardem em tuas pupilas .
De ti espero apenas o olhar amoroso ao amanhecer,
E os uivos da loba ao anoitecer.
Na madrugada, nada...
Além do canto inebriante

da sereia...



carmen

domingo, 7 de junho de 2009


Recebi o selo “Vale a pena acompanhar este blog!”
de Dolores Jardim.
O selo violeta é premio e representa, segundo os seus criadores,
"as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente".
Ele é dado àqueles blogues que têm algumas das sensações da cor violeta, a saber:
magia, encantamento, graciosidade, magnetismo e tudo aquilo que parece mágico.

sábado, 6 de junho de 2009

Não tenho descanso...



imagem by Nicolas Roerich


"Não tenho descanso. Tenho sede de infinito.
Minha alma desfalecente aspira aos remotos desconhecidos.


Grande além!

Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!


Esqueço, esqueço sempre que não tenho asas para voar,
que vivo eternamente preso à terra.


A minha alma arde e o meu sono foge.
Sou um estrangeiro num país estranho.


Tu murmuras ao meu ouvido uma esperança impossível.
O meu coração conhece a tua voz como se fosse a sua própria voz.


Grande desconhecido!

Ah o canto dolorido da tua flauta chamando!


Esqueço, esqueço sempre que não tenho o corcel alado.
Não consigo encontrar o sossego,

sou um estrangeiro em meu próprio coração.


Nas brumas batidas de sol das horas lânguidas

que imensa visão de ti me aparece contra o azul do céu!


Grande irreconhecível!

Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!


Esqueço, esqueço sempre que na casa em que habito sozinho,
todas as grades estão fechadas."

Rabindranth Tagore



la vem o poeta

Imagem by site Devian Art


Lá vem ele...
papel e caneta na mão
vai abrir seu coração.


Lá vem ela...
rimas na ponta da língua,
- depressa senão ela míngua.


Um verso, dois versos, não mais,
e o vazio ficou para trás.



carmen

In corporis são

Imagem by Motherhood site Devian Art

In corpo ração


Subo a montanha e
Lá estão, a relva, o vale,
Esmeraldas e jades de todos os tons...
Tão suave viver, tudo tão bom,
Mas agora não,
Agora a paisagem é desafiante,
Há perigos pela frente,

Abismos insondáveis sobrevirão.
Mas agora não,
Inefável aroma movimenta-se no ar.
O vazio respira.
O desconhecido ronda.
O fogo se propaga no éter:
In cand escência.

Algo vem do além.
O espírito do pássaro desce ao chão,
Algo chega ao ser.
Duas asas gemem de prazer.
Poeta e Pássaro:
Somos um.
In corporis são.





carmen

terça-feira, 2 de junho de 2009

à poesia que fotografa com seu olhar de fada...


Queria tocar-te assim,
deitada
na relva de cetim,
Coberta de pétalas
perfumadas
manto cobrindo o chão
dos meus desejos
sem fim.


Queria tocar-te levemente,
como quem toca um véu delicado
que se esgarça lentamente
no sopro da brisa.


Queria cantar-te uma canção singela,
mas a voz me escapa,
foge-me o ritmo ...


Como poderia cantar-te
se és o sublime dos versos,
se és a melodia da canção mais bela,
se és a própria alma da poesia
penetrando meus labirintos,
silenciando-me,
nutrindo-me de paz
e poesia?...


Ah, Poesia...
Eu, poeta, sou qualquer coisa incompleta
quando comigo
tu
não estás.



carmen


quinta-feira, 28 de maio de 2009

amar você



Te amar


Adorar é muito mais que amar,
Adorar é ter você num altar
Te cantar, te louvar...
Te oferecer flores...
Toda hora, todo dia... 

Namastê!

Deitar com você e te amar.
Beijar, beijar, beijar, beijar,
Acender todas as estrelas do teu céu...
Sentir teu perfume, tua vibração
Toda hora todo dia
O mundo virado em poesia... 

Namastê

Um beijo, uma poesia, mais um beijo,
Mais uma poesia...

Milhões de beijos... 

Carmen Regina*


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Revolução venusiana à vista...



















imagem by site fotográfico olharesaeiou


Sol em Vênus




Quando a estrela Dalva surgir no céu
uma outra página se abrirá
ao poema sem fim.
Nova poesia irá nascer .


No momento, parto,
parto-me, e voo, em pedaços,*
desfolho-me em pleno ar,
ou me deixo submergir
nas águas que correm
cá, dentro de mim.


O poeta não sabe escrever.
Muito menos o sábio.
Chamem-se as crianças,
Deem-se-lhes papel, lápis de cor,
giz de cera, guache e pincel
Convocai as fadas e os anjos
E esse bardo de lama e névoa
Há de virar o próprio céu.


Aguardo, as contra ações são inevitáveis ...


carmen

* Ao Teatro Mágico...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ao sol, poeta...

Eis que pouso no galho de vossa figueira celestial
para melhor apreciar Netuno, lá longe, mar a dentro, sereias ao redor....
Tridente na mão, ilusões caminham sobre as águas, partem em direção ao poeta,

que as vai tocando e torneando em seus sentires e pulsares que, ao final,
se debruçam no papel
e viram palavras ao léu.
Mas ao poema não são mirações, são




Presságios


Minha alma salta pela janela.
Estreito os olhos e vejo um punhado de lembranças
revolvendo-se nas areias ao pé do mar.


Um sonho...
Antes, era um deserto pulsante,
Agora sou vazante.


Quando se verá o vôo do pássaro na imensidão do céu?


Ouço vozes, sons interpenetrantes.
E meu sentir vai ganhando forma e substância .


Assisto cenas antigas e recentes que se misturam
e se entrelaçam, qual aranha tecendo a teia,
no limiar da imaginação.


Deja-vu de poeta?
Pressinto que ainda se verão essas cenas nas asas do pássaro,
lá do alto...



carmen.

domingo, 17 de maio de 2009

mestre...

Mestre, meu Mestre querido,

Meu herói das aventuras de eu menina...
Sois o corcel dourado que galopo feliz nas campinas
que se abrem infinitas aos meus olhos sedentos de aventuras.


Temo magoar-vos com meus caprichos.
E se vos acaricio os pés é mais para sentir a carícia

de vossa pele delicada, tão doce aos lábios,

que por reverência ao sábio que vos habita.


E se vos alcanço os joelhos com minhas mãos

é porque sinto que o vosso coração me chama,

e se ouso mirar os vossos olhos

é porque minha boca deseja guardar segredos

junto às estrelas do vosso céu.


Mestre, meu mestre...

permiti que eu toque vossos cabelos,

tão macios, tão perfumados, canteiro de lírio a céu aberto.

deixai-me sentir o êxtase das pequeninas bolhas de éter

que dançam no ar que respirais.


E eu cantarei para vós a canção que as musas me ensinaram.
E se me levardes ao vosso colo e soprardes levemente a minha testa
eu colocarei em vossa boca os beijos doces que recebi de Eros.

Carmen