quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Melhor fechar os olhos, dormir...

Noite a dentro,
Fazia frio lá fora, e
Havia uma palavra no ar,

Impossível não vê-la,
Queria esquecê-la,
Mas ela não ia embora.

Ficava.
Ficava e falava:
Precisa escrever uma poesia,
O lado direito reclamando:
Sem inspiração, sem chance,
O lado esquerdo se esperneando.

Caneta na mão mas,
Sem força para segurar
Dedos no teclado,
Coitados, precisam se inspirar...
O que poderia vir a tingir
O papel branco do word?

Poesia, ei! eu existo!
Me ouves?
Que nada, nem sinal,
Desisto,

carmen




sábado, 8 de novembro de 2008

novo dia


Raia a luz
desponta o dia
E tudo o que fora belo
no chão, virou fantasia.

Brilha o sol
E o que se via
Agora, em corpo nu,
são versos, é poesia...

Voa a estrada,
horizontes se esquecem,
fora tudo, não é mais nada
lindos sonhos se arrefecem.

Lá vai o poeta
jamais se apequena
sua função predileta
dar vida ao novo poema.

carmen

anjita branquita


Branquita

Tão pequenininha...
Direitinho uma anjita.
Veja como é branquita...
Flores e passarinhos por toda parte.
Abrem-se as pétalas, despredem-se os perfumes.
Batem-se as asinhas e os átomos dançam no ar.
A clara luz resplandece no éter.
O branco ilumina a natureza de tudo.
Teus pézinhos descalços hão de percorrer
doces caminhos neste mundo.


carmen

era sonho


Era sonho
até tornar-se verso

Eram versos
até virar carícia

Era distante
até tornar-se tão perto

um simples piscar de olhos
movimentando oceanos

Um ponto de interrogação
e dispara meu coração

Um ponto final
e...
de novo os passarinhos

de novo a exclamação
Uma reticência

novamente a inocência
recomeça a adoração

Umas poucas palavras
e já vem um novo dia

todo
Virado em poesia.



carmen

Ainda, amore...


Amore mio...

Nem precisava ser tão magnífica noite.
Inesquecível seria, ah, se seria...
se estivesses aqui...

Meus gritos não me assustariam,
um simples nome não me torturaria
se estivesses aqui...

E se não posso impedir as vozes dissimuladas
de atormentarem a si mesmas, deixo estar,
até que o silêncio se torne em poesia...

Porque, apesar de tudo, contradigo-me,e te digo
que te sinto aqui, terno e saboreável, dentro de mim...
Ainda...



carmen

imagem by Vera L B

para Jéssica, botãozinho do sdk

Pobre botãozinho...
A sedução dos espinhos,
o clamor do vazio,
o cheiro da terra...
Desprendeu-se do talo
frágil botãozinho branco...
E não há seiva no chão...
É pontiaguda a seta da depressão.
Mas não furou o vestido lindo de formatura,
não borrou o boletim,
borrou o rosto da roseira
que definha, inconsolável,
geme, se tortura...
Pobrezinho do botão...
Pensou que a vida era eterna.
E é.

jardineira....



Semana das Crianças.
Nuvens de suspiros alcançam o céu.
Algodão doce a granel.
Chuva de pétalas brancas sobre a terra
Cai o pano, o ato se encerra.
Um anjo retornou ao lar.

"Qualquer dia a gente volta a se encontrar..."
Mas por enquanto, brinque bastante, voe pelo Paraiso,
Aqui, a viagem continua,
A gente vai tocando, vai levando,
Segue lembrando, espíritos que somos
Vivendo a experiência de ser humanos.

Difícil, quando se é apenas anjo
E se pesa menos que uma peninha de colibri...
Mas o planeta ainda terá essa densidade sutil
Os anjos desejarão viver por aqui
Eternamente, um dia... quem sabe...
Muitas graças por ter vindo na frente.
Valeu.

cristalina

Borboleta de cristal


Azul
Nem do mar nem do céu
Azul da cor do papel

Cintilante
Azul poema
Traçado a bico de pena

Veloz
Atravessa oceanos num zás
O que não serve fica para trás

Observo...
Vejo a sorte em suas faces
Admiro a lapidação

E uma nova borboleta rompe
o casulo da imaginação
e pousa na palma da minha mão.

carmen

Poesia vai passear

















Pela fresta da janela posso ver

O que de cima do muro não veria,
O despertar de poesia.

Ela puxa as cortinas do olhar,
Sorri para os raios de sol
E faz o que há muito não fazia:
Abre os braços e se lança no espaço.

Ah, que belo vôo ela traçou!...
Precisão de garça,
Mergulho de gaivota,
Ousadia de condor!
No éter ela muda de cor.

Lá vai ela, asas de mel,
Cada vez mais alto,
já sumindo no céu.
Quando voltar,
quantas histórias
para contar...


carmen

certas músicas...




Se as ouvimos juntos
sinto a doçura da voz,
a delicadeza do toque,

quem sabe tão delicada
como a pele do teu pescoço,
teus ombros, teu peito aberto...

Está diante do amor,
agora é puro louvor,
o uni verso geme dentro dela.

Delírio vai descendo macio
como a cortina de neblina
sobre as pétalas das flores lá fora...



carmen