sábado, 8 de março de 2014

FAÇO CHOVER




É olhar uma flor, um pássaro, uma abelha, 
uma pedra, 
um tapete de flores no chão, 
um bezerro mamando ... 

 É ver os porquinhos cor-de-rosa 
no caminhão da Sadia (?)... 
 galinhas engaioladas indo à morte na Perdigão ... 

 É contemplar a lavoura viçosa 
 fazendo de conta que é verde-esperança e nutrição, 
 fingindo ser saudável o dourado dos trigais 
 encharcados de veneno Monsanto (santo?)! 

 Eu faço chover 
 Chuva forte daquelas que não passam. 
 O mar morto transborda.
 Choro e chovo. 

 Tempestade é ver criança pedindo comida, 
esmolando ternura, 
 - a Terra vira um oceano. 
 Sou trovoada quando dou de cara com Aspartame na mesa, 
 - o melhor da Monsanto à mão! 

 Fico em estado de calamidade quando vejo 
nossos hermanos abandonados, 
sem casa, sem comida, sem escola, sem dignidade, 
tampouco cidadania... 

 Um poema me comove 
 quando me faz saltar a barreira do sentimentalismo vão. 
 Senão, não. 
 Prefiro ler o pasto, os pratos dos gatos, 
as andorinhas que os felinos cobiçam.

 Prefiro a poesia da carroça do lixo reciclável 
e seus nobres poetas puxadores. 

 *Carmen Regina Dias 
 da série Della Saura



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A TARDE ARDE



























                                                                                A TARDE ARDE*

A tarde arde
na pele
das palavras
o fogo se propaga rapidamente

Acendo uma vela
na boca do vulcão
E o poema vai se criando

Apaixonado...
Teu peito nu: papel perfeito
para as mãos do poeta

Como me atrai essa flor!
esse perfume!
na boca do abismo...



Carmen Regina*

quarta-feira, 19 de junho de 2013

a flor do asfalto ...




E eis que lobos famintos invadiram
e devoraram
A Arte da Guerra, 
apropriando-se das ideias do Sábio,
ultrajando e vilipendiando sua sacralidade.

Pelo poder
de gestos, palavras e atitudes 

obscureceram

a beleza da flor 
perfumosa,
na plenitude do frescor, 
que abriu suas pétalas no asfalto.

O jardineiro, atônito, 
abraçado às borboletas, abelhas e beija flores, 
chora a cegueira e o equívocos das turbas.
Alma solitária, soluça o pesar daquela gente humilde
que o comove ...



*Carmen Regina

sábado, 9 de março de 2013

Agromansâo monsanto






Eu vi a mansão  plantada no campo de soja.

As cortinas das janelas balançavam ao vento,

as crianças brincavam ao redor da piscina,

a jovem senhora amamentava o seu bebê. 

Ela era toda ternura.


Enquanto isso, 

o avião monomotor, 

como um deus da chuva,

jorrava generosamente, como bênção, 

um liquido esbranquiçado sobre a plantação.

(Seria  Monsanto, Syngenta, Bayer, Pfizer,  Dupont?)

Sei não.


Só sei o que ela me disse: -Não tem cheiro.


(Inocência?)

Só sei  o que eu vi.

Inconsciência.


Carmen Regina*





;

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

GARÇAS AO ENTARDECER

AROMAS DA NOITE

Tela de Ximena Henrico Galegos 




Aromas da noite


A tarde estremeceu,
o sol se deita aos  pés do horizonte;
logo mais,  a noite cairá do céu,
buquê delírios nas mãos,
sorrindo para os meus sonhos.
Meus sonhos, minha vida,
sonhos bem sonhado,  bem tecidos,
bordados noite e dia
com fios de dentro pra fora compondo,
em filigrana,
a delicada trama das horas
em que me inspira Poesia.
Em lugar de nós,  laços,
pequenos lacinhos, 
suaves e tenros,
como esse desejo que, 
agora,  me aflora.

As flores exalam, enlouquecidas,
há um zumbido em meu ouvido,
um silêncio profundo dentro do som
e isso ultrapassa meus sentidos.
Os jasmineiros estão silenciosos,
Os beijaflores, empertigados,
as floripöndios vencem a batalha dos aromas
com sua poesia em forma de taças brancas,
transbordantes do perfume inefável
com que cobrem o leito da noite.
E me embriagam.



Carmen Regina

Vôo ...

 
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A DIMENSÃO DAS FLORES E DAS CORES




Jasmins
angélicas
floripôndios
açucenas 
damas da noite

Brancas flores sensuais
aromas espirituais
tocam-me os sentidos
como delicados açoites,
inebriam-me

Neste instante sem fim
 esqueço quem sou,
perco-me de mim,
flutuo
na dimensão das cores

Rompem-se os véus
e eu adentro a dimensão das cores
para depois,
muito depois,
 retornar ao branco original.


Carmen Regina*