domingo, 26 de julho de 2015

ouvindo o mar





Acordei ouvindo o mar

vento leste na janela

ronco de navio

Maresia

                                          Lembrei meus amores

                                         tantos

                                        E um rosto de brisa me sorriu

                                                      
                                                                              Tomei uma xícara de poesia 
                                                                              e fui

                                                                              voei 

                                                                              num mar de gaivotas

*Cantares de Carmina Reginae

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Lua Grávida




O gato desliza furtivo pelo arvoredo,
seus miados gelados, nesta noite, começaram cedo.

No alto côncavo a lua gira tranquilamente,
parece calma e serena.
Serena? 

Silenciosa, ela gira em alerta crescente.
Enquanto gira, semeia devaneios e sensações;
delírios e emoções em breve germinarão.

O sol cobriu-a com seu manto ardente;
vai vendo... sua barriga está crescendo,
em breve, seus gritos penetrarão nossas mentes.

Poetas, seres sensíveis, loucos e videntes,
despertos, de repente, de insuspeitada dormência,
partejarão ardores em latência,
impulsivo, o mar se lançará nas areias,
marujos se entregarão ao canto das sereias;
floripôndios, damas da noite, angélicas e jasmins 
irão exalar os seus aromas,

gatos ciosos caminharão frenéticos pelas calçadas 
procurando gatas ansiosas por gritos e unhadas.

Carmen Regina


imagem: The Witches Companian

terça-feira, 14 de abril de 2015

De outras vidas não falo...




















                                                                                                                                                                                     foto by Manolis Spanakis site photo.net 



De outras vidas não falo.
Falo desta, que me escapa pelos vãos dos dedos,
pelos cantos dos olhos, pelas janelas da mente.

(falaria, na verdade...
 as palavras me fogem quando penso no que fora, 
quanto toco no que é)

No breve instante em que me proponho ao relato
descortinam-se as reminiscências,
o coração dispara, qual flecha, em Tua direção.
E eu me prostro no chão.

É a hora do conflito. O eu menina quer agradar-Te
com meus potinhos de acertos,
O eu adulto se acanha frente à montanha dos erros.

Não sei o que dizer-Te.
Sabes tudo de mim, sabes até o que nem eu imagino.
Penso que, se dissesses, eu me aniquilaria,
eu me dissolveria à medida em que fosses abrindo
cada uma das minhas portas cerradas.

No entanto, Tu te sentas no trono do meu peito 
e esperas por minhas revelações.
- O que hei de confidenciar-Te?

Não posso dormir sem ao menos dizer 
o que me digo a toda hora, e que, agora, é importante 
demais confessar: 
- Eu confio em Teu amor.

Carmen Regina*

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Palavras & Imagem



Palavras & Imagem*

Junto-as e a idéia se multiplica,
a poesia cresce.
Como isso acontece...?

Algo vindo de algum lugar,
chega sem avisar.

A alma reage de prima
às palavras, imagens e  rimas.
Excitado, o poeta  se entrega ao poema.

Eu fico com a revisão, a arte final da  inspiração,
o contorno em bico de pena.
Minhas penas.

* Carmen Regina


domingo, 30 de novembro de 2014

Palhaços, com muita hora.




PALHAÇOS

Pura estratégia para ser
sem que percebam que estamos sendo  
algo além de marionetes .

O sistema movimenta os fios, 
e o palhaço brinca de transgredir seus movimentos.
O sistema  ri, e a gente finge que está achando graça,
(e estamos mesmo morrendo de rir da palhaçada toda) .

Assim somos, crianças e mais nada,
a fonte do amor bebemos 
e irrigamos a vida inteira
com a mesma água abençoada.

Bravo! Bravo! Bravo!
Não envelhecemos nunca!
Ponto para a alma!
Ponto para a sua perspicácia!

Nós! Palhaços! 
Escrevemos belos poemas
com a falácia do sistema.



*Carmen Regina

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lá vem ela, a nova mulher! *






Lá vem ela
a nova mulher!

Vem de dentro,
por entre brumas delicadamente  caminha.

Lá vem ela 
liberta e colorida
sentindo na pele a própria singularidade,
a dimensão inefável de seu ser.


Mulher!
Alma pulsante em corpo vivo,
beleza pura.
Amor jorrando incessante

da inesgotável fonte da ternura.


Lá vem ela! 
Todo santo dia, ela, 
uma nova mulher!


*Carmen Regina

Imagem blog Bhudism



sábado, 8 de novembro de 2014

NOITE*




Oculto dentro do silêncio
o zumbido
ultrapassa a zona dos sentidos.
As flores exalam enlouquecidas
despejando aromas em profusão.
Os Jasmineiros estão silenciosos.
os Beija-flores, adormecidos.

Lírios e Floripôndios venceram a batalha
dos aromas e servem, agora, poesia em taças
transbordantes do perfume inefável
com que cobrem o leito da noite,
inebriam a madrugada
e me embriagam.
Eu sonho.
Sonho¿


Carmen Regina*

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

*AMANHECER





"Aqui é sempre assim:
madrugadas rendeiras tecem o amanhecer
e a exuberância dos jardins.

Por ora, nada a fazer, espera pra ver
como é lindo o alvorecer.

Os gnomos brincam, as fadinhas dançam
com os raios de luz nas tangências das gotas de orvalho,
nanoniágaras preciosas,
beijos serenos nas folhas úmidas das manhãs.

Pouco a pouco chegam seus amores,
borboletas, bem-te-vis, sabiás, beija-flores...
Vêm no rastro do arrebol.

Não abra os olhos ainda, respira...
Sinta o aroma de fadas embalando a madrugada
que adormece ao pé do Sol.

Carmen Regina*







terça-feira, 4 de novembro de 2014

É DOCE MORRER





É doce morrer nesse mar
em noite de estrelas cheia,
teu hálito perfumando o céu,
boca, dentes, saliva, doce mel.
Jóias preciosas
acariciam teus poros
acalmam a alma valente
morta de frio, de medo, de sono,
de viver.


Borboletas celebram a noite celestial
xiitas kamikazes em sua nobre causa
vêm teu meigo arakiri e não estão nem aí.
Adeus!
Antes mesmo da hora zero celebremos o
transcendental
e renasçamos úmidos e doces
para o amor imortal.

Vem tingir minha realidade
com o tom da tua voz rubi,
com a luz dos teus olhos
descontrua meu coração,
trancado a 7 chaves
e lançado em teu a mar.
Coração-diamante, meu bem meu mal,
tornado, tempestade, vendaval
nas areias deste deserto de vida
oriente oásis miragem,
da terra do nada, paisagem.

Obrigada Mãe
pela felicidade legítima de ser o não-ter,
viver e morrer infinitamente
sem dor sem sofrer
puro êxtase
puro prazer."

*Carmen Regina
2004

Imagem Cristian Schloe 
Cultura Inquieta

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O dia amanheceu dourado




Tua Luz 


O dia amanheceu dourado e perfumado.
 

Peço ainda mais calor humano 


para louvar este Sol 


que alumia o prado 


do meu olhar mais terno.
 

Peço um incenso 


Para acender no bico do pequenino raio de luz
 

que adentra a janela do meu peito

 
abraçado à brisa que chega e não fica

,
a lembrar que o tempo

 
é um acidente geográfico do eterno

existe em uma única dimensão e, 


nela, inexoravelmente,


passa..


Carmen Dias