quarta-feira, 8 de novembro de 2023

*ATÉ QUANDO...?

 

*ATÉ QUANDO...?

Até quando desmontar as tralhas e seguir,

sabe deus para onde, outra vez ...

Até quando ...?

jardins e quintais deixar, 

e seguir,

a buscar um novo lar,

um novo jardim a plantar

e a florir 

sabe Deus, em que lugar...

Quisera um porto seguro,

céu azul mar em paz, quisera ...

Descansar os sonhos,

cantar canções de adormecer 

à beira do a mar.

*Carmen Dias




 

 

COMO É BOM SER POETA



Ah, como é bom ser poeta!
Criar, criar e criar.
Crio, sim, crio, crio, e crio.
Enquanto crio,
os  laços vão se formando,
laços que vêm das estrelas,
laços enlaçando almas.

Crio enquanto brinco
a brincadeira de crianças
de procurar amigos escondidos.
E os laços vão surgindo,
ternos, eternos,
indeléveis.

Crio e cuido.
Para serem firmes.
Para que unam.
E sejam pontes sobre águas turbulentas,
varais estendidos sob o sol da vida,
nossas roupas dependuradas, 
suadas de tanto brincar.

Crio laços para o show dos equilibristas,
dos eternos buscadores,
laços condutores,
feito com  fios sagrados
como o fio de Ariadne,
conduzindo, conduzindo, conduzindo...

Crio laços para embelezar o presente
de cada dia.

Carmen Dias*

Na noite que se inicia


Na noite que se inicia o e terno canta uma melodia.
Na ponta da língua, sutil como um gemido,
vibra uma nova poesia.

Eu sei de onde vem essa nota  que me toca,
essa harmonia que me alivia,
essa carícia no coração.

Preciso escrever. Procuro uma  pauta.
E Eros vem dançar  na palma da minha mão.
Procuro uma pena;
e meus dedos deslizam na tela do imaginário.

Suplico por tintas;
e em minhas retinas nascem o arco-iris, o céu,
florestas e mares, miríades de estrelas e flores
que se vão pintando no delicado tecido de tua pele,
que eu adivinho.


Cantares de CarminaReginae *

SE NÃOFOSSE A INUNDAÇÃO



Se não fosse a inundação

era mais seco o sertão,

Se não fosse a chuvarada

isso aqui nem dava nada.

 

... Que dirá meu coração...

 Que não vive sem o mimo

de um raito de sol,

malacostumado que é,

não vive sem cafuné...

 

Mas cafuné como o teu,

 Macio, gostoso, dengoso...

Daqueles que é só começar

e o sertão já vira mar.

 

E se mar vira sertão...

 Que dirá meu coração!

Terreno todo adubado,

Tanto de trigo plantado

Mas água que é bom..

 


sábado, 9 de julho de 2022

ANJO

Era um anjo. 

Até começar a beber da taça dos mortais. 

 Agora, cultiva ervas daninhas, 

 agora, destila sua própria cicuta. 

 Não sabe o mal que se faz. 

 Pobre anjo! 

 Não resistiu ao chão movediço de suas criações. 

 A alma apagou a luz e ele dormiu. 

 Ainda dorme, pobre anjo! 

 Enquanto dorme, nutre fantasias e ilusões. 

 Já não sabe estar sozinho. 

 O anjo, agora, é multidões.

Carmen Dias*




sexta-feira, 17 de maio de 2019

*POR QUE DESCEMOS TANTO?*





POR QUE DESCEMOS...?*

Segue a caravana da ignomínia
na noite breu milenar,
a bordo,  milhões de semi-vivos.

Por fora, desalmados, por dentro, sonolentos.
A ignorância canta, a crueldade balança o berço,
para que durmam infinitamente.

Cortai e libertai, meu Pai.
Curai as feridas causadas pelos grilhões.
Livrai-nos do sono e da cegueira!
Ou, então, é melhor retornarmos ao tempo
em que o espírito repousava na pedra.

Por que descemos tanto?...

Carmen Dias*
Foto de Thiago Gonçalves

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Cadê a onda de ternura ....




Cadê a onda de ternura,
ainda há pouco aqui,
indo e vindo,
espuma macia no dorso do a mar?

Meu con sorte,talismã di amante,
onde andará?

No tapete da nebulosa,
milhões de estrelas  silenciosas brilham
para milhões de sóis.
A tarde  balança  o berço da noite,

Ao pé do sonho
canto cantigas de acordar
o a mar ...

a noite segue seu curso






A noite segue seu curso.
Involuntariamente (?)
A lua mingua, incansável,
já está nas alturas,
as estrelas nem  saem do  lugar.

(Os  astros sabem para onde vão
já, eu, não sei aonde vou parar).

A minha estrada é longa,
adornada de flores,
cheias  de pedras, nem sempre gentis,
sob meus pés.
O destino, ora ditoso ora  tinhoso, 
ou é calmaria, ou é revés.

O amor permanece
entre o corpo e a alma,
como bem se quis
e que me faz tão feliz.

Carmen Dias*


sábado, 15 de outubro de 2016

luar



Entre estrelas e nuvens,
alheia aos desvarios humanos,
segue a Lua o seu traçado no céu.
Solitária e muda, lança o seu manto dourado,
fogo em forma de luar,
por sobre as águas do a mar.


Há um abismo entre vida e sonho.
E um único fio, tenro e delicado,
por sobre o vazio colocado
para o equilibrista passar.
Ah, essa Lua palpitante, esse luar instigante,
esse súbito desejo de atravessar!...


Uma lança atravessa o espaço
e rasga o peito da noite à  beira do a mar.
Nenhum grito, nenhum gemido.
Os desejos que trago comigo
se dissolvem no açoite
dos raios de luar.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Uma flor




*Uma flor
Chove lá fora ...
Passarinhos estão silenciosos, só Sabiá se atreve a cantar.
Nenhuma abelha, nenhum zumbido no ar, mas...

Uma flor chora num canto do jardim.
Seu lamento passa despercebido.
Chuva e lágrimas se confundem, a mesma umidade,
o mesmo frio doendo por dentro ...

Uma flor chora sua dor para si mesma.
E elas aumentam a cada soluço seu.
Ninguém a vê chorar, sequer um tufo de mato a percebe.

Uma flor chora silenciosamente num canto do jardim.
Melancolia? Solidão?
Flor tão bela, tão viçosa...
Bela e rubra. Viçosa e macia. Sente dor, quem diria! ...

Uma flor chora copiosamente. O que lhe vai no coração?
A chuva acabou, beija flor despertou ...Voa até ela,
demonstrar sua admiração, seu carinho,
aspirar seu perfume ...
Dançar ao seu redor freneticamente.

Uma flor sorri de canto de olho...

Carmen Regina*
12/10/2016
Imagem: Cultura Inquieta Christian Scloé
Para a amiga Vera, com carinho, Feliz Aniversário