quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Registro de Poesia









No livro do E terno


Poeta se achega de manso,
e ocupa  lugar no momento.

No mesmo instante, se espessa
e se apossa da forma, a alma.
A mente cochila,
as máos se tornam maleáveis,
tapete de nuvem se estende no chão,
os sentidos giram, alucinado
s,
o corpo serena, o poeta se acalma.
As brisas passam, varrendo tudo,
as penas flutuam no campo de pouso do peito
do poeta.
O tempo para pra ouvir o zumbido das abelhas.
É a hora do anjo.


Nasce poesia na manjedoura da língua.
O mel escorre pelo canto da boca 
do poeta
solitário, em seu trabalho de parto.


A abelha rainha entrega sua oferenda,
alma nas pontas dos dedos.
No céu, uma lua branca anuncia
o registro de Poesia
no livro do E terno.


Carmen Regina 


imagem do google

1 comentários:

Sergio Bittencourt disse...

Que forma mais linda de narrar o nascer da poesia!
Mais uma vez fiquei fascinado.

Abraço.