domingo, 14 de novembro de 2010

ANJO



Era um anjo,
até começar a beber da taça dos mortais.

Agora, cultiva ervas daninhas e se espalha;
agora, destila sua própria cicuta.

Não sabe o mal que se faz.
Pobre anjo,

Não resistiu ao chão movediço
de suas próprias criações.

A alma apagou a luz e ele dormiu.
Ainda dorme, pobre anjo.

Enquanto dorme
nutre fantasias, cria ilusões.

Já não sabe estar sozinho.
O anjo agora é multidões.


carmen

meus termos

OS TERMOS DA POESIA* 
 Não se engane com meus termos 
 não são empíricos, 
não são palpáveis 
Meus termos não são deste mundo 
eles se desenrolam em universos paralelos 
surdos aos que só desejam entender 
Eu pego o fio no novelo dos sonhos 
 nem bem abro os olhos para o sol 
saio bordando os instantes 
À noite, com ou sem luar 
coloco os termos pra sonhar 
E eles despertam, saboreáveis feito poemas

sábado, 30 de outubro de 2010

fios de sonhos tecem a vida...



*Anelo

E de um anelo profundo
sementes de outro mundo
começam a  germinar.

E de todas as palavras
docemente cultivadas,
brotam poemas melados,
rimas de beijos molhados,
desejos a versejar.

Agora, não tem mais jeito
o mundo ficou perfeito,
sonhos se abrem no peito,
mundo inteiro quer amar.

Carmen Regina*

imagem do site tommpool.com



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Abismo



*A flor

ardente, labareda viva
o fogo se propaga 
impiedosamente

A noite cai
generosa e obscura
sobre as palavras

Teu peito nu
é o papel perfeito
para as mãos do poeta

Acendo a vela
coloco na boca do vulcão
E o poema vai se criando

Apaixonado
Como me atrai essa flor
esse perfume na boca do abismo...


Carmen Regina
 imagem do google

sábado, 23 de outubro de 2010

desejos

Madrugada

Choram os desejos
 como gatos no cio,
quais  bebês pedindo seio
desejam ser amamentados.

Felizes os que acalmam
o pranto dos desejos
com  poemas de amor e paixão.
Eu, não.

 Eu deixo que chorem a noite inteira,
Não vou dormir,
 de qualquer maneira,



Viro para o lado,
espero
até que o poeta se sinta desejado.


Carmen Regina*
@carmenrdias 


foto do Google

domingo, 17 de outubro de 2010

a cor dar




Quando a cor dei, 
as flores estavam abraçadas às pétalas,
havia orvalho, gotas cristalinas de uma lucidez inexplicável.

Os pássaros cantavam à  delicadeza da manhã dourada,
sinfonia de brisa 
despertando os ninhos adormecidos no colo das estrelas.

Como gosto de acordar em ti, 
quando passas, qual vento norte,
por minha nuca, entre os fios dos meus cabelos, 
à flor da pele!...

Sou o éter quando me sinto abraçada por tua leveza,
que nem é humana, 
é sopro, carícia, prana, elemental dos anjos

que me beija toda vez que abro os olhos 
e minhas mãos se estendem
para o nada 
em que tu brincas de ser a ternura 
do ar que respiro.


Smirama
by Carmen Regina