segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Beijar você...





Beijar



É encostar meus lábios nos teus
e imaginar
um céu cheio de estrelas,
uma a uma
caindo, em chamas,
dentro
da minha boca.




Della Saura
imagem do site deviant art !!!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

fico...



Ficaria mais

se você deixasse
se você quisesse
se você chamasse
e

se você viesse
e me abraçasse
e me beijasse
e

adivinhasse
meus desejos
e
me amasse



Carmen Regina

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Soltar as amarras



"Soltar as amarras
quem sabe seja
deixar o vento me levar
ao sonho à beira do a mar.

Vem uma onda e me agarra,
vem outra onda e me beija.

E tudo que eu mais queria
era um cadim de poesia
pra trocar com esta flor
por um poema de amor.

Vem um verso e me agarra,
vem outro verso e me beija.

Soltar as amarras
quem sabe seja
ouvir a água que rumoreja
nos sonhos à beira do a mar.

Vens em ondas e me agarras,
ondas e mais ondas me beijam."


Carmen Regina
foto de Selina De Maeyer site photo net

domingo, 18 de julho de 2010

poema a quatro mãos

Parto


A noite está tão fria..., fecho as portas e parto
em busca da tua companhia.

Sigo só; além do coração, levo nada,
além dos dedos endurecidos, as mãos geladas.

Sigo em frente, coração diz que valerá a pena
 juntar nossas mãos num poema.

Ah, o abismo que busquei a vida inteira...
Agora, caminho à beira.

Na beira do abismo as palavras dão em cachos
como uvas saborosas, ora falantes, ora silenciosas;

Nessa ponta de abismo a voz de veludo põe lírios
em minha nuca, abala minhas estruturas;

Essa voz que eu conheço, andarilha e macia,
planta em mim versos ébrios de poesia.

A noite se veste de afeto e paixão,
o poeta contempla a estrela polar refletida no chão.





Carmen Regina

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os termos...


Instalação de Antonio Carlos Machado, Ouro no Prêmio João Turim





Não se engane com meus termos.
Não são empíricos, não são palpáveis,
não são deste mundo,
desenrolam-se em universos paralelos,
surdos aos que só desejam entender.

Eu pego o fio no novelo dos sonhos
e, nem bem o sol abre os olhos,
já saio bordando os instantes.

À noite, com ou sem luar,
coloco os termos pra sonhar
e eles despertam, saboreáveis,
feito poemas.

Carmen Regina



***

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

um brinco de lua




O brinco solitário da lua brilha
na orelha esquerda da noite.
O piercing de estrela é sua única companhia;
por fora, minúsculo cristal radiante,
adorno e complemento,
por dentro cintila mais que milhões de sóis.


É sua estrela polar, seu sol microscópico,
tão distante ao olhar telescópico,
e a um só tempo tão próxima do luar.
Cabem inteiros no zoom do poeta. 



O colar de versos que guardei
pra usar quando chegasse esse dia,
essa hora macia e terna,  
as flores noturnas perfumando-me 
as ninfas despindo-me
e instilando desejos em minhas veias 
com a seringa da poesia,
onde  estará?


Carmen