segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
AROMAS DA NOITE
Tela de Ximena Henrico Galegos
Aromas da noite
A tarde estremeceu,
o sol se deita aos pés do horizonte;
logo mais, a noite cairá do céu,
buquê delírios nas mãos,
sorrindo para os meus sonhos.
Meus sonhos, minha vida,
sonhos bem sonhado, bem
tecidos,
bordados noite e dia
com fios de dentro pra fora
compondo,
em filigrana,
a delicada trama das horas
em que me inspira Poesia.
Em lugar de nós, laços,
pequenos lacinhos,
suaves e tenros,
como esse desejo que,
agora, me aflora.
As flores exalam, enlouquecidas,
há um zumbido em meu ouvido,
um silêncio profundo dentro do som
e isso ultrapassa meus sentidos.
Os jasmineiros estão silenciosos,
Os beijaflores, empertigados,
as floripöndios vencem a batalha
dos aromas
com sua poesia em forma de taças
brancas,
transbordantes do perfume inefável
com que cobrem o leito da noite.
E me embriagam.
Carmen Regina
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A DIMENSÃO DAS FLORES E DAS CORES
Jasmins
angélicas
floripôndios
açucenas
damas da noite
Brancas flores sensuais
aromas espirituais
tocam-me os sentidos
como delicados açoites,
inebriam-me
Neste instante sem fim
esqueço quem sou,
perco-me de mim,
flutuo
na dimensão das cores
Rompem-se os véus
e eu adentro a dimensão das cores
para depois,
muito depois,
retornar ao branco original.
Carmen Regina*
muito depois,
retornar ao branco original.
Carmen Regina*
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A paz que trago
A paz que trago, não é mesma que engulo,
encontro da sacerdotisa com o mago,
torna em areias meu poema nulo.
A paz que persigo
é a mesma que trago comigo,
paz dos campos de trigo.
Além, muito além da poesia,
flutua sobre a melancolia
que re invento a qualquer momento.
Paz, simplesmente ela,
que me invade
nesta tarde.
Aroma de flor Astral,
rosa amarela,
perfumando o
quintal.
Não posso vê-la,
nem tocá-la,
Mas sei: é Paz.
Eu a daria a ti,
meu amigo
mas, se ela, de
mim desobrigo
Já não dorme mais comigo.
Serenidade.
Como convém e faz tão bem
ao poeta na alma.
Paz.
Quando vem, sou-a
e ela, subitamente, me é e me acalma.
Carmen Regina
segunda-feira, 16 de abril de 2012
vagam lumes
imagem by site fotográfico Devian Art
Caçadora de versos
Vou devagar
Vagam lumes na noite
A poesia voa em bandos
iluminando a noite
A poesia voa em bandos
iluminando a noite
pirilampos riscando o breu .
Caçadora de versos
corro atrás das lamparinas
Que dançam, se oferecem
depois se esquivam, sobem, descem...
depois se esquivam, sobem, descem...
Vou devagar
no compasso do coração
suavemente...
suavemente...
miro e, ... póf!
Brilham na palma da mão...
*Carmen Regina
Brilham na palma da mão...
*Carmen Regina
*
domingo, 15 de abril de 2012
Divindade
[...]
Divinos eram os deuses
antes que Eros te criasse
e tu me oferecesses a maçã do amor,
que ficou grudada no céu da minha boca
junto com teu beijo.
Divino é o teu hálito,
tempo todo semeando primaveras
nos Jardins do meu peito.
[...]*Carmen Regina
quarta-feira, 11 de abril de 2012
sabor e arte
A sós
com meus pensares e sentires,
o luar e as estrelas beijando-me,
tua lembrança me vem
com a vastidão dos oceanos,
e a pureza cristalina das águas doces
dos mares subterrâneos.
Poço de insondáveis mistérios,
sonho
sabor e arte.
imagem: beateles blogspot
/
domingo, 4 de março de 2012
entrega
Ó, Alma do Universo,
trago a ti palavras cheias de mim,
densas, carregadas de sono e cansaço,
trago-as, na esperança de que o teu silëncio as formate
e as torne límpidas, cristalinas e leves,
como a paina, a flor do dente de leão,
as nuvens de algodão,
translúcidas, como bolhas de sabão.
Trago, também, meu coração nas pontas dos dedos.
Para que tu os mova e eles aprendam
a escrever em teu nome e sob o teu olhar.
Estes olhos, tão meus e que vivem fechados, tos dou,
- a ver se se abrem à tua realidade.
Dou-te, outrossim, minha língua
para que a ensines a falar em amor,
e meu amor também te dou,
para que contigo ame a tudo que existe
como a um irmão, uma irmã, como à tua criação,
sem diferenciar coisas,
bichos, montanhas, pedras, animais, rios e gente, nuvens e estrelas.
Coloco diante de ti o corpóreo que penso ser,
para que me mostres onde tu estás
nessa chama invisível e incorpórea
que Eu Sou.
Também esta chama te entrego e, com ela,
as cinzas que restam de mim no chão.
Se algo sublime nelas puder ser percebido,
que seja a essência, o imã,
o laço que me liga a Ti
e à Tua criação.
Carmen Regina
sábado, 11 de fevereiro de 2012
noite a dentro ...
(imagem do Google)
Noite adentro
Carmen Regina
Fecho os olhos, a noite se cala.
Não há nada que não seja sentido.
Sinto. Ah!... primeiro o incenso,
saboreio o espiritual;
Agora, a mansidão da chuva,
algum ruído incidental
e o zumbido intermitente do éter no ar,
milhões de cigarras em uníssono,
mantra,
a noite do universo dentro da minha cabeça.
Conflitos e contradições emergem...
Que sei eu do que serei em seguida ao espanto,
se já quase nada me espanta?
Maravilho-me diante do inesperado...
As palavras que me tocam
despertam a loba,
morta de fome.
Acorda o poeta no mundo dos sentidos.
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