sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

perfumosa e branquita



Branquita

Encosto meu olhar na floripôndio.
Ainda é branca,
ainda não murchou.
Acaso duram mais que uma noite?

Que bela flor! Alva e perfumada!...
Juntas, em noite de lua crescente
lembram garças ao entardecer.
Ao amanhecer estão pálidas de orvalho.

Cornetas de anjo!
Entoam acordes inefáveis, embriagam.
Mas, como as damas da noite,
vivem menos tempo que as borboletas.

Acaso já viste uma floripôndio chorando,
lamentando, Ó, dor? E olha que com toda
a sua maciez e esplendor nenhuma delas
sentiu o toque sutil do bico de um beija flor!

Eu, todavia, ouso imaginar
sua paixão pelo luar.
Uma única noite em seus braços
e valeu, a vida inteira.

carmen

Um comentário:

Sergio Bittencourt disse...

Queria eu voar, ver os campos de um ângulo superior. Atravessar desertos num plano deslizante e acordar em meio ao jardim, como uma borboleta pintada pelos raios da manhã. Como almejo conhecer estas espécies de flor, mas de que adianta, se

"com toda
a sua maciez e esplendor nenhuma delas
sentiu o toque sutil do bico de um beija flor!"