quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Abismo



*A flor

ardente, labareda viva
o fogo se propaga 
impiedosamente

A noite cai
generosa e obscura
sobre as palavras

Teu peito nu
é o papel perfeito
para as mãos do poeta

Acendo a vela
coloco na boca do vulcão
E o poema vai se criando

Apaixonado
Como me atrai essa flor
esse perfume na boca do abismo...


Carmen Regina
 imagem do google

sábado, 23 de outubro de 2010

desejos

Madrugada

Choram os desejos
 como gatos no cio,
quais  bebês pedindo seio
desejam ser amamentados.

Felizes os que acalmam
o pranto dos desejos
com  poemas de amor e paixão.
Eu, não.

 Eu deixo que chorem a noite inteira,
Não vou dormir,
 de qualquer maneira,



Viro para o lado,
espero
até que o poeta se sinta desejado.


Carmen Regina*
@carmenrdias 


foto do Google

domingo, 17 de outubro de 2010

a cor dar




Quando a cor dei, 
as flores estavam abraçadas às pétalas,
havia orvalho, gotas cristalinas de uma lucidez inexplicável.

Os pássaros cantavam à  delicadeza da manhã dourada,
sinfonia de brisa 
despertando os ninhos adormecidos no colo das estrelas.

Como gosto de acordar em ti, 
quando passas, qual vento norte,
por minha nuca, entre os fios dos meus cabelos, 
à flor da pele!...

Sou o éter quando me sinto abraçada por tua leveza,
que nem é humana, 
é sopro, carícia, prana, elemental dos anjos

que me beija toda vez que abro os olhos 
e minhas mãos se estendem
para o nada 
em que tu brincas de ser a ternura 
do ar que respiro.


Smirama
by Carmen Regina

segunda-feira, 13 de setembro de 2010


A flauta do amor


Era dentro de si que ela estava,
o tempo todo ali,
flauta invisível, sutil melodia
tocando dentro de si.

Canção predileta dos deuses,
todavia, não se a ouvia,
seus ouvidos voltavam-se pra fora
e, fora, ele se perdia.

Vagou por ermos inomináveis,
dormiu em colos febris,
queria tudo, e tudo era nada...

Perdeu-se na estrada,
E, agora, retorna, poeta na alma,
como sempre se quis.




Della Saura
                                                    

domingo, 12 de setembro de 2010



Eu ia te mostrar tantas coisas

Se tu fosses tu,

mas tu não és.

Foi um vacilo,

Umpiscar do meu olhar luxuriante,

Uma ilusão premeditada

Para dar consistência aos desejos.

Queria sentir o que sentiria a alma

Se fosse humana

Desculpa se foi fugaz,

Fogo fátuo.

Juro que te daria muito mais,

Te contaria os meus secretos de amor e paixão

Que ninguém nunca sonhou,

Tesouros do corpo e da alma

Que eu iria te entregar

Se tu fosses tu.

Mas tu não eras.


Smírama
by Carmen Regina

Imagem: O Cisne e Ieda, de Boris Valejo


[i] arte da poetisa e filósofa  Sônia C.Prazeres, minha amiga.