terça-feira, 21 de julho de 2009

Flauta de Eros

A flauta do amor


Era dentro de si que ele estava.
O tempo todo ali,
flauta invisível, sutil melodia,
o tempo todo tocando dentro de si.

Era a canção predileta dos deuses,
todavia, não se a ouvia,
seus ouvidos voltavam-se para fora.
Lá, ele não estava, fora, ele se perdia.

Vagou por ermos inomináveis,
Dormiu no colo dos sentidos febris,
queria tudo, e tudo era nada...

Perdeu-se na estrada, e agora, retorna,
poesia na ponta da língua,
poeta na alma, como sempre o quis.


Carmen Regina

2 comentários:

José Heitor Santiago disse...

Belíssima a Flauta de Eros!
Melodiosos os sons das palavras, a vibração que ecoa nos céus!...

Deixo-lhe um poema;



Fá-lo de ti...

No ceio
de todo o conflito
está o sexo;
os papéis,
e a identidade,
a (pre)dominância,
e o poder
do género...

E o amor?!
Fá-lo de ti,
na vertical,
viril essência
da condição humana.

Fértil
e mãe
é-nos a Terra.


josé heitor santiago


Abraços-poema!

Sergio Bittencourt disse...

"Voltar, voltar aos velhos tempos
Dar é muito mais que receber
Viver em tempos que a preocupação
Já não tem motivo de existir"



(SB, 1978)