quarta-feira, 27 de abril de 2011

a roseira do oleiro



ROSEIRA



Ouvir-te e ouvir-te e ouvir-te,
até que o que eu sou se revele no silêncio
da tua prosa;
até que as montanhas se dissolvam 
e se possa, enfim, 
tocar a textura ímpar da rosa.


Ouvir-te, ouvir-te e ouvir-te,
e ouvir ao vale em seu ecoar infindável;
até que se revelem as palavras sequiosas
das ninfas que se deitam nas páginas do rei,
e se possa ler,
o que, eu ainda não sei.


Ouvir-te, ouvir-te e jamais tocar-te,
por mãos não possuir, 
e por nada ser 
além do que se molda na argila do tempo,
que tanto cria obras de arte 
como sonhos,  poesia e sentimento.


Todavia, 
sou feita do fogo, do éter e da ternura,
as bitolas se derretem, os moldes se dissipam,
a ternura vaza por entre os dedos do oleiro,
tomba ao chão 
e se vai juntar, singular e faceira,
aos pés da eterna roseira,


Smírama, by Carmen Regina 
Foto de Madalena martins, site
fotográfico olharesaeiou.com

***

3 comentários:

Menina no Sotão disse...

Tem poema que só faz existir silêncio na pele, por dentro e por fora. Então vem o suspiro que quer ficar lá dentro e a gente insistindo em vir cá pra fora. rs
bacio

Raimundo Barros disse...

Ler-te, ler-te, ler-te!...

Sentir poesia!

bjs,

jj

Sônia C. Prazeres disse...

Coisa mais doce e linda de poema. Parece música e já imagino alguém cantarolando suavemente...
Parabéns amiga-poesia.