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Acordei pela manhá e encontrei sua carta.
Náo sei o que ela diz porque não sei ler.
Deixarei o sábio entregue a seus livros, não o pertubarei,
pois ninguém tem certeza de que ele sabe ler o que a carta diz.
Deixa-me encostá-la na fronte e apertá-la de encontro ao coração.
Quando a noite emudecer e as estrelas surgirem uma a uma, abri-la-ei
em meu regaço e ficarei silencioso.
As folhas sussurrantes a lerão alto para mim,
o riacho murmurante a modulará, e do céu as sete
estrelas sábias a cantarão para mim.
Náo posso achar o que procuro, não posso entender
o que desejara entender.
Mas esta carta que não li, aliviou minha carga
e transformou meus pensamentos em canções.
Rabindranath Tagore
Em Colheita de Frutos
Tradução de Abgar Renault
Editora José Olymio, 1945