sábado, 27 de junho de 2009

alma


Não fosse ela...


Não fosse o zumbido do éter,
o aroma das rosas esquecidas,
o ronco do navio, plenilúnio,
estrelas riscando o céu...
O silêncio se faria .
E se navegaria esse instante
como num oceano de mel .

Não fosse o vento sorrateiro
soprando o tempo inteiro,
(desmanchando
meus castelos de areia)
quem avivaria a chama
que me incendeia?

Penso em ti.
Tua lembrança me faz suspirar.
Mil poesias dormem
na ponta da língua.
Mas minha alma se levanta
para ti buscar...


carmen

5 comentários:

José Heitor Santiago disse...

Alguém, que muito estimo, me designou, um dia, de poeta do Homem, e eu gostei. Depois em outra situação, conhecida, outra amável e gentil senhora e amiga, escreveu poeta do Universo. Reconheço-me, humildemente, mais com a primeira e atribuiria a segunda à poeta da Terra e dos Céus; a si!

Abraços poema,

jhs

José Heitor Santiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Heitor Santiago disse...

Grato pelos seus comentários!
Deixo-lhe o meu último pensamento poético;


Ser Seres

Oh, rei dos animais,
dono e senhor de toda a Terra,
que ainda ambicionas
apropriar-te de outros lugares,
além céu,
quando te confrontares,
(por exemplo),
com uma qualquer formiga
e a observares atentamente,
vê o que tão dignamente ela executa,
sem que o interrompe,
mesmo confrontada
com a altivez da tua presença.
Fá-lo, se possível,
com ainda mais respeito,
do que aquele que por ti tens,
assim como, por todos
os que te são mais semelhantes e próximos,
aos teus olhos.
Apesar de parecer frágil e pequena,
é tão grande como tu,
e como os teus demais súbitos,
mesmo os que são temíveis;
pelo tamanho e/ou perigosidade…
Se souberes, assim, (re)conhecê-la,
com humildade,
admirando o seu belíssimo porte,
então estarás mais perto
de te sentires a grandeza de Deus,
e de entenderes o que apenas te chega
para seres o Ser e todos os Seres.

José Heitor Santiago


Bom fim-de-semana!

Abraço-poema!

José Heitor Santiago disse...

Descobri este poema. Tinha-o já começado, não sei quando, mas estava por trabalhar. Hoje, completei-o.
Este Mercúrio no Caranguejo em conj ao Sol natal, quer que eu escreva. E por acaso há neste texto referências às casas IV e X. Será ele?! rsrs



Acordai

O fim do mundo,
o fim dos tempos…
Quem me dera
que fosse já hoje.

Mas ainda faltam tantos dias,
para que se persista neste inferno
de homens adormecidos na dor,
outros de virilidade ferida,
e muitos moribundos, por tão pouco…

Onde fica a coragem de cada um
para que se faça acordar
da letargia da cegueira,
na madrugada de todos,
pela luz da mesma consciência
ao caminho de todos os futuros?

Bastará, um ficar de fora
para que não se cumpra,
em vitória, a Grande Batalha.

É no lado de dentro
que se descobrem o mal
e as armas que o aniquile
e o espaço a ser (re)construído de raiz,
também berço de afluente
que correrá em direcção
ao sol do meio-dia,
de um qualquer solstício de Inverno.

É no lado de fora
que a pobreza
ainda se mostra,
com arrogância,
iludida,
de rica.
Mas já está morta;
por afogamento na imagem.

acordai acordai acordai


josé Heitor Santiago


Abraços poema!

jhs

Sergio Bittencourt disse...

Fico extasiado ao tentar me imaginar navegando "esse instante
como num oceano de mel". Qual o porto que se tomaria tal nau? Há passagem pra mais um? A viagem é perene?