quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NEM PRECISA...


NEM PRECISA

Nem precisava palavras,
de repente só um sorriso teu,
um suave farfalhar de asas.

Distâncias nos separam,
todavia, como explicar-te assim
dentro de mim?

Sentes?
Eu adoro esse teu perfume
(louco)
de jasmim.

Nem precisa palavras, sabe...
Só um sorriso teu,
e já me pego no céu,

Em chamas,
já sinto a terra macia sob os pés,
qual capucho de algodão.


Carmen Regina - Imagem: site olhares aeiou

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Flor & Dor




Fez-se em Flor.

Fez-se rubra, doce e macia.

Como a Poesia que as Rosas comem,

E que os Beija flores assopram – fúúúúúú!...

Chove Ternura em pétalas brancas, leveza de nuvem

Flutuando sobre os canteiros de lírios,

Alvas bocas abertas ao orvalho frio,

À garoa sem fim que cobre

O desassossego.

Fez-se em Dor.

E se deitou com o poeta na alma.


Carmen Regina

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ENQUANTO CORREMOS COM LOBOS

Meu Sol

Sim, que és minha estrela,
Então...
Vem!
Ou ensina-me a te alcançar.
Não sei caminhar sozinha,
O designio, ao acaso, é quem me leva
Aonde quero chegar.

És minha estrela Polar.
Mostra-me as pegadas dos astros,
Nossos irmãos e irmãs
Que correm com galáxias
Enquanto corremos com lobos.

Vem, meu Irmão,
Ilumina meu ser
com o sol imanente do teu coração,
Mostra-me o álbum de sensações,
Revela-me o que contemplas quando brincas
Com tuas Argênteas irmãs...

Sim, tu és a minha estrela,
E por assim ser,
Vem!
Entra pela minha boca agora,
E brilha para sempre
No mais alto céu,
Fonte de todos os sentidos,
Sede de todos os desejos.


Carmen Regina

sábado, 1 de agosto de 2009

Das Plêiades sussurram...

INS PIRAÇÃO



Miro em ti, Espelho do Lago, e verto-me em poesia;
ser diferente nem poderia, das Plêiades sussurram os irmãos,
do mais alto céu contempla-nos a Sabedoria.

Da ponta de abismo que o Poeta na Alma escolheu
para assentar seu poema, contemplo a seara, imensa...
Tu na enxada, eu no arado. As sementes caem do céu.

Tudo mais, diz o Poetaanjo: - é água.

Tudo mais, diz Poesia: - é mel.


Carmen Regina

quinta-feira, 23 de julho de 2009

POÇO PRO FUNDO









Velho poço 

Velho poeta 

Profundeza abissal 

 Mergulho vertical 

 O poeta chora na descida 

qual manivela trazendo a água 

 do fundo do poço
 
 melhor momento da escalada do ser. 


 Assim nascem os bebês, 

 firmam os pés em algo sólido 

lá dentro 

e impulsionam-se em direção à luz.


 O poema se ilumina 

 E do mergulho profundo 

renasce o poeta no mundo.

crd*

quarta-feira, 22 de julho de 2009

No colo da Mãe...


Nas asas da alma

Noite a dentro, minha alma adentra
dimensões desconhecidas,
à procura de ti.
Suas asas me levam ao teu encontro.
Encontraremos o caminho?
Temo. Tremo de ansiedade,
gemo de vontade de te encontrar.

(Era tão mais fácil seguir a costa,
mar a fora, voando sobre a orla,
seria fácil te achar).

Mas ela insiste: nem é por ali,
via da saudade, onde a lua engoliu o sol
e os humanos tornaram-se vulneráveis.

Está em outro lugar, lá,
onde os deuses aboliram a dor
por não precisarem dela.
É lá que das dores se refaz, no colo da Mãe,
em paz.

Pedi tanto para estar com ela...
Passei a noite a procurar.
Sem encontrar.

Até que o dia nasceu.
A bordo de suas asas atravesso esse dia
procurando em todas as dimensões
onde se escondeu
minha mãe, minha doce poesia.

Carmen Regina


terça-feira, 21 de julho de 2009

Flauta de Eros

A flauta do amor


Era dentro de si que ele estava.
O tempo todo ali,
flauta invisível, sutil melodia,
o tempo todo tocando dentro de si.

Era a canção predileta dos deuses,
todavia, não se a ouvia,
seus ouvidos voltavam-se para fora.
Lá, ele não estava, fora, ele se perdia.

Vagou por ermos inomináveis,
Dormiu no colo dos sentidos febris,
queria tudo, e tudo era nada...

Perdeu-se na estrada, e agora, retorna,
poesia na ponta da língua,
poeta na alma, como sempre o quis.


Carmen Regina

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A noite é um jardim de lírios...

foto by google


A noite é uma criança
acesa, sem sono, bem acordada;
pelo jeito vai virar a madrugada...

[por que os grilos gritam assim?]

Ela não dorme, vira, revira, chora,
eu, cãozinho sem dono, sou descolado,
vou procurar um lugar quentinho,

[bem do teu lado...]

Que belo jardim!
Aconchego de ninho.
Relva delicada, macia, perfumada...

[de onde vem esse aroma?...]

Marquei o lugar para mim.
Jardim tem dono?
Se tiver, venho pé por pé

[na calada da noite...]

Me arrasto pela grama, fecho os olhos,
e que o manto da noite desça
todo bordado de luas e estrelas,

[...e pode ser que você venha]

Tão bom sonhar,
olhar as estrelas, a galáxia,
os vagalumes, o luar...


Carmen Regina

Amor e Poesia


Amor e Poesia


O amor a possuiu.
E tudo que ela via, pensava e vivia
era o amor
que nela via, pensava e fazia.

Foi ao céu.
O amor a fascinou,
identificou-se,
dissolveu-se nele.

Já não é mais poesia quem vive,
é o amor quem vive
nela.

O amor é amado.


Carmen Regina
imagem by google

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ver...

Ver


Abro-me.
E sou milhões
de peitos abertos,
legiões de corações
palpitando.
Observo...
Milhões de olhos
se abrem
dentro e fora
de mim,
Beleza e Poesia
passeiam
de mãos dadas
com a alma.
As pupilas, jardineiras,
semeiam Amor
no espaço
entre os abraços.
Jamais vi Ternura assim.
O poeta está maravilhado.
O Poema germina
na pauta branca
do infinito.


carmen