quarta-feira, 31 de agosto de 2011

nascimento de Poesia










O poeta se achega de manso
e ocupa um lugar no momento.
No mesmo instante, a alma se espessa
e se apossa da forma.

O tapete de nuvem se estende no chão,
a mente cochila,
as mãos tornam-se maleáveis,
os sentidos giram, alucinados,
o corpo serena, 
o poeta se acalma.

A brisa passa varrendo tudo,
as penas flutuam no campo de pouso do peito.
O tempo estanca para ouvir o zumbido
do ar e  das abelhas.

É a hora do anjo.
Nasce poesia na manjedoura da língua.
O mel escorre pelo canto da boca do poeta solitário
 em seu trabalho de parto.

A abelha rainha entrega sua oferenda,
alma nas pontas dos dedos.
No céu, a lua branca anuncia 
o Registro de Poesia
no livro do E terno.


Carmen Regina* 


imagem do google

terça-feira, 26 de julho de 2011

* TUAREG


Tu, 

tuareg das estrelas, miragem atrevida, 

sob o manto azul do céu,  

perfumas as areias desse meu deserto de vida.


Tocas tua flauta sob o firmamento 

e o seu lamento é como um açoite,

mel adoçando a boca da noite.


Entre dunas e palmeiras,

camelos, beduínos e trovadores

adormecem em meu peito todos os temores.






*Carmen Regina 




imagem de madredelama blogspot - Google

sábado, 9 de julho de 2011

Para a poesia ir ao a mar...




"Cobri a estrada 
com tapete de pétalas macias 
para o poeta pisar
quando for levar poesia 
para ver o a mar. 

Mas o poeta dorme.
Como se as estrelas fossem eternas, 
o fogo, inextinguível, 
o aroma das flores, sem fim. 
Náo chamarei o sábio para acordá-lo!
A sós com seus livros, 
que sabe o sábio de mim? 


Tudo dorme. 
Menos a flor ã beira do abismo.
E eu, 
que caminho perigosamente sobre ele.




*Carmen Regina

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Maktub




Um dia...
(estava escrito nas estrelas,
haveria de acontecer)
...

Era uma noite plena de magia,
(o Céu deitado com a Terra,
o mundo virado em melodias)...

Foi nessa noite linda
que o poeta conheceu a sua antiqüíssima poesia.
Amor e paixão a perder-se de vista!

Sons de mantras, sinos, hinos, vinho...
No caldeirão, doce ilusão fervilhando,
e a poesia, dos perigos da ternura,
nem se tocando...

Era mágica e linda, realmente,
essa noite longínqua do vida à fora.
mas, lá pelas tantas,
inexplicavelmente,
entre deuses e deusas conspirando,
o poeta pegou sua cruz e zás!
foi-se embora.

Não percebeu a joaninha amarela
pousada em sua  lapela,
nem ouviu o seu pedido:
- Poeta, larga essa cruz
e vem comigo.



*Carmen Regina




*

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Beijo-te...




Beijo-te.
minha boca já é toda um riacho murmurante,
teus lábios, um mar de águas turbulentas.
Beijo-te, 
e embriago-me de amor.


Acaricio-te.
E não há oração mais sagrada 
que tocar-te a pele,
e minhas mãos não conhecem deleite maior
que a suavidade dos teus pelos.

Teu olhar se deita sobre mim
e as ninfas afloram aos meus poros,
querem sentir o perfume que exalas
enquanto deposito sobre o teu altar
a minha oferenda di amante.


*Carmen Regina
Imagem: site Olhares aeiou













***



domingo, 26 de junho de 2011

Dia do Sol: Plasticidades / João Manuel Marques Jacinto

Dia do Sol: Plasticidades 
João Manuel Marques Jacinto:


Já nascestes poeta

E com o dom de milenar sabedoria;

disfarçada de persona humana

mas de uma essência com muitos aléns!



Sois a estrela

que o céu um dia me fez olhar,

E desde aí sois luz para mim!


Abraços poema,


jhs

sexta-feira, 17 de junho de 2011

deixo chorarem





Madrugada



Os desejos choram, como gatos no cio.

Como bebês pedindo o seio materno,

os desejos choram até serem alimentados.


Bem aventurados os que conseguem acalmar

o pranto dos desejos

com poemas de amor e paixão.


Eu, não, eu deixo que chorem 

a noite inteira

até que o poeta se sinta desejado.



Carmen Dias
7 8 2010




domingo, 12 de junho de 2011

Nossa história...





*Nossa história

O eterno repousa no colo do infinito,
poesia pulsa no peito do poeta,
Vida  vibra entre linhas,
essências raras flutuam no éter

Nas bolas diáfanas e sutis,
lindas em suas tangências,
voam bolhas leves, breves, multicores,
de beleza comparável à beleza das flores!

Nossa História!

Brancas nuvens no céu 
desenhando montanhas, dragões, anjos,
castelos, universos impermanentes e belos,
póf! póf! e póf!




O mais sáo lendas 
que as deusas cantam às crianças do Éden 
poesia preternatural, doçuras,
Nossa história! Best seller na estante celestial.


*Carmen Regina

Foto de Rarindra Prakarsa site Deviant Art, os magníficos!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

o amor do irmáo da alma veste a nudez das minhas fragilidades





FRAGILIDADE

Observo as pequenas bolhas esvoaçantes,
fractais evanescentes nas tangentes...
Lá se vai outra ilusão!
 Beleza feita de sopro, água, canudo e sabão.

Contemplo o semblante do Irmão:
Cristal delicado, taça pronta para o Rito.
E pow! Meu punho rasga no ar o belo rosto que fito.
 Beleza esculpida pelas mãos do Infinito.

Desenha-o  meu olhar,
Colore-o minhas próprias tintas,
Na face do Irmão que contemplo
Vejo o rosto do meu próprio mito.

 Rochedos do Éden, Fonte de Sabedoria,
Afluentes de Poesia
Correm mansos, sonhando o a mar.
A céu aberto, desperto,
És agua viva trans bordando a minha taça vazia.

 Dourados por sobre o prado: O amor caminha ao meu lado.



Della Saura
by Carmen Regina






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