quarta-feira, 25 de junho de 2008

Poema Coletivo do Pessoa Tribalistas:


O que é um poema?
Apenas palavras. Mais nada.
E as palavras são fingimento e finta
Papel e tinta, apenas.
Senão, vejamos...
Assento-me sereno e calmo e,
na plenitude do meu olho que vê,
contemplo-me. Quem sou?
Sou um enigma, sou interrogações.
Decifra-me em cada linha , em cada verso,
descubra-me no momento certo.
Páro e penso:
- Sou eu buscando-me em cada verso,
sou eu mesmo desvelando-me em estrofes,
é o mim mesmo que procuro no poema que me inventa.
Mais uma vez, as palavras que me vestem são vazias
Somente em minha nudez reside, ainda que tardia,
uma semente de verdade .
Começo a me desesperar...
Por onde ando que não me acho,
Ó, alma minha, por que me deixa sozinho no meio da tempestade?
Num misto de espanto e assombro, percebo, num relance,
a imensa solidão do mundo que, pousada sobre meus ombros,
impede que eu avance pelos caminhos
É a hora da verdade, - quem sou ?
o poeta solitário e observador, ou sou o observado,
Atlas sofredor carregando o mundo nas costas?...
Porém, se o mundo nas costas carrego,
também sou por ele carregado,
Eis que, vivemos em simbiose,
piolho que sou desse globo desolado
nem senhor de tudo, nem pobre coitado,
um homem comum, simplesmente, um aprendiz
a andar pela vida de olhos bem abertos,
às vezes de forma concentrada, outras de forma distraída,
eventualmente cego, porém vivo,
e em constante observação de tudo que me cerca,
tentando apreender um jeito de seguir
não meramente resistindo, mas existindo
em busca de um final feliz


Carmen, Denise, JL, Sergio
foto by Ravindra site Photo.net

3 comentários:

Lalactah disse...

Nossa, esse poema é digno de uma moldura, porque ainda que lido todos os dias, sabido de cor, não perderia o brilho, a essência. Esse poema é a vida escrita. Esse poema é um dom.

Um grande beijo Carmen e além dos parabéns por ser você, obrigada pelo mesmo motivo!

Auristela Fusinato Wilhelm disse...

Seu blog é um espetáculo.

Sergio Bittencourt disse...

"-Sou eu buscando-me em cada verso,
sou eu mesmo desvelando-me em estrofes,
é o mim mesmo que procuro no poema que me inventa.
Mais uma vez, as palavras que me vestem são vazias
Somente em minha nudez reside, ainda que tardia,
uma semente de verdade ."

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