sexta-feira, 16 de maio de 2008

A cruz da poesia


Quando o poeta foi embora a tristeza abalou poesia.

Com cara de poema gótico arrancou as penas de suas asas

e fez para si mesma uma bela e invejável cruz.

Colocou-se deitada nela, infinitamente...


Sentiu frio no lugar onde antes haviam penas,

no lugar das asas, braços, ombros, pescoço,

costas, orelhas, rosto...


Um frio ardido e tão gelado que talvez pudesse ser definido

como o frio da morte.

Queria sentir o prazer da dor do poeta em seu corpo.


E sentiu. Mas não compreendeu.

Não fora criada para o frio, nem para a dor, nem era poeta.

Era simplesmente poesia.


Quando quis sair da cruz, viu que estava grudada.

Era primavera e os cravos despontavam nos canteiros

de suas mãos e pés.


Então ficou ali, deitada, crucificada,

milhares de poemas brotando de suas feridas.

Eram tantos ... alcançavam o céu.


Ficou ali, entregue, até ser sufocada

por eles,

tão densos, tão profundos, tão ternos,

tão eternos.



Carmen Regina Dias

2 comentários:

Rosamaira disse...

nossa....mto lindo...

te encontrei no orkut do Jenario...

amo poesia...e minha curiosidade me trouxe aki...

adorei....vou estar por aki direto...

e colokei umas poesias no meu space....mas mto dificil escolher algumas qd to axando uma mais linda q a outra...

dmaissssssss

bju e ateh daki a poko...

=)

Roberio Matos disse...

Maravilhoso, Carmen. Aliás, fantástico!