sábado, 24 de maio de 2008

Se não fosse...



*Ser tão...


Se não fosse a inundação
era mais seco o ser tão...
Se não fosse a chuvarada
isso aqui nem dava nada.


Que dirá meu coração...
Que não vive sem o mimo
de um raito de sol,
malacostumado que é,
não vive sem cafuné,


Mas cafuné como o teu,
macio, gostoso, dengoso,
daqueles que é só começar
e o sertão já vira mar...


Mas se mar vira sertão,
que dirá meu coração...
Terreno todo adubado,
tanto de lírio plantado


mas, água que é bom...

Carmen Regina*







foto by Devian Art

7 comentários:

Vera Lucia Bezerra disse...

Olhos Dágua

no sertão vertigem,
Á vinda da chuva a esperar...

Nesse reteso por vinco,
o equilíbrio á terra se dá

...foi regando pelo caminho,
as flores, os tantos bichinhos,
e os quantos romeiros pedindo!

...só agora pode se atentar,
tanta reza por um destino!
Rogam em votos pra plantação,

Que agora não pode molhar
Gota em gota, e aos pouquinhos...
Restou sereno matinal
morrendo de dor, no solo escaldante do trigal

Sergio Bittencourt disse...

Água






Não sei porque tanta chuva cai
em certos lugares
Havendo seca noutros,
mas descobri
quando se entrega a outro
recebe-se rendição semelhante.
As águas que correm nos olhos
Nem se comparam àquelas que fluem do coração.
Há nascentes que ainda não brotaram
Há rios que deixaram de correr
Há anseios e sentimentos não vividos
Há amores não atraídos.
Quem poderia se afogar num lago
sem nele ter caído ou entrado
inda que vagarosamente?
Sei apenas que o mar recebe todas as águas
Quentes, frias, finas, torrenciais, imensas, poluídas...
Porque não chove mais no meu íntimo
As torrentes da paixão?
Porque não há mais gotas na cumieira do meu corpo?
Nem orvalho nas membranas da alma?
Solo Dio sa



(Sergio Bittencourt)

SÓ COM A POESIA disse...

[i]A água, às vezes, não conhece o caminho. vai devagarinho tentando regar, mas não consegue...
Ainda que não se negue se ressente das barreiras...
Até sobe ladeiras, mas na multidão dos cuidados, enche-se de enfados e não consegue regar...
[b]
Beijo, querida Rainha!
Rhusso

Carmen Regina Dias disse...

E eu amei os comentários, poesias magnificas dos poetas mais exuberantes destas paradas ! estou no céu!

Sônia C. Prazeres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rubens disse...

Nada melhor do que ouvir o som da chuva lá fora...
Caindo sobre o telhado, batendo suas suaves ou grossas gotas na janela e fazendo tudo renovar e renascer.
As águas que caem do céu não são apenas gotas d'agua, mas, gotas de renscimento, fazendo os verdes mais verdes e a terra mais produtiva...
A chuva....sinônimo de vida...Fartura e Prosperidade!

"Sem chuva, Sem Vida, Sem Nada!"

Alegro-me em ver e sentir uma chuva "lavadoura" de almas, principalmente depois de um dia ensolarado, quente e sufocante. Chuva que me alegra e que me acalma...que faz a ordem natural recomeçar.

Abraços, Rubens Staloch - http://esquecatudo.blogspot.com/

José Américo disse...

Que poesia gostosa, com cheiro de terra e chuva, tudo misturado com coração dengoso, manhoso...que gostoso que é.